Plataforma reúne conteúdos sobre HIV, outras ISTs e prevenção combinada e tem como proposta aproximar informação científica da população por meio de uma estratégia de comunicação voltada à educação em saúde.
A farmacêutica brasileira Blanver lançou nesta quarta-feira (29), em um evento paralelo a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro, o portal IniciatHIVa, plataforma dedicada à educação em saúde sexual, prevenção do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A iniciativa marca uma nova etapa do projeto IniciatHIVa, criado em 2024, e passa a concentrar em um único ambiente digital conteúdos sobre prevenção combinada, PrEP, PEP, testagem, tratamento, vídeos, campanhas educativas e informações produzidas por especialistas.
A proposta do portal foi apresentada pelo infectologista Dr. Alexandre Naime Barbosa, consultor da Blanver, que destacou que o projeto surgiu a partir da necessidade de aproximar a informação científica da população e ampliar o acesso ao conhecimento sobre HIV e saúde sexual.
“O IniciatHIVa nasce justamente com essa proposta: levar informação com qualidade científica, mas de uma forma leve, dinâmica e acessível para diferentes públicos”, afirmou o médico durante o lançamento.
Segundo Alexandre Naime Barbosa, a resposta ao HIV vive um momento de importantes avanços científicos, com novas estratégias de prevenção e tratamento, mas ainda enfrenta obstáculos para que essas ferramentas cheguem efetivamente às pessoas.
“O problema hoje não é apenas produzir conhecimento. O desafio é fazer com que esse conhecimento se transforme em ação”, afirmou. “Falta informação? Não. Falta transformar informação em comportamento.”
Ao apresentar o portal, o infectologista lembrou que pesquisas mostram que boa parte da população conhece o preservativo como forma de prevenção, mas esse conhecimento nem sempre se traduz em práticas de proteção. Para ele, esse cenário evidencia a necessidade de estratégias permanentes de comunicação e educação em saúde capazes de aproximar a população das tecnologias já disponíveis, como a prevenção combinada, a PrEP e a PEP.
O portal reúne conteúdos produzidos pelo projeto desde sua criação e passa a funcionar como um espaço permanente para divulgação de informações sobre HIV, ISTs, prevenção combinada, saúde sexual e ações educativas desenvolvidas pela Blanver em parceria com especialistas e instituições.
Comunicação também faz parte da resposta ao HIV
Durante o lançamento, representantes da sociedade civil, jornalistas, influenciadores digitais, profissionais de saúde e pessoas vivendo com HIV participaram de uma roda de conversa sobre comunicação, prevenção e enfrentamento do estigma.
O debate partiu de uma constatação apresentada durante o lançamento do portal: embora a resposta ao HIV disponha hoje de estratégias eficazes de prevenção e tratamento, ainda existem barreiras para que essas informações alcancem diferentes segmentos da população.
Durante a conversa, os participantes defenderam que comunicar sobre HIV exige mais do que divulgar dados científicos. Também é necessário utilizar linguagens acessíveis, dialogar com diferentes públicos e ampliar a presença do tema em espaços além dos ambientes especializados.
Entre os pontos discutidos esteve a necessidade de aproximar a comunicação das experiências de quem vive com HIV. Os participantes destacaram que relatos em primeira pessoa contribuem para reduzir o estigma, ampliar o conhecimento sobre prevenção e favorecer o acesso aos serviços de saúde.
A jornalista Talita Martins, coordenadora editorial da Agência Aids, chamou atenção para outro desafio: ampliar o alcance da comunicação.
“Hoje nós falamos muito entre nós mesmos. O grande desafio é furar essa bolha e levar essas informações para quem ainda não conhece a PrEP, não conhece a prevenção combinada e, muitas vezes, sequer sabe onde procurar informação de qualidade”, afirmou.
Ao longo da discussão, participantes como Fabi Mesquita, do Instituto Multiverso, Lucian Ambrós e Djair Gomes, também defenderam uma comunicação baseada em evidências científicas, construída em diálogo com as comunidades e capaz de enfrentar a desinformação e a sorofobia, além de ampliar o conhecimento sobre as estratégias atualmente disponíveis para prevenção e tratamento do HIV.
O lançamento do IniciatHIVa foi encerrado com a avaliação de que a comunicação deve ser incorporada como parte da resposta à epidemia.
Redação da Agência de Notícias da Aids



