Confederação Brasileira de Vôlei vai adotar nova regra do Comitê Olímpico Internacional, que exige testes cromossômicos para atletas em Los Angeles-2028, excluindo transgêneros e muitas mulheres intersexo
No Dicionário Aurélio, o primeiro que tive contato em meus 54 anos de vida, a palavra preconceito é definida da seguinte forma: “significa um conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos, além de abranger a suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos e religiões”.
Mas para entender um pouco mais podemos estender para o que significa intolerância: “Aversão, suspeita ou ódio irracional contra grupos, raças ou religiões”.
Se você se enquadra em um desses quesitos ou se gabaritou todos eles, recomendo parar aqui.
O meu tema é preconceito e intolerância travestidos de regra. Em março deste ano, o Comitê Olímpico Internacional (COI) condicionou a participação nas provas femininas dos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028 à realização de testes cromossômicos, retomando uma regra aplicada entre os anos de 1968 e 1996.
A determinação revogou o que tinha sido estabelecido em 2021, pelo mesmo COI, que permitia a cada federação definir sua própria política. Dessa forma, a entidade dirigida pela ex-nadadora Kirsty Coventry passou a excluir tanto atletas transgênero quanto grande parte das atletas intersexo, que apresentam variações genéticas naturais e que são consideradas meninas desde o nascimento.
Interferência dos EUA
Assim como ocorreu no cartão vermelho retirado de Balogun, essa volta ao passado veio na esteira de uma lei publicada nos Estados Unidos, em 2025, que proibiu atletas transgêneros de competir em eventos escolares, universitários e profissionais na categoria feminina no país.
Na oportunidade, Donald Trump que assinou o documento, afirmou que estava “mantendo os homens fora dos esportes femininos” e que não permitiria que atletas transgêneros competissem nos Jogos de Los Angeles.
Com essa pressão, aos poucos, algumas federações internacionais foram aderindo à medida. Aqui no Brasil, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou a adoção das normas do COI a partir desta sexta-feira (14).
Retrocesso
A CBV alega seguir medidas internacionais. Mas foi a entidade brasileira, que em 2017 se tornou uma das primeiras a implementar regulamentação específica sobre a elegibilidade e a participação de atletas transgêneros, seguindo critérios técnicos e médicos. Assim como o COI, ela também retrocede.
E o porque desse retrocesso? Quem chegou até aqui e tem opinião contrária, o que graças a democracia é possível, dirá que Tifanny ou qualquer outra atleta trans tem vantagem contra as mulheres. Pois saibam que em todo o tempo em que ela atuou pelo clube, desde 2021, o Osasco não ganhou todos os torneios, pelo contrário. Na Superliga, principal competição do país, a equipe venceu apenas a edição de 2024-2025.
Mas em um mundo que se orgulha de seus avanços tecnológicos, o preconceito, a intolerância e a discriminação também avançam na mesma velocidade. Tifanny, assim como tantas outras mulheres trans, atletas ou não, é um símbolo de luta e que agora a intolerância travestida de regra tenta vencer.
O esporte deve incluir e jamais o contrário. Por isso devemos lutar por espaço para todos e não para alguns, independente da opção sexual, da cor, da religião.



