Avaliação da OMS indica que nova geração de vacinas pode transformar combate à gripe

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Uma avaliação recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que vacinas contra a gripe de próxima geração — com proteção mais ampla e duradoura do que os imunizantes sazonais atuais — podem reduzir significativamente o impacto global da doença e salvar milhões de vidas nas próximas décadas.

Segundo o estudo “Avaliação Completa do Valor das Vacinas Contra a Gripe Aprimoradas” (FVIVA, na sigla em inglês), juntamente com análises publicadas na revista científica Vaccine, esses imunizantes apresentam potencial para gerar impactos positivos na saúde pública, na economia e na formulação de políticas sanitárias, além de fortalecer estratégias de preparação para futuras pandemias.

Os estudos também identificam possíveis barreiras à adoção global dessas vacinas e fornecem uma base técnica para orientar investimentos, decisões políticas e estratégias de implementação, contribuindo para programas mais robustos de controle da gripe sazonal.

Impacto global da gripe

A gripe sazonal continua sendo um importante problema de saúde pública. Estima-se que, todos os anos, ocorram cerca de um bilhão de casos em todo o mundo, dos quais entre 3 milhões e 5 milhões evoluem para quadros graves. As complicações respiratórias associadas à doença provocam entre 290 mil e 650 mil mortes anuais.

Embora as vacinas atualmente disponíveis reduzam a incidência da doença, sua eficácia varia conforme a estação, o tipo de produto e o grupo populacional. Além disso, a proteção é limitada a uma única temporada.

Duas vezes por ano, especialistas do Sistema Global de Vigilância e Resposta à Gripe se reúnem sob coordenação da OMS para definir recomendações sobre as cepas que devem compor as vacinas sazonais. Apesar de 143 países informarem à OMS a disponibilidade desses imunizantes, a maior parte das doses é utilizada por países de renda média-alta e alta.

Potencial de salvar milhões de vidas

A avaliação FVIVA projeta que, caso vacinas contra a gripe aprimoradas, universais ou de próxima geração sejam amplamente utilizadas entre 2025 e 2050, será possível prevenir até 18 bilhões de casos da doença e evitar até 6,2 milhões de mortes em todo o mundo.

Os principais beneficiados seriam grupos com maior risco de desenvolver complicações graves, como idosos, crianças pequenas e gestantes.

“Esta avaliação deixa claros os benefícios potenciais que vacinas contra a gripe aprimoradas podem oferecer em diferentes contextos”, afirmou o médico Philipp Lambach, líder técnico do projeto pela OMS. Segundo ele, o estudo oferece evidências que podem impulsionar investimentos, orientar políticas públicas e definir prioridades de pesquisa.

Benefícios econômicos e combate à resistência antimicrobiana

O estudo também indica que, em diversos países, essas vacinas poderiam ser custo-efetivas ou até gerar economia para os sistemas de saúde. Outro benefício relevante seria a redução do uso de antimicrobianos.

A vacinação contra a gripe contribui para diminuir a resistência antimicrobiana ao reduzir o uso desnecessário de antibióticos — atualmente estimado em cerca de 10 milhões de doses evitadas por ano. As vacinas de próxima geração poderiam impedir o uso de até 1,3 bilhão de doses diárias definidas de antibióticos entre 2025 e 2050, contribuindo para enfrentar o avanço global da resistência bacteriana.

Desafios para adoção global

O impacto dessas vacinas dependerá de fatores como a carga da doença em cada país, a capacidade dos sistemas de saúde, o custo dos imunizantes e aspectos programáticos. Características como segurança, eficácia, duração da proteção, estabilidade térmica e prazo de validade também influenciarão sua adoção, especialmente em países de baixa e média renda.

A estrutura de Avaliação do Valor Total das Vacinas foi desenvolvida para apoiar o diálogo baseado em evidências entre governos, pesquisadores, fabricantes e parceiros, oferecendo uma visão abrangente sobre o potencial dessas tecnologias e os desafios para seu desenvolvimento e uso.

Estratégia global e desenvolvimento tecnológico

A FVIVA está alinhada à estratégia global da OMS para influenza no período de 2019 a 2030 e às características preferenciais definidas pela organização para vacinas de próxima geração, incorporando avanços científicos recentes e lições aprendidas durante a pandemia de Covid-19.

Em dezembro de 2025, a OMS publicou uma atualização das Características Preferenciais do Produto (CPPP), com orientações para o desenvolvimento de vacinas mais seguras e eficazes. As recomendações incluem imunizantes com proteção mais ampla e duradoura — além de uma única temporada — maior proteção contra casos graves e adequação ao uso em países de baixa e média renda.

As diretrizes também destacam a importância de tecnologias que possam ser transferidas para fabricantes nesses países, favorecendo a produção local.

Vacinas em desenvolvimento

A avaliação FVIVA resultou de uma ampla colaboração entre a OMS e especialistas internacionais envolvidos no desenvolvimento de vacinas contra a gripe aprimoradas, universais e de próxima geração.

Até fevereiro de 2026, havia 46 vacinas desse tipo em desenvolvimento clínico, utilizando diferentes plataformas tecnológicas, conforme o Roteiro de Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas contra a Gripe.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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