22/01/2014 – 19h
Não é unanimidade porque muitos nem ao menos o conhecem, mas o provável futuro ministro da Saúde, Arthur Chioro, é visto como um cara cheio de boas intenções por boa parte das pessoas que atuam na luta contra a aids. Porém, essas mesmas pessoas dizem que ser bem intencionado não é suficiente para ser bom ministro. “Porque lá (em Brasília), o buraco é mais em cima”, diz Beto Volpe, ativista, integrante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, um dos fundadores do grupo Hipupiara.
Atual secretário da Saúde em São Bernardo do Campo, Arthur Chioro recebeu o convite para assumir a pasta nesta terça-feira (21) diretamente da presidenta Dilma Rousseff. Ele deverá assumir em fevereiro, quando o atual ministro, Alexandre Padilha, deixa o cargo para concorrer às eleições – é o candidato do PT para o governo de São Paulo.
Médico com doutorado em saúde coletiva, pesquisador, presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP ), Chioro também já foi secretário de Saúde em São Vicente (litoral de São Paulo), mesma cidade de Beto Volpe, de 1993 a 1996.
“O Chioro é um cara legal, ele implementou medidas que aperfeiçoaram muito os serviços aqui em São Vicente”, disse Beto. “Só não fez mais por causa de problemas estruturais seculares dessa cidade. Mas ter um perfil maravilhoso não basta para ser bom ministro. O Padilha era cheio de boas intenções, tinha um currículo exemplar, mas chegou lá e fez um monte de besteiras, banalizou a aids com essas medidas de botar testes rápidos de HIV em farmácias e transferir o atendimento para a atenção básica. Então, vamos ver se o Chioro tem dignidade de chegar lá e resgatar as prioridades e emergências da epidemia.”
Carlos Duarte, representante do movimento de luta contra aids no Conselho Nacional de Saúde, não conhece o trabalho de Chioro, mas acredita que ele vá seguir a linha do atual ministro. “Pelo jeito, ele vai seguir apoiando a terceirização da saúde pública, que é o que o Padilha vem fazendo.”
Marta McBritton, diretora da ONG Barong, também não sabe muito sobre a atuação do possível futuro ministro mas espera que ele retome todos os projetos de prevenção de DSTs nas escolas. Na mesma linha, Américo Nunes Neto, do Movimento Paulistano de Luta contra Aids (Mopaids) quer que Chioro retome o diálogo com a sociedade civil organizada e faça uma gestão transparente.
Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONG/Aids de São Paulo, disse que está com boas esperanças com a indicação de Chioro. “Temos de esperar ele assumir para fazer uma avaliação melhor, mas aqui em São Paulo, por exemplo, Chioro apoiou muitas questões relacionadas á aids no Cosems-SP.”
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Redação da Agência de Notícias da Aids


