ATORES, JORNALISTAS, CARTUNISTAS, ESCRITORES E CANTORES DIZEM QUAL PRESENTE AS PESSOAS VIVENDO COM AIDS DEVERIAM GANHAR NESSE NATAL (PARTE II)

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25/12/2006 – 9h30

Qual presente os soropositivos deveriam receber nesse natal? A Agência de Notícias da Aids fez essa pergunta para personalidades de diversas áreas. Para a mesma indagação, um variado e democrático rol de respostas: o fim do preconceito, um tratamento cada vez “mais acessível” e “eficiente”, um “imenso pedido de desculpas de toda a indústria farmacológica”, a cura ou simplesmente um CD ou uma camiseta, afinal, o indivíduo “que vive com Aids é uma pessoa normal, como qualquer outra.”

Os entrevistados, em sua imensa maioria, não têm relação ou algum tipo de atuação no combate a pandemia, mas se dispuseram a falar sobre o tema movidos pela “solidariedade” e pela necessidade de a discussão sobre a Aids não ser relegada aos rodapés dos jornais. Abaixo, as respostas de alguns dos entrevistados:

Neide Archanjo (poetisa)

“Dar um CD, uma camiseta, uma camisinha… Tanto faz, pois a pessoa que vive com Aids é uma pessoa normal, como qualquer outra. Não há razão para desespero. Hoje em dia a Aids é controlável. Eu perdi diversas pessoas com Aids, pessoas muito próximas. Foi na época do Cazuza [o cantor e compositor morreu em 1990]. Em primeiro lugar, o negócio é se prevenir, não pegar Aids. Se pegar, o negócio é o coquetel. O corpo é maior presente que Deus nos deu. Temos que preservá-lo.”

Leo Jaime (cantor e compositor)

“Gostaria que os números e dados positivos que cercam a doença fossem divulgados com o mesmo grau de intensidade daqueles que criaram o estigma que persegue a quem tem essa triste limitação de saúde, que afeta muito a vida social e amorosa. Não precisava ser assim. Soube que já existe até um creme para uso durante as relações que pode matar o vírus. Espero que em breve tenhamos uma vacina. Essa seria a melhor notícia: a erradicação total desta doença. Porém, de todos os males, a ignorância é a mais desnecessária e prejudicial. Assim como o preconceito.”

Caco Galhardo (cartunista e roteirista) – criador das tiras “Os Pescoçudos” (publicadas na Folha de S. Paulo), também redigiu alguns quadros do programa “Casseta e Planeta Urgente” (TV Globo)

“Neste Natal, um bom presente para os soropositivos do mundo inteiro seria um imenso pedido de desculpas de toda a indústria farmacológica, que ao invés de se unir de uma vez por todas em nome dos avanços de novos medicamentos, ficam numa concorrência estúpida e ridícula que mais uma vez coloca a força da grana à frente dos interesses da humanidade. Tipo da coisa que não entra e nunca vai entrar na minha cabeça, mas fazer o quê? Talvez, melhor seria pedir de uma vez, para o Papai Noel, que ele botasse um pouquinho só a mais de neurônios nas nossas cabeças. Um pouquinho só já seria o suficiente.”

Sérgio Roveri (jornalista e dramaturgo) – autor da peça “O Encontro das Águas”, escreve regularmente para a revista de cultura Bravo

“Podem ser dois presentes? Que a sociedade conseguisse eliminar cada vez mais o preconceito entre os portadores e os não portadores. Que não houvesse nenhum tipo de estigmatização. E que o tratamento fosse cada vez mais acessível e cada vez mais eficiente.”

Lilian Witte Fibe (jornalista) – ex-apresentadora do “Jornal da Globo” (Rede Globo de Televisão) e do “UOL News” (do portal da Internet UOL)

“Em primeiro lugar, a cura. Enquanto ela não chega, o carinho do próximo e a erradicação dos preconceitos seriam, creio, presentes tão bem-vindos quanto tardios. Mas há também um presente que os pacientes podem e devem dar a si mesmos: a persistência nos tratamentos. Temos lido sobre os vírus que, sempre em mutação, desenvolvem resistência a determinadas drogas, principalmente por causa do uso aleatório e interrompido. Acontece com vírus e bactérias em geral, mas, no caso da Aids, parece-me que a conscientização e a determinação dos pacientes é especialmente importante”.

Mariângela Simão (Diretora do Programa Nacional de DST e Aids)

“Respeito aos direitos humanos fundamentais, que inclui acesso, e eu tô falando do mundo todo, o acesso a medicamentos, aos exames de monitoramento… Acesso ao que se fala internacionalmente como cuidado e tratamento. Respeito aos direitos humanos. Respeito a diversidade, a orientação sexual, a opção de vida e de trabalho e tudo mais.”

Léo Nogueira

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