30/05/2014 – 19h
Embora a incidência da aids continue diminuindo na população de forma geral, tem aumento de maneira significativa entre homens de 20 a 29 anos que fazem sexo com outros homens na cidade de São Paulo. Esse é o destaque da nova edição do Boletim Epidemiológico de Aids, HIV/DST e Hepatites B e C do Município de São Paulo, apresentado nessa sexta-feira (31) pelo Programa Municipal de DST/Aids. Segundo o boletim, essa população representa 38,6% dos casos entre homens que fazem sexo com homens (HSH) em 2012. Em 2011, a publicação registrou 251 (33,3%) casos nessa mesma faixa etária.
Um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo já apontava essa tendência. Segundo a pesquisa, 15% dos homens que fazem sexo com homens e frequentam a região central da cidade estão infectados pelo vírus HIV. (saiba mais)
Em 2012, a cidade registrou 2.202 novos casos de aids, sendo cerca de 1.600 deles em homens e 600 em mulheres. Ou seja, para cada três homens com aids há uma mulher. No mesmo ano, 779 pessoas morreram em decorrência da doença. Esse aumento pode se relacionar com o crescimento da epidemia entre os homens que fazem sexo com homens, especialmente na faixa etária de 13 a 29 anos. A transmissão sexual através da relação com outros homens representou 47% dos casos do sexo masculino.
Os dados foram apresentados a ativistas, gestores e funcionários de diversos setores que atuam na luta contra a aids na cidade durante o segundo seminário O Perfil da Aids na Cidade de São Paulo: Da Informação Para a Ação.
Ainda de acordo com o boletim, nos últimos dez anos, a taxa de incidência da aids na cidade apresentou uma redução de 41%. Passou de 32,6, em 2003, para 19,3 casos por 100 mil habitantes/ano em 2012.
Os índices de mortalidade por aids também caíram. Em 2012, a taxa foi de 6,8 por 100 mil habitantes mas, ainda assim, duas pessoas morrem por dia em decorrência da doença no município. Quando observamos os óbitos por aids segundo raça/cor, os dados assustam. A médica Caritas Basso, do Programa Municipal, destaca que a taxa de incidência por morte na população negra é de 41,4, contra 19,4 na branca. “Esses dados demonstram o perfil da epidemia em São Paulo.”
Transmissão vertical
Os dados sobre transmissão vertical (TV) do HIV (mãe para filho) também ganharam destaque no evento. Entre 2000 e 2013, foram notificadas 6.341 gestantes HIV positivo. Nesse mesmo período, 5.750 crianças foram expostas ao HIV e 188 foram infectadas.
"Temos de zerar a TV na cidade. Há muitas possibilidades. As mulheres precisam ser testadas durante o pré-natal e na hora do parto. Temos de nos esforçar na interlocução entre atenção básica, redes especializadas e maternidades na tentativa de evitar novos casos", disse Eliana Gutierrez (na foto, com microfone) coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo.
Segundo Eliana, para que a TV seja controlada, o município precisa alcançar uma taxa de transmissão de duas crianças nascidas infectadas para cada 100 mães soropositivas.
"Temos que ficar atentos as mulheres soropositivas em idade fértil. Elas precisam ser acompanhadas. O protocolo de TV precisa ser colocado em prática. Temos de acessar as novas tecnologias e driblar as vulnerabilidades sociais."
Eliana fez um panorama sobre o enfrentamento do HIV na cidade ao destacar algumas metas que precisam ser alcançadas. “Precisamos nos empenhar no combate à tuberculose, essa é a primeira causa de morte das pessoas vivendo com HIV/aids em São Paulo. Só em 2012, 11,6% dos novos casos de tuberculose apresentaram sorologia positiva para o HIV”, destacou a gestora.
Representando o Movimento Paulistano de Luta Contra Aids, o ativista Américo Nunes disse que os dados não são novidades. “Eventos como esse nos dá a oportunidade de pensar no que é preciso fazer para melhorar a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/aids e evitar novas infecções. Temos muito a fazer, mas falta investimento. Só a sociedade civil chega na ponta e consegue colocar as políticas em prática com mais facilidade.”
O evento, além de apresentar todos os dados computados até 2012, teve por objetivo apresentar e debater informações que subsidiem as estratégias de enfrentamento da aids no município de São Paulo.
Dica de entrevista:
Programa Municipal de DST/Aids-SP
Tel.: (11)3397-2000
Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)



