11/01/2007 – 13h30
“Uma das idéias mais inovadoras dos últimos anos”, garante entusiasticamente Marta McBritton, coordenadora do projeto Barong. “A idéia é fantástica, deve ser aprovada e apoiada em todos os sentidos”, pede José Araújo, presidente da AFXB (Centro de Convivência para Crianças e Adolescentes que vivem com HIV/Aids). A “idéia” tão elogiada é a iniciativa conjunta dos ministérios da Saúde e Educação de promover concurso, entre os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) de todo o país, para o desenvolvimento de uma máquina que irá distribuir camisinhas aos estudantes da rede pública de ensino. O projeto vencedor receberá o “Prêmio Inovação Tecnológica em Prevenção de DST, HIV e Aids”, além de R$ 50 mil. Cada Cefet pode inscrever várias equipes, mas todas devem ser compostas por, ao menos, um professor e cinco estudantes. A máquina escolhida deve entrar em operação em 2008. A opinião dos ativistas ouvidos pela Agência de Notícias da Aids está em sintonia quanto ao caráter da proposta (que eles consideram positiva), mas diverge sobre a expectativa de materialização da iniciativa.
Marta McBritton, coordenadora do projeto Barong, acredita na efetiva aplicação da proposta. “Esse [projeto] eu acredito que saia sim. E também acredito que os estudantes vão utilizar a máquina”, avalia. Para a ativista, um dos aspectos mais importantes da medida é o fato de que “o público alvo, que são os jovens, vão estar envolvidos no projeto de pesquisa”. Além disso, McBritton considera que, com a iniciativa, a tendência é que se amplie a discussão sobre o tema, o que já seria “louvável”. “O Xexéo e o Cony estavam debatendo isso de manhã. O Xexéo até deu uma gaguejada [quando indagado sobre a proposta]”, brinca a coordenadora do projeto Barong.
O jornalista Arthur Xexéo e o escritor Carlos Heitor Cony comentam, diariamente, os principais fatos jornalísticos na rádio CBN, com sede na cidade de São Paulo. Nesta quinta-feira (11/01), Xexéo classificou a medida como “pioneira, corajosa e certamente polêmica”. “Nunca tinha pensado nisso, teoricamente é uma medida eficiente. Pode dar certo”, afirmou. O jornalista ressaltou que a Igreja Católica provavelmente será contrária à medida. Cony lembrou que, além de evitar a propagação da Aids, a iniciativa pode auxiliar no combate à “gravidez indesejada”. “Ao invés de botar um refrigerante pra fora, vai botar uma camisinha”, brincou o escritor, sugerindo sobre como seria o funcionamento do futuro equipamento. Para ouvir os comentários na íntegra clique aqui e acesse a coluna intitulada “Cony & Xexéo”.
Para José Araújo, presidente da AFXB (Centro de Convivência para Crianças e Adolescentes que vivem com HIV/Aids), a idéia é “fantástica”, mas “antiga”. “A idéia original era para boates e saunas, mas as próprias empresas [fabricantes de preservativos] não tiveram muito interesse”, esclarece o ativista. “Eu espero que não seja um factóide, que venha a acontecer realmente, mas sou cético”, adianta Araújo. “A idéia é boa demais para que saia do papel”, afirma ironicamente. O ativista recorda que, em 2001, quando fazia parte da Comissão Nacional de Aids, houve uma discussão similar em uma das subcomissões. Na sua avaliação, um dos problemas enfrentados pelos gestores públicos é a descontinuidade dos projetos. “Muda-se muito a equipe do PN [Programa Nacional] e vão-se embora as idéias”, lamenta José Araújo.
Léo Nogueira


