BCG: a vacina centenária que ainda salva vidas na luta contra a tuberculose

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Criada em 1921, a vacina BCG (sigla para Bacillus Calmette-Guérin) é uma das mais antigas ainda em uso no mundo. Sua importância histórica é inegável: foi o primeiro imunizante desenvolvido para proteger contra a tuberculose, doença infecciosa que, até hoje, causa milhões de adoecimentos e milhares de mortes todos os anos.

A vacina recebeu esse nome em homenagem aos cientistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin, que passaram 13 anos desenvolvendo uma versão atenuada do bacilo causador da tuberculose bovina (Mycobacterium bovis). Após extensivos testes de segurança e eficácia, a BCG começou a ser usada em seres humanos — e rapidamente se tornou uma aliada essencial no enfrentamento da tuberculose, especialmente em crianças.

Um marco na história da saúde pública

A introdução da BCG marcou um divisor de águas na luta contra a tuberculose, que já foi considerada uma das doenças mais letais do planeta. No início do século 20, a tuberculose era responsável por um número altíssimo de mortes, sobretudo em áreas urbanas pobres e superlotadas.

Com a introdução da vacina, observou-se uma redução importante das formas graves da doença, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa — formas que atingem principalmente crianças pequenas e que podem ser fatais se não tratadas.

No Brasil, a BCG foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1976 e, desde então, é aplicada rotineiramente em recém-nascidos nas maternidades públicas e privadas. A vacinação é considerada obrigatória e a pequena cicatriz deixada no braço é familiar a muitas gerações de brasileiros.

Proteção parcial, mas essencial

É importante destacar que a BCG não impede a infecção pelo bacilo da tuberculose e nem evita a reativação da forma latente da doença em adultos. No entanto, continua sendo fundamental como medida de saúde pública, principalmente em países com alta carga da doença.

Apesar de sua eficácia em contextos específicos, a comunidade científica reconhece a necessidade de novas vacinas contra a tuberculose, especialmente aquelas que possam proteger adolescentes e adultos da forma pulmonar — principal responsável pela transmissão da doença.

Nos últimos anos, diversos estudos vêm sendo conduzidos ao redor do mundo, com destaque para o uso de vacinas de reforço em adultos já vacinados com BCG na infância, e para o desenvolvimento de vacinas totalmente novas, mais eficazes e de ação duradoura.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem incentivado parcerias público-privadas para acelerar esses estudos, com o objetivo de alcançar a meta global de eliminação da tuberculose até 2030 — algo que ainda está distante da realidade de muitos países, inclusive o Brasil.

A BCG hoje

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil ainda registra cerca de 70 mil novos casos de tuberculose por ano, com aproximadamente 4.500 mortes anuais. A maior parte dos casos se concentra em populações socialmente vulneráveis, como pessoas em situação de rua, pessoas vivendo com HIV/aids, pessoas privadas de liberdade e comunidades indígenas.

A cobertura vacinal da BCG se mantém alta em quase todas as regiões do país, mas especialistas alertam para a importância de manter o esquema de vacinação em dia e de reforçar o diagnóstico precoce da doença.

Com mais de um século de existência, a BCG continua sendo um símbolo da luta contra uma das doenças infecciosas mais persistentes da humanidade. Sua história revela o poder da ciência aliada à saúde pública — e reforça a urgência de investimentos contínuos em pesquisa, equidade no acesso à saúde e enfrentamento das desigualdades sociais que ainda alimentam a tuberculose.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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