Bahamas recebem certificação da OMS por eliminar transmissão vertical de HIV e hepatite B

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As Bahamas alcançaram um marco histórico na saúde pública global ao receberem certificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde, pela eliminação da transmissão de HIV e hepatite B de mãe para filho. O feito foi celebrado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, que destacou o país como exemplo de compromisso político e qualidade no cuidado em saúde.

A certificação reconhece anos de avanços sustentados no acesso ao pré-natal de qualidade, com ampliação da testagem precoce em gestantes e início rápido do tratamento. Como resultado direto dessas políticas, bebês têm nascido livres de infecções que poderiam ser evitadas.

Segundo Winnie Byanyima, diretora executiva do Unaids, a conquista das Bahamas demonstra que a eliminação da transmissão vertical do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis é uma meta alcançável. “Quando as mulheres têm acesso ao diagnóstico precoce durante a gravidez, iniciam o tratamento sem demora e permanecem em acompanhamento, cada criança tem uma chance muito maior de nascer sem HIV”, afirmou.

Estratégia regional e avanços

O resultado é fruto de um esforço regional iniciado em 2010, quando países das Américas assumiram o compromisso de eliminar a transmissão vertical do HIV e da sífilis. A iniciativa foi consolidada em estratégias coordenadas pela OPAS, incluindo o Plano de Ação para Prevenção e Controle do HIV e das Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Para atingir as metas, os países reforçaram a integração entre serviços de atenção primária e saúde materno-infantil, ampliando a triagem durante a gestação, o acompanhamento de bebês expostos ao HIV e o acesso ágil a medicamentos e cuidados especializados.

A validação concedida pela OMS indica que o país não apenas atingiu os indicadores exigidos, como também demonstrou capacidade de sustentar os resultados ao longo do tempo — um dos critérios mais rigorosos do processo.

Caribe lidera avanços

As Bahamas se juntam a um grupo crescente de países e territórios do Caribe que vêm alcançando metas semelhantes. A região já havia registrado marcos importantes desde que Cuba se tornou, em 2015, o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão vertical do HIV e da sífilis. Nos anos seguintes, outras localidades como Anguilla, Antígua e Barbuda, Bermuda, Ilhas Cayman, Montserrat e São Cristóvão e Nevis também receberam certificações.

Mais recentemente, Belize, Dominica, Jamaica e São Vicente e Granadinas passaram a integrar essa lista, evidenciando um movimento regional consistente.

Desafio global até 2030

A certificação ocorre em um momento crucial, enquanto a comunidade internacional intensifica esforços para erradicar a aids como ameaça à saúde pública até 2030. A prevenção de novas infecções em crianças segue como prioridade global.

Entre 2010 e 2024, o número de novas infecções por HIV entre crianças caiu 62% — de 310 mil para 120 mil casos — resultado de políticas públicas mais eficazes e do fortalecimento dos sistemas de saúde.

Apesar do avanço, o Unaids alerta que é essencial manter e ampliar os investimentos. Isso inclui fortalecer serviços integrados de saúde materno-infantil, garantir acesso contínuo a medicamentos e diagnósticos de qualidade, combater o estigma e a discriminação e apoiar iniciativas lideradas por comunidades.

Ao conquistar a certificação internacional, as Bahamas não apenas celebram um feito nacional, mas também reforçam uma mensagem global: eliminar a transmissão vertical do HIV e da hepatite B é possível — e depende de compromisso político, investimento contínuo e acesso universal à saúde.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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