A situação política da Venezuela segue instável e preocupando as pessoas que defendem os direitos humanos e o direito internacional. Depois que Nicolas Maduro e sua esposa Cilia Flores foram presos e levados aos Estados Unidos para serem julgados por um tribunal local, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez assumiu o governo do país. Ela foi aceita pelos militares venezuelanos. O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda-feira para analisar os acontecimentos que chocaram e trouxeram apreensão para o mundo. Nos Estados Unidos, o Partido Democrata queixou-se pelo fato do Congresso não ter sido informado da ação militar que aconteceu. O Secretário de Estado americano, Marco Rubio defendeu a ação armada argumentando que não se trata de “um ato de guerra” mas sim de “uma operação secreta organizada durante seis meses pela inteligência americana. Os 26 países que fazem parte da União Européia disseram oficialmente que a única saída para da crise é a vontade do povo da Venezuela ser respeitada. A engenheira Maria Corina Machado, que recebeu o prêmio Nobel da Paz e lidera a oposição, declarou “‘Chegou a hora da liberdade” e garantiu que a oposição tem condições de assumir o país. Os venezuelanos que vivem no Brasil e tem parentes na Venezuela estão apreensivos com a segurança de seus correlatos que vivem no país vizinho.
Assim a Venezuela início a primeira semana deste ano de 2026 e chama atenção de todo o mundo.
Qual será a atual e real situação das pessoas vivendo com HIV no país vizinho ?
Dados do Unaids informam que existem cerca de 100 mil pessoas por lá. Exames, cuidados, medicação, acolhimento, segurança alimentar estão sendo cumpridas? Conversamos sobre o tema com ativistas que refletiram a respeito do tema.
Américo Nunes Neto, presidente do Instituto Vida Nova:

“A crise na Venezuela pode significativamente afetar as pessoas com HIV, especialmente em termos de acesso a medicamentos e cuidados de saúde.
Organizações internacionais e locais podem trabalhar juntas para enviar medicamentos antirretrovirais e outros tratamentos essenciais para a Venezuela.
Países vizinhos podem oferecer serviços de aconselhamento e apoio emocional pode ajudar as pessoas a lidar com o estresse e a ansiedade causados pela crise, assim como a garantia da segurança alimentar.
Fortalecer as parcerias com organizações ong locais pode ajudar a identificar as necessidades mais urgentes e a distribuir recursos de forma eficaz.”
Nair Brito, integrante do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas:

“O retrato hoje da Venezuela aos meus olhos é a tela de Guernica, de Pablo Picasso: Um protesto contra os horrores da guerra.! Os flagelos das violências, as quais ficam acirradas entre os mais vulneráveis. Pessoas vivendo com HIV/AIDS na Venezuela estão com certeza no meio desses. O que já está ruim, ficará pior. Maduro descuidou da política de assistência e prevenção ao HIV / AIDS em seu país, e as consequências são devastadoras, isto é, mais mortes, infecções, discriminação e estigma.
E a intervenção norte americana, conhecida pelo desmonte das políticas de AIDS em seu próprio país e das agências cooperadoras em outros países, certamente intensificará o caos.
Não podemos ficar em silêncio frente ao que está por vir, aliás nem ao que já esta instalado, considerando que as 120 mil pessoas vivendo com HIV neste país não têm uma vida nada fácil, agregando ainda mais vulnerabilidade à sua condição no atual cenário.
Devemos enquanto comunidade global socorrer com medicamentos, médicos, testes, preservativos, enfim tudo o que for necessário para tornar a vida mais humana e digna, porque afinal as fronteiras são invisíveis, somos povos de um mesmo planeta.
O Trump entendeu isso, mas a sua prática é ultrapassada, cruel e violenta porquê ele invade espaço para possuí-lo, e dele se beneficiar.
Nós podemos ultrapassar fronteiras para socorrer, construir e preservar. E assim faremos,porque nesses 40 anos aprendemos sobre solidariedade e ajuda mútua assim seguimos vencendo o HIV/AIDS.”
Javier Angonoa, Coordenador Geral, Motirô, Salvador

“Avaliar hoje a situação em que podem estar milhares de venezuelanos e venezuelanas vivendo com HIV, é muito dificil. Embora a assistência não se caracterize pela exelência, pelo menos tinha (até ontem) um governo. Hoje não se sabe nada, quem governará ? Será um governo neo-liberal (tipo Milei), será uma marionete de Trump ?…as perspectivas não são boas e dependerão muito das políticas a serem implementadas. Como ativistas brasileiros podemos influenciar ante organismos internacionais, o que duvido muito que tenha muito efeito, dado a importância que Trump da a eles.”
Lucian Ambrós, psicanalista, fundador do Poithividades:

“Enquanto a crise na Venezuela se agrava, pessoas que vivem com HIV seguem invisíveis.. Quando o tratamento falha, não é estatística que sofre. São corpos, rotinas e vidas interrompidas. É alguém que acorda sem saber se terá o remédio no dia seguinte.Diante disso, a pergunta é simples e necessária: onde estão as grandes organizações internacionais?A Organização das Nações Unidas, o UNAIDS e a Organização Mundial da Saúde existem para agir quando o direito à saúde é ameaçado. E agora, o silêncio também machuca. HIV não espera acordos, nem comunicados oficiais.. Cuidar de pessoas não pode ser adiado.Cobrar ação não é ataque. É humanidade.”
Beto Volpe, escritor, palestrante e ativista

“Eu acredito que a primeira coisa a ser apurada é a real situação das pessoas com HIV na Venezuelana. Verificar se a maior demanda é por atendimento, medicamentos, direitos humanos… e assim os organismos internacionais envolvidos na luta contra a aids pressionarem os governos a tomarem uma atitude com relação a esse assunto.”
Redação da Agência de Notícias da Aids
Dicas de entrevista:
Instituto Vida Nova
Instagram: ividanovasp
Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas:
Instagram: mncp_brasil
Javier Angonoa
E-mail: javier@motiroba.org
Lucian Ambrós
Instagram: posithividades
Beto Volpe
E-mail: luiz_volpe@uol.com.br



