
No último domingo, 18 de maio, a Estação Ferroviária de Louveira (SP) foi palco de um ato público marcante em alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial e ao Dia de Combate ao Assédio e à Exploração Sexual Infantil. Organizado pela Fundação Poder Jovem e pelo Coletivo Luminar, o evento reuniu entidades e pessoas comprometidas com a defesa dos direitos de adolescentes, jovens em situação de vulnerabilidade, pessoas em sofrimento mental, moradores de rua e usuários de álcool e outras drogas.
A abertura foi marcada pela leitura da carta-manifesto do Coletivo de Luta Antimanicomial, que trouxe à tona a urgência do fim das internações compulsórias, do estigma associado à saúde mental e da valorização do cuidado em liberdade. A ação contou com atividades culturais e educativas, como feira de economia solidária, oficinas de pintura, desenho, teatro, rodas de conversa e exibição de filmes com debate.
Um dos destaques do dia foi a vivência com técnicas do Teatro do Oprimido, conduzida pela psicóloga e atriz Sandra Vilchez. Nessa dinâmica, usuários, familiares e profissionais de saúde puderam criar e encenar situações que geram sofrimento mental nos ambientes escolar, familiar e de trabalho. As cenas abordaram temas como racismo, bullying, homofobia e outras formas de violência estrutural, propondo caminhos de reflexão e transformação social.
Para Cleiton Rodrigues Ferreira, assistente social da Fundação Poder Jovem, o ato foi um convite à empatia e ao acolhimento. “É preciso aceitar as diferenças, respeitar o outro, abandonar os julgamentos e mudar posturas enraizadas na sociedade. Só assim poderemos enfrentar os preconceitos e outras formas de violência que adoecem”, afirmou.
Outro momento potente do evento foi o cine-debate coordenado por Lurdes Munhoz. Foram exibidos os documentários Histórias Vividas: uma história de luta contra o HIV/Aids e Sequelas… Carrano e a luta por um mundo mais inclusivo, que trouxeram à tona a importância da interseccionalidade entre saúde mental, HIV/aids e outros marcadores sociais de desigualdade. As produções provocaram reflexões sobre estigma, exclusão e a necessidade de políticas públicas integradas.
A ação foi uma construção coletiva entre diversas iniciativas locais, como a Casa de Oficinas Acalanto, a Rede de Artesãos de Louveira, a Fundação Poder Jovem e o Coletivo Luminar, que reafirmaram o compromisso com práticas de cuidado em liberdade e com a promoção da saúde mental como um direito humano.
“Cuidar não é excluir. É incluir com dignidade, afeto e respeito”. Foi com essa mensagem que o evento chegou ao fim, resumindo o espírito que move a luta antimanicomial em Louveira e em todo o Brasil.
Redação da Agência Aids com informações
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