Avanços nos tratamentos para HIV: Líderes globais pedem acesso ampliado a medicamentos de ação prolongada

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Em uma reunião marcante realizada durante o 55º Conselho de Coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), líderes globais pediram a aceleração do acesso a medicamentos de ação prolongada. Essas novas terapias, que prometem transformar a prevenção e o tratamento do HIV, são vistas como uma oportunidade para mudar o curso da pandemia de aids.

Nos últimos dois anos, avanços na ciência trouxeram uma nova geração de medicamentos anti-HIV que podem ser administrados em intervalos de meses. Estudos recentes destacam o impacto positivo desses tratamentos: uma pesquisa mostrou taxa zero de novas infecções entre jovens africanas que usaram medicamentos de prevenção de ação prolongada, enquanto outra pesquisa indicou maior eficácia em relação aos medicamentos orais. Ainda assim, a barreira do custo permanece um desafio significativo para muitos países de baixa e média renda.

Winnie Byanyima, diretora executiva do Unaids, destacou a necessidade de conectar inovação tecnológica com acesso equitativo. “Podemos inaugurar uma nova era ao reduzir a curva de novas infecções e acelerar a resposta ao HIV”, afirmou. Ela também alertou sobre os erros do passado, como os atrasos na distribuição de medicamentos eficazes, que resultaram em milhões de mortes no Sul Global.

“Não podemos repetir essa história com os medicamentos de ação prolongada”, disse Byanyima, conclamando empresas farmacêuticas a expandirem licenças de genéricos e incentivando governos a usarem flexibilidades legais para garantir acesso acessível.

Lideranças globais e perspectivas regionais

Ethel Maciel, Secretária de Vigilância em Saúde do Brasil, reforçou o compromisso do país em garantir que essa nova tecnologia beneficie todas as populações em risco. No entanto, alertou para o alto custo dos tratamentos. A Dra. Cissy Kityo, cientista do Joint Clinical Research Centre em Uganda, elogiou os medicamentos como um “divisor de águas” e enfatizou a urgência de sua adoção. Javier Padilla Bernáldez, Secretário de Estado da Saúde da Espanha, defendeu uma abordagem universal para evitar disparidades no acesso.

O papel dos genéricos

A produção de medicamentos genéricos foi um dos principais pontos discutidos. Sylvia Vito, da EVA Pharma, destacou os esforços para produzir versões acessíveis e de alta qualidade de medicamentos de ação prolongada. Enquanto isso, foi levantada a preocupação de que muitos países da América Latina, incluindo Brasil e Argentina, ainda enfrentam barreiras de acesso devido à exclusão de licenças voluntárias.

Sob a liderança do Brasil no G20 em 2024, a Coalizão Global para Produção Local e Regional foi criada, estabelecendo as bases para um acesso mais equitativo aos medicamentos. Inovações futuras, como cabotegravir injetável e um anel vaginal de longa duração, também foram destacadas como promissoras no combate à pandemia.

Apelo final das comunidades

Jerop Limo, ativista queniana vivendo com HIV, resumiu a esperança e a urgência da questão: “Medicamentos de ação prolongada não são apenas conveniência; são uma questão de vida. Merecemos viver plenamente e precisamos de acesso para todas as pessoas, em todos os países.”

A sessão concluiu com um apelo para que governos, indústrias e organizações da sociedade civil trabalhem juntos para garantir que os avanços científicos não fiquem restritos às nações ricas, mas beneficiem a todos igualmente. Conforme ressaltado no artigo publicado no The New England Journal of Medicine, 2024 pode ser um marco na resposta global à aids, caso o acesso seja priorizado.

Redação da Agência Aids com informações do Unaids

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