AUMENTO DE CASOS DE SÍFILIS NA CHINA É ALARMANTE, DIZ ESTUDO

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13/01/2007 – 16h00

Os casos de sífilis na China estão aumentando em proporções “alarmantes”, de acordo com estudo publicado na revista científica Lancet. Segundo o estudo, a doença venérea infecciosa foi praticamente erradicada do país nas décadas de 60 e 70, e agora ressurge com grande intensidade. Ele revela que os índices aumentaram de 0,2 casos por 100 mil habitantes em 1993 para 5,7 casos em 2005.

Um dos autores da pesquisa (que conta com a participação do Centro Nacional para Doenças Sexualmente Transmissíveis da China e da Universidade da Escola de Medicina da Carolina do Norte, nos Estados Unidos) disse que é necessária uma intervenção para resolver o problema. Myron Cohen, que participou da elaboração do estudo, disse que a doença está se propagando “com uma rapidez fantástica”.

HIV

A doença é a de maior incidência entre os grupos de risco – homens e mulheres que se dedicam à prostituição e homens que praticam sexo com outros homens. Nestes grupos, respectivamente, 1 em cada 10 pessoas e 1 em 5 têm sífilis, de acordo com alguns dos principais especialistas da China. Uma preocupação especial é o aumento da sífilis congênita (bebês que nascem com a doença, depois de contraí-la no útero de mães infectadas).

Cerca de 3,4 mil bebês chineses nascem a cada ano com sífilis congênita. O número vem aumentando vertiginosamente desde 1991 –mais de 70% por ano. A sífilis é uma doença agressiva e perigosa, mas Cohen disse que seu aumento também tem implicações mais amplas –como fornecendo uma idéia da velocidade de propagação de outras doenças sexualmente transmissíveis.

“Se nós estamos vendo a propagação de sífilis, nós tememos que outras doenças sexualmente transmissíveis estejam se propagando também”, disse ele. “Temos razões para crer que a sífilis ajude a aumentar (a propagação do vírus) o HIV. Tememos que sífilis sem tratamento acabe estimulando a propagação do vírus também.”

“Profundamente conservador”

A rápida propagação de doenças venéreas está sendo alimentada, em parte, pelas grandes mudanças sociais no país. O grande número de trabalhadores migrantes na China, o aumento da prostituição e a ocorrência de mais relações sexuais fora do casamento –acoplado ao baixo uso de camisinhas– são fatores-chave.

A necessidade de pagar por assistência médica agora pode desencorajar as pessoas a realizar testes e tratamento. A sociedade chinesa ainda é profundamente conservadora, com pouca abertura para discutir sexo em todos os níveis. Apesar das campanhas em escolas, universidades e meios de comunicação, a troca de informações sobre o assunto é restrita.

Cientistas acreditam que possa haver também uma razão biológica para um aumento tão rápido da incidência da doença. Adultos chineses, sexualmente ativos, não estiveram expostos à sífilis por décadas. Alguns cientistas dizem que isso deixou a população de hoje com baixa imunidade à doença.

Jill Mcgivering

Fonte: BBC Brasil

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