Mudança nos critérios permite uso mais precoce do medicamento e amplia as chances de sucesso terapêutico para pacientes com poucas opções de tratamento
O Ministério da Saúde anunciou a ampliação do acesso ao fostensavir, medicamento destinado ao tratamento de pessoas vivendo com HIV que apresentam vírus multirresistente e falha virológica. A medida, formalizada por meio da Nota Técnica nº 68/2026, flexibiliza os critérios para solicitação e autorização da terapia no Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que pacientes em situação de maior vulnerabilidade clínica tenham acesso ao medicamento antes do esgotamento de todas as alternativas terapêuticas disponíveis.
A mudança representa um avanço importante para um grupo de pacientes que enfrenta desafios complexos no controle da infecção. O fostensavir é indicado para adultos com HIV-1 multirresistente, cuja resposta aos tratamentos convencionais foi comprometida devido à resistência do vírus a diferentes classes de antirretrovirais.
Até então, o acesso ao medicamento estava condicionado a critérios mais restritivos. Com a atualização, a avaliação para uso do fostensavir poderá ocorrer em fases mais precoces da trajetória terapêutica, ampliando as possibilidades de recuperação do controle virológico e reduzindo o risco de progressão da doença.
Entre as principais alterações, o Ministério da Saúde passou a considerar um conjunto mais amplo de evidências clínicas para autorizar o tratamento. Pacientes com histórico de uso de múltiplas classes de antirretrovirais, falha virológica confirmada e resistência documentada a medicamentos já utilizados poderão ser avaliados com maior agilidade. Além disso, casos com forte suspeita clínica de multirresistência também poderão ser analisados, mesmo quando não houver histórico completo de exames de genotipagem disponíveis.
Segundo o coordenador-geral de Vigilância do HIV e da Aids do Ministério da Saúde, Artur Kalichman, a medida busca garantir que as pessoas com maior necessidade tenham acesso oportuno às tecnologias mais avançadas disponíveis no SUS.
“Ao ampliar e qualificar o acesso ao fostensavir, fortalecemos nosso compromisso com a equidade e com a oferta das melhores opções terapêuticas disponíveis. É mais um passo para garantir cuidado de qualidade e melhores perspectivas de saúde para quem mais precisa”, afirmou.
Opção para casos complexos
O fostensavir pertence a uma classe inovadora de medicamentos antirretrovirais conhecida como inibidores de ligação. Sua ação impede que o HIV se conecte às células do sistema imunológico, dificultando a entrada do vírus e sua replicação no organismo.
Por apresentar um mecanismo de ação diferente dos antirretrovirais tradicionais, o medicamento se tornou uma alternativa estratégica para pessoas que acumulam resistência a diversos esquemas terapêuticos. Utilizado em combinação com outros medicamentos ativos, o fostensavir pode contribuir para a retomada da supressão viral e para a recuperação imunológica de pacientes que já esgotaram várias linhas de tratamento.
Especialistas destacam que a ampliação do acesso à terapia pode reduzir o impacto clínico da multirresistência, condição que continua sendo um desafio no manejo de casos mais avançados da infecção pelo HIV.
Fortalecimento da resposta ao HIV
A ampliação do uso do fostensavir integra uma estratégia mais ampla do Ministério da Saúde para fortalecer a prevenção, a vigilância epidemiológica e o cuidado integral das pessoas vivendo com HIV no Brasil.
Reconhecido internacionalmente por sua política de acesso universal ao tratamento, o país oferece gratuitamente, por meio do SUS, diagnóstico, acompanhamento clínico e terapia antirretroviral para todas as pessoas diagnosticadas com HIV.
A resposta brasileira também inclui a disponibilização da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), da Profilaxia Pós-Exposição (PEP), a distribuição de preservativos e autotestes e a ampliação da oferta de testes rápidos em serviços de saúde em todo o território nacional.
Além disso, investimentos contínuos em vigilância epidemiológica e laboratorial permitem monitorar a evolução da epidemia, identificar populações mais vulneráveis e orientar políticas públicas baseadas em evidências científicas.
O acompanhamento regular da carga viral e da contagem de linfócitos CD4, realizado pelo SUS, segue sendo uma das principais ferramentas para avaliar a efetividade do tratamento e detectar precocemente possíveis falhas terapêuticas.
Com a atualização dos critérios para acesso ao fostensavir, o Ministério da Saúde reforça o compromisso de incorporar novas tecnologias ao SUS e de garantir que tratamentos inovadores alcancem pessoas que enfrentam as formas mais complexas da infecção pelo HIV, ampliando as possibilidades de cuidado, qualidade de vida e controle da epidemia no país.
Redação da Agência de Notícias da Aids




