Ativistas dizem o que esperam que seus eleitos façam para barrar o crescimento da aids

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04/10/2014 – 12h50

Neste domingo (5) acontece o primeiro turno das eleições 2014. Mais de 140 milhões de eleitores escolhem seus representantes na presidência, nos governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas, num cenário em que 718 mil pessoas vivem com HIV e pelo menos 150 mil destas não sabem que têm o vírus.

Por tudo isso e muito mais, o movimento de combate à aids tem reivindicações, demandas e sonhos específicos. O aumento do número de novas infecções em 11% nos últimos anos, segundo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), divulgado em julho, deixa os ativistas ainda mais alertas. Some-se ao cenário as 12 mil mortes em decorrência da doença que ainda acontecem por ano.

O que os ativistas podem esperar dos políticos que elegerão para mudar esse quadro?
Fizemos a eles essa pergunta. Veja as respostas:

Jucimara Moraes, secretária nacional do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas e integrante do Grupo Pela Vidda Rio de Janeiro: “No documento político que nós, do Movimento das Cidadãs Posithivas, divulgamos recentemente estão todas as nossas reivindicações. Espero que os políticos as tirem do papel e as implementem no sistema público de saúde. Espero que adotem a gratuidade nos transportes públicos para pacientes com HIV no Rio e outros estados que ainda não adotaram.”

Jorge Beloqui, do Grupo de Incentivo à Vida (GIV): “Eu quero que prestem atenção nas taxas de aids que estão aumentando. Elas estão maiores agora, entre homens, do que estavam em 1996. Estou falando de aids, não de registro de infecção por HIV. Isso significa que o diagnóstico está sendo feito tardiamente e é preciso atenção para isso. Quero que os eleitos façam gestão laica em estado laico. Porque, se continuarem influenciados pelos religiosos moralistas, como vem acontecendo, as populações- chave (homens que fazem sexo com homens, transgêneros, profissionais do sexo e populações privadas de liberdade) nunca terão a atenção que precisam, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em vez disso, a aids continuará aumentando.”

José Araújo Lima, presidente do Espaço de Atenção Humanizada (Epah): “E espero que os meu candidatos façam parte de uma frente contra o conservadorismo, responsável pelo aumento da epidemia da aids, nas campanhas de combate à doença.”

Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp): “Primeiramente, espero que eles reconheçam que a aids continua sendo um problema de saúde pública. Que eles entendam a necessidade de focalizar a prevenção nas populações mais vulneráveis e não cedam às pressões de bancadas fundamentalistas.”

Andrea Paula Ferrara, coordenadora do projeto Viver Jovem, do Grupo de incentivo à Vida (GIV): “Espero que a nova (ou novo) presidente não se renda à pressão das bancadas fundamentalistas. Que mantenha a laicidade do Estado e a defesa dos direitos já conquistados para que não ocorram interferências nas políticas voltadas às populações mais atingidas pelo HV/aids.”

Vando Oliveira, coordenador da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV (RNP+) CEARÁ e da Articulação Nacional de Luta Contra a Aids (Anaids/Nordeste): “Espero que eleitos lembrem que não basta a oferta gratuita de antiretrovirais. É preciso a oferta ampla e contínua de medicamentos para doenças oportunistas, garantia de alimentação, pois é inadmissível que se sofra com a fome, como se não bastasse a doença. O passe livre municipal e intermunicipal é outra necessidade urgente das pessoas que vivem com HIV /aids (PVHA), a fim de garantir a adesão e o acesso ao tratamento. Espero que o governador e o presidente garantam recursos para os programas de aids. É que os candidatos incluam a aids nos planos de criação de comissões parlamentares (da saúde e da seguridade social), o que garantiria maior visibilidade às PVHA e maior possibilidade de os benefícios pautados pelas comissões chegarem a estas pessoas e, também, aos coinfectados com tuberculose e outras doenças.”

Diego Callisto, da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, do Fórum Consultivo de Juventude do Unaids e do Pacto Global para o Pós-2015: “Espero que meus candidatos tenham um compromisso concreto com as saúde, sobretudo com a aids. Que dirijam um olhar especial para as ações de prevenção e a garantia da qualidade no atendimento nos serviços de saúde especializados. Acredito que é preciso garantir tratamento digno por parte dos profissionais com foco na humanização do serviço. Os recursos para aids precisam também fomentar as pesquisas, envolvendo novas tecnologias, terapias e estudos coordenados de cura, para garantir que as PVHA tenham mais qualidade de vida.”

Murilo Duarte, do Grupo Pela Vidda SP: “Eu gostaria que fosse feito um trabalho muito forte e claro para informar tudo sobre prevenção, contaminação e tratamentos para o HIV/AIDS principalmente com os jovens dos 13 anos + ou- em diante, nas escolas e com reuniões com pais e responsáveis. E politicas publicas e com leis que assegurem as minorias juridicamente contra o preconceito e assim garantir o atendimento para essas pessoas sem sofrerem discriminação.”

Kim Ferreira, agente de Prevenção Pela Vidda SP:  "Que pelo menos os candidatos continuem os programas que já foram iniciados, não sucateando os tratamentos, nem negligenciando a reposição de antirretrovirais. nem desativando locais de tratamento. Espero que haja mais pesquisas nesse sentido, para que possamos ter esperança de surgir a cura. Que tenha investimentos pesados para que possamos ficar tranquilos enquanto nos tratamos."

O que você precisa saber para votar:
1 – O voto é obrigatório no Brasil e quem não puder comparecer à urna deve justificar a ausência à Justiça Eleitoral. O eleitor pode procurar qualquer seção eleitoral na cidade em que estiver para preencher o requerimento de justificativa. É preciso levar documento de identificação com foto. Se a justificativa não for feita no dia da votação, o eleitor tem um prazo de 60 dias para fazer pessoalmente em qualquer cartório eleitoral. Neste caso, também é preciso apresentar documento que comprove o motivo da ausência. O requerimento pode ser enviado ainda pelo correio para o juiz da zona eleitoral do eleitor. A ausência de justificativa pode ser punida com multa.
2 –– Smartphones, tablets, câmeras digitais e aparelhos de MP3 não podem ser levados para a cabine de votação, devendo ficar com os mesários.
3 — A lei que estabelece as normas das eleições autoriza o eleitor a se manifestar de maneira individual e silenciosa. Ou seja, com broches, símbolos do partido ou candidato, adesivos ou bandeiras. Não é permitido, porém, distribuir material de campanha. E, também, as caminhadas, carreatas, passeatas e até carros de som divulgando mensagens e jingles de candidatos.
4– Na hora de votar, a ordem em que os candidatos aparecerão no painel da urna eletrônica é a seguinte:

Deputado estadual ou distrital (cinco dígitos)

Deputado federal (quatro dígitos)

Senador (três dígitos) – as fotos dos suplentes também aparecem na tela

Governador (dois dígitos) – a foto do vice também aparece na tela

Presidente (dois dígitos) – a foto do vice também aparece na tela

5 — É permitido levar uma cola. Escreva seus votos num papel e copie-os. Fica mais fácil .

Fatima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

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