Ativistas elegem os serviços que fazem a diferença no combate à aids na cidade

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23/01/2014 – 19h20

Na semana em que se comemora o aniversário de São Paulo, a Agência de Notícias da Aids perguntou a ativistas e usuários dos serviços oferecidos na cidade quais são os que realmente funcionam, independentemente se são mantidos por governo, ONGs ou parceria entre ambos e a iniciativa privada. Entre os seis que mais apareceram na consulta, dois são totalmente da iniciativa pública, o Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT) e o Serviço e Atendimento Especializado Jardim Mitsutani, que fica na zona sul. Os demais são mantidos por meio de convênios com ONGs.

Confira:

Malhação Vida Nova
Inaugurada há quase sete anos para ajudar pessoas em tratamento de HIV a combater a lipodistrofia, a Malhação Vida Nova fez muito mais que isso. É hoje referência em melhoria da qualidade de vida, agregando aos bons resultados conquistados com suas aulas palestras, atendimento na área de nutrição e oficinas sobre adesão aos medicamentos.

A academia, que fica dentro da ONG Vida Nova, conta também com sessões de fisioterapia para os pacientes com dificuldades motora. As aulas são dadas às segundas, quartas e sextas-feiras, das 9 às 12h30h, com aplicação de exercícios físicos para trabalhar flexibilidade, alongamento, coordenação e força muscular, hidroginástica, aeróbica, pilates. Também são realizadas atividades lúdicas com exercícios de memorização, caminhadas, atividades externas em parques, praia, chácara. A partir do mês que vem, seus alunos vão contar, também, com aulas de dança.

Cada turma de Malhação tem, no máximo, 20 alunos e 450 já se beneficiaram de suas aulas nesses sete anos. Para ser matriculado, o interessado precisa estar em tratamento numa unidade de referência, apresentar laudo médico com resultados dos últimos exames de CD4, carga viral e triglicérides. Na academia, ele responderá a algumas perguntas sobre seu estado de saúde e motivos que o levaram ali.

Serviço
Rua Professor Assis Veloso, 226, São Miguel Paulista
Tels.: (11) 2297-1516 – (11)2031-0291

Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT)

O Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT) é quase unanimidade entre os ativistas que apontaram os serviços que fazem a diferença na cidade de São Paulo. Localizado no número 81 da Rua Santa Cruz, na Vila Mariana, atende cerca de 720 pacientes e distribui 2.800 medicamentos todos os dias, de segunda a sexta-feira. Além dos antirretrovirais, há remédios para doenças oportunistas ou associadas ao HIV.

Um dos serviços do CRT, que faz parte do Programa Estadual de DST/Aids, é dedicado exclusivamente à pesquisa e ao desenvolvimento de vacinas contra o HIV. Há também o Centro de Testagem e Aconselhamento de DSTs (CTA), a clínica odontológica, o pronto atendimento, o ambulatório, os 24 leitos de internação, um hospital dia e setores administrativos . Mas a menina dos olhos dos ativistas é o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais.

Pioneiro no país, criado em 2009, o ambulatório conta com cerca de 1.500 usuários matriculados, é responsável pela elaboração de protocolos clínicos, por desenvolver e avaliar tecnologias e modelos assistenciais, promover atividades integrando movimentos sociais e treinar profissionais de saúde nessa área de atuação. “A orientação sexual e a identidade de gênero são fatores determinantes para a saúde. Queremos ampliar o serviço para outros municípios”, disse a coordenadora do Programa, Maria Clara Gianna, orgulhosa do reconhecimento que o ambulatório já alcançou.

“O CRT é muito bom especialmente no trabalho de prevenção”, disse Lucas Soller, integrante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+ Brasil). “Também se destaca por ter todos os programas funcionando com base no respeito à diversidade.”

Serviço
Rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, São Paulo
Tel.: (11) 5087-9911
Atendimento: segunda a sexta, das 7h às 21h.

Centro de Referência da Diversidade (CRD)
Em 12 de março de 2008, a ONG Grupo Pela Vida/SP inaugurou o Centro de Referência da Diversidade (CRD) para atender o público LGBT (travestis, transexuais, lésbicas, homossexuais, bissexuais), além de pessoas com HIV que moram ou circulam pelo centro da cidade e estejam em risco de vulnerabilidade social. Parceria entre poder público e sociedade civil, financiado pela prefeitura e pela União Europeia, o centro, inédito no Brasil e na América Latina, veio ocupar uma lacuna nas políticas públicas de proteção social.

O CRD conta com serviços como atendimento psicossocial, aconselhamento jurídico, cursos de cabeleireiro, maquiagem, DJ, oficinas de cosméticos. de artesanato, aulas de ioga, dança. Também realiza testagens rápidas de HIV/aids em parceria com o Programa Municipal de DST/Aids, entre outros.
Um dos projetos mais elogiados ali é o trabalho de campo com as travestis profissionais do sexo. “Levamos até elas camisinha, gel e folders informativos”, conta o assistente técnico do centro, Paulo Rogério da Silva. “Também ouvimos o que elas têm para contar e respondemos às suas dúvidas. Além de fazer o trabalho de prevenção, nosso objetivo é dar informações que contribuam para a garantia do acesso aos direitos e à proteção social.”

Serviço
Rua Major Sertório, 292/294, Vila Buarque
Tels: (11) 3151-5786 e (11) 3151-5783
Atendimento: segunda a sexta, das 13 às 22h

Grupo de Incentivo à Vida (GIV)
O Grupo de Incentivo á Vida (GIV) é uma referência para as pessoas que se descobrem soropositivas na cidade. É para a sede da instituição que elas podem correr em busca de acolhimento, apoio, orientação. E é especialmente pela boa acolhida que dá a quem acaba de receber o diagnóstico que o GIV é citado como exemplo de serviço em São Paulo. “Temos dois trabalhos de acolhimento”, conta o presidente da instituição, Cláudio Pereira. “Um para a população em geral, que sempre existiu, e outro específico para jovens gays, que é uma derivação de nossos projetos com jovens .”

Cláudio conta que o grupo de acolhimento a jovens gays que se descobrem soropositivos começou há cerca de quatro anos. “Foi uma demanda que surgiu como reflexo do que acontece na cidade, com o aumento das infecções entre essa população.”

Ao chegar no grupo, a pessoa é acolhida por voluntários do GIV e recebem, além de apoio, toda a orientação de que precisa para seguir em frente. “Nossa missão é propiciar qualidade de vida, tanto no âmbito social como da saúde física e mental, a toda pessoa vivendo com HIV/aids”, diz o presidente do GIV.
O grupo de apoio para jovens gays tem reuniões aos sábados, por volta de 14 horas. Mas é bom ligar antes para confirmar porque, dependendo do entendimento entre os frequentadores, a agenda pode mudar. O grupo para a população em geral tem encontros às segundas e quartas, às 19h45.

Serviço
Rua Capitão Cavalcante, 145, Vila Mariana,
Tel.: (11) 5084-0255
Atendimento: segunda a sexta, das 14h às 22h


SAE Mitsutani


Único Serviço de Atenção Especializada (SAE) lembrado pelos ativistas que apontaram o que faz a diferença em São Paulo, a unidade localizada no Jardim Mitsutani, na zona sul, realiza 200 atendimentos ao dia. “Ele tem uma demanda imensa e, mesmo assim, consegue prestar um atendimento ótimo porque conta com uma equipe muito legal”, diz José Araújo Lima Fillho, presidente do Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (Epah).

Além de acolhimento, coleta de exames, consultas médicas, odontológicas, de pisquiatria, psicologia e serviço social, o SAE Jardim Mitsutani desenvolve trabalhos preventivos e educativos, dentro e fora da unidade, buscando se integrar com a comunidade, as ONGs e as empresas da região.

O bom atendimento transformou o serviço em referência em DST/aids para as unidades de saúde das áreas das subprefeituras de Campo Limpo e M’Boi Mirim. Outra prova de reconhecimento vem do prêmio Qualidade nas Ações de Tuberculose, concedido pela Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) do município em 2003, 2006 e 2008 pela elevada taxa de cura de tuberculose – O SAE faz acompanhamento supervisionado de pacientes com a doença.

Ainda entre os projetos de grande sucesso, o Plantão Jovem faz um trabalho de prevenção de DST/aids, gravidez precoce e combate ao uso de drogas por meio de peças de teatro. Um outro grupo trabalha com gestantes HIV positivas para redução da transmissão materno infantil. “Esse SAE é a prova de que, com boa vontade, é possível driblar as dificuldades, que são muitas, e prestar bom atendimento”, diz Araújo.

Serviço
End.: Rua Vitorio Emanuelle Rossi, 97, Jardim Bom Refúgio
Tel.: 5841-9020
Atendimento: segunda a sexta, das 7h às 19h.

Quero Fazer
Inaugurado na cidade em 2011, o projeto Quero Fazer transformou um trailer em posto de serviço capacitado para fazer testes rápidos de HIV e dar informações sobre a doença. Seu grande mérito é ir onde as populações vulneráveis estão. Com foco em gays, homens que fazem sexo com homens (HSH) e transexuais, em São Paulo, todo domingo, o trailer fica estacionado no Largo do Arouche, das 16 às 20 h — exceto quando a Guarda Municipal proíbe, o que, na verdade, aconteceu uma vez, no dia 12 de janeiro deste ano.

Coordenado pela ONG Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (Epah), o Quero Fazer até novembro de 2013, havia realizado 4.506 testes no Arouche, com prevalência de resultados positivos em torno de 5,1%. Seu formato é visto como modelo a ser seguido por muitos gestores. “Aprendemos muito com o Quero Fazer. É uma iniciativa com potencial muito alto para diagnosticar. Aprendemos que concentrar a testagem é altamente eficiente”, disse Eliana Gutierrez, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, num evento do projeto, em novembro de 2013.

O Quero Fazer funciona em outros quatro capitais – Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife e Brasília. Até o fim do ano passado havia realizado 23.038 encontrando uma prevalência média de 4% de pessoas infectadas com o HIV.

Serviço
Atendimento: domingo, das 16 às 20 h
Endereço: Largo do Arouche

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