3/12/2006 – 13h40
A mulher pedir para o marido usar camisinha nas relações sexuais pode levar a um impasse difícil de resolver dentro do casamento: admitir que um dos dois está tendo relações extra-conjugais. Este foi um dos temas centrais da mesa ancorada pela jornalista Silvia Poppovic no auditório público “Falando Sobre Aids”, uma realização do Programa Municipal de DST/Aids de SP e da Agência de Notícias da Aids. O evento aconteceu no Largo São Bento, centro da cidade, durante toda a sexta-feira, 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
A ativista Silvia Almeida, do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) declarou que quando se descobriu portadora do vírus, passou por momentos muito difíceis. Vivia um casamento feliz e, de repente, o marido adoeceu e veio a falecer. Mesmo assim, ela continuou ao lado dele até o fim. Questionada pela âncora como ela lida com a sua vida afetiva e sexual atualmente, Silvinha, como é conhecida dentro do movimento de Aids, disse que “o importante é ter consciência do risco. Aprendi a me proteger e a proteger o outro.” A ativista contou que trabalha na mesma empresa há 20 anos e conta com todo o apoio dos empregadores.
Presente também ao bate-papo comandado por Silvia Poppovic, a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids, Cristina Abbate, falou da dificuldade da mulher negociar o uso do preservativo com o parceiro e discorreu um pouco sobre o trabalho do município com a questão da Aids, informando sobre o fornecimento gratuito de camisinhas e kits para redução de danos (seringas e apetrechos para uso de drogas injetáveis) e, também, sobre a testagem para o HIV. “A partir do primeiro semestre de 2007, começaremos a trabalhar com o teste rápido para detectar o vírus. O usuário do serviço de saúde poderá ter o resultado em uma hora,” informou Abbate.
Outro convidado do auditório, o infectologista Caio Rosenthal, ressaltou que a transmissão do HIV por relações heterossexuais “é a que mais cresce. A camisinha continua sendo o método mais eficaz para evitar a infecção.” Rosenthal explicou que os remédios disponíveis estão conseguindo controlar a doença quando o paciente segue o tratamento corretamente e toma os medicamentos na hora certa. No entanto, ele alertou que mais de 50% das pessoas em tratamento, tem efeitos colaterais como diarréia, diabetes, emagrecimento, problemas de sono, má distribuição da gordura no corpo (lipodistrofia) e problemas cardíacos.
No decorrer do dia, o auditório público “Falando Sobre Aids” ainda teve mais duas mesas. Uma ancorada por Patrícia Palumbo, da rádio Eldorado FM, e a outra por Heródoto Barbeiro, da CBN e TV Cultura. Durante todo o evento, agentes de sáude do Programa Municipal de DST/Aids distribuiram preservativos e folhetos explicativos aos transeuntes.
Maurício Barreira



