
Durante a 13ª Conferência Internacional da Aids Society (IAS 2025), realizada em Kigali, Ruanda, pesquisadores e ativistas reforçaram a urgência de manter os investimentos em ciência e tecnologia para o enfrentamento da epidemia de HIV. Em entrevista à ativista Fabiana de Oliveira, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), o infectologista Alexandre Naime Barbosa, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destacou os avanços e os desafios na busca por uma possível cura.
Segundo Barbosa, os estudos mais recentes apresentados na conferência vêm investigando estratégias complementares tanto para uma cura esterilizante — que eliminaria completamente o vírus do corpo — quanto para uma cura funcional, que visa controlar a infecção sem a necessidade de uso contínuo de antirretrovirais.
“Ficou muito claro que, principalmente em contextos como o africano — semelhante em muitos aspectos ao brasileiro —, as coinfecções como hepatites B e C, citomegalovírus e tuberculose acabam aumentando o reservatório viral. Isso torna a cura ainda mais distante”, explicou.
Mesmo com os avanços promissores, Barbosa alertou que todas as pesquisas estão em fases iniciais — 1 e 2 — e que a continuidade dos estudos depende de recursos estáveis. Uma das principais preocupações discutidas na IAS 2025 foi o corte de financiamentos internacionais, incluindo o de agências do governo dos Estados Unidos, que tradicionalmente sustentam boa parte das pesquisas na área.
“Se queremos continuar progredindo rumo à cura do HIV, que já começa a tomar forma concreta, precisamos de um financiamento garantido”, afirmou o especialista. “Sem recursos, corremos o risco de frear descobertas que podem transformar a vida de milhões de pessoas.”
A entrevista reforça a mensagem deixada pela conferência: a ciência avança, mas não caminha sozinha. É preciso compromisso político e financiamento consistente para que a esperança de uma cura do HIV se torne uma realidade acessível para todos os países, especialmente os mais impactados pela epidemia.
Redação da Agência de Notícias da Aids



