29/09/2014 – 14h
Internautas e ativistas dos direitos humanos não deixaram por menos na resposta aos ataques à população de Lésbicas, Gays, Homossexuais e Transexuais (LGBT), feitos pelo candidato a presidente Levy Fidelix (PRTB), durante debate na TV Record, na noite de domingo (28). Manifestações de repúdio à atitude homofóbica surgem de todos os cantos. Um beijaço está marcado para para às 17h desta terça-feira (30), no Vão do MASP, na Avenida Paulista, em São Paulo.
No Rio, os manifestantes se concentração às 17h em frente à Igreja da Candelária, de onde sairão em caminhada até a Cinelândia. Centenas de pessoas estão mobilizadas em torno do Coletivo de Feministas Lésbicas (CFL),para encaminhar uma ação judicial ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a punição do candidato.
O presidenciável provocou revolta e indignação durante o debate da Record ao ser questionado pela candidata Luciana Genro (PSOL) sobre suas propostas para a população LGBT.
“Dois iguais não fazem filho. Me desculpe, mas aparelho excretor não reproduz. Tem candidato que não assume isso com medo de perder voto. Prefiro não ter esses votos, mas ser pai, avô que instrua seu neto. Não vou estimular a união homoafetiva. Se está na lei, que fique como está”, respondeu o candidato.
Luciana disse que defendia “todas as famílias”, independentemente da composição destas. E Fidelix prosseguiu: “O Brasil tem 200 milhões de habitantes”, continuou Fidelix. “Você já pensou se a moda pega? Daqui a pouquinho vai reduzir pra 100 milhões. Vai pra (Avenida) Paulista e anda lá um pouquinho. É feio o negócio. Essas pessoas que têm esses problemas que sejam atendidas por ajuda psicológica. E bem longe da gente, porque aqui não dá”, finalizou .
Reações
Imediatamente após a fala do candidato, a hashtag #LevyVoceENojento passou a encabeçar o topo das mais usadas no Twitter. No Facebbok , usuários começaram a se mobilizar. O assunto ganhou os sites de notícias até no exterior, como no conceituado jornal britânico “The Guardian” que se referiu à fala de Fidelix com uma noite troiste para a democracia brasileira.
Ao sair do debate, Luciana Genro se disse mais do que indignada com o que ouviu de Fidelix. “Eu fiquei realmente perplexa. Não esperava essa radicalidade toda dele na questão da homofobia”, disse Luciana ao R7 ao final do debate.
O deputado federal Jean Wyllys postou em seu Facebook um cartaz ironizando a fala de Fidelix segundo a qual “aparelho excretor não reproduz”. Jean Wyllys escreveu; “Levy não se dá conta de que sua própria existência contraria sua teses”.
A ativista do Coletivo de Feministas Lésbicas (CFL), Irina Karla disse ao site Opção que, além de encaminhar uma ação judicial coletiva e acionar o TSE, como o debate foi realizado no estado de São Paulo, os ativistas também pretendem enquadrar Levy Fidelix na lei estadual 10.948/02, que pune atos homofóbico; entre eles, discursos de ódio.
"Queremos fazer um ato que mostre que não aceitamos que esse tipo de discurso homofóbico do Levy possa ser dito com tanta naturalidade em rede nacional! É um absurdo que um presidenciável incite o ódio desse jeito, em um período em que todos os dias estamos vendo nas notícias a morte de gays, lésbicas, travestis e pessoas transexuais", diz a página do evento no Facebook.
Redação da Agência de Notícias da Aids



