Ativistas destacam avanços na luta contra a aids em 2024, com maior participação social, mas reforçam que desafios na busca por equidade e inclusão permanecem

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O ano de 2024 foi marcado por avanços significativos na luta contra o HIV/aids, mas também expôs desafios importantes que demandam atenção para os próximos anos. Ativistas e especialistas celebraram conquistas no Brasil, como a ampliação do acesso ao tratamento antirretroviral, a redução da mortalidade por aids, o fortalecimento de estratégias de prevenção e educação comunitária, além do aumento da participação social nas políticas públicas.  

No entanto, mesmo com esses progressos, segundo eles, questões fundamentais ainda permanecem. Entre elas, destacam-se a necessidade de maior investimento em pesquisa, a melhoria na comunicação sobre o tema e a implementação de respostas mais efetivas aos determinantes sociais do HIV/aids.  

O estigma contra as pessoas vivendo com HIV, as desigualdades sociais e a dificuldade de acesso ao tratamento em áreas vulneráveis continuam sendo barreiras críticas no Brasil. Para os ativistas, é indispensável que haja maior compromisso, investimentos sólidos e ações integradas baseadas na equidade e solidariedade para garantir que nenhuma pessoa seja deixada para trás.  Confira os depoimentos a seguir:

Nair Brito, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas: “Os principais avanços de 2024, assim como já acontecia desde 2023, estão na tecnologia dos medicamentos. Tanto em relação à potência quanto ao número de comprimidos. Ou seja, agora temos medicamentos mais poderosos, mais eficientes e concentrados em um único comprimido, o que facilita muito a adesão ao tratamento. Além disso, esses medicamentos apresentam poucos efeitos colaterais, o que é muito bom. Acredito que esses foram os principais avanços deste ano. E o mais importante é que, com isso, conseguimos uma maior adesão e uma redução no número de mortes por aids. Outro ponto positivo é que estamos vivos e podemos continuar lutando para garantir que mais pessoas tenham acesso ao tratamento e ao diagnóstico, para que possamos controlar a infecção e diminuir o sofrimento das pessoas.”

Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo: “Nos pontos altos de 2024, eu destacaria que nós estamos começando a discutir e avançar na questão dos determinantes sociais para o enfrentamento da aids. É uma pauta antiga do movimento social e já começou a implementação dessas discussões, e agora falta a implementação, realmente, de fato, políticas para a gente poder avançar na resposta. A incorporação e a discussão de medicamentos de longa duração é um desafio ainda, apesar da pressão do movimento social em relação a isso, a implementação também dessas políticas na questão dos determinantes sociais e ainda a questão especificamente deste ano do orçamento, que foi muito baixo em perspectiva dos anos anteriores.”

Silvia Almeida, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas: “Eu penso que 2024 ainda está sendo um ano de análise. Análise de como está o nosso país depois de quatro anos de um governo que foi muito limitante e muito radical, sem olhar para a sociedade, sem olhar para a população mais carente. Então, eu penso que este ano ainda foi um ano de análises, de propor projetos. Começaram a aparecer algumas luzes no final do túnel. Então, acredito que foi um avanço. A gente está com um governo agora mais democrático, que permite à sociedade civil mais participação. Isso foi um grande ganho. Apesar de ainda ser um ano de análise, eu acho que a gente avançou bastante no sentido de participação social.”

Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil: “O Brasil precisa superar de vez o passado, quando ficou conhecido por ter um dos melhores programas de combate ao HIV/aids no mundo, e dar respostas concretas a demandas urgentes não só das pessoas que vivem com HIV/aids, mas da sociedade como um todo, no que diz respeito ao enfrentamento da epidemia. A lista de antirretrovirais disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, está obsoleta. Há anos não são incluídos novos medicamentos na lista. Existem drogas modernas que não estão acessíveis para quem faz tratamento de HIV – e estamos falando de quase 1 milhão de pessoas. Foi o tratamento que permitiu ao país atingir a menor taxa de mortalidade em uma década. Mas, ainda assim, 10 mil pessoas morrem por ano em decorrência do HIV/aids. Isso não pode ser normalizado. Ainda vivemos os efeitos da pandemia de covid-19, quando houve represamento de diagnóstico e redução drástica nas campanhas informativas. Isso explica, em parte, o aumento de novas infecções pelo HIV e de casos de aids nos últimos anos. Em 2023, foram 46 mil e 38 mil, respectivamente. Isso é inadmissível para uma doença prevenível, em um país que tem tratamento universal e gratuito. Por isso sempre batemos na tecla: prevenir e testar sempre; se der positivo, tem tratamento. Tornar as pessoas indetectáveis não significa a cura, mas é uma obsessão para nós, que trabalhamos há tantos anos no enfrentamento desta epidemia, pois é uma poderosa arma contra o HIV. Precisamos retomar as campanhas com foco nas populações mais vulneráveis: mulheres, pretos, jovens, homens gays, trans e trabalhadores sexuais. Devemos falar sem pudor sobre testagem, de PrEP, de camisinha, de prevenção combinada, de PEP, de vacinação de adultos, de outras IST. O governo federal, o poder Executivo, já é refém do Congresso Nacional em muitos temas, sobretudo na política e na economia, mas não pode ser na saúde pública, pois isso diz respeito a todos nós, sejamos homens ou mulheres, cis ou trans, brancos ou pretos, indígenas ou amarelos, deste ou daquele espectro político. A dois anos da próxima eleição de presidente, deputados e senadores, a sociedade brasileira, e aqui eu falo sob a ótica de um ativista que luta há 40 anos pelos direitos humanos e pela saúde pública, precisa tomar para si o desafio de enfrentar o HIV/aids. Porque esta é uma questão que diz respeito a todos nós, não apenas às pessoas que vivem com o vírus. O país também precisa avançar no combate ao estigma. Ainda são comuns os casos de pessoas que chegam aos serviços de saúde com aids avançada, por medo de perder o emprego, os amigos, a família. É fundamental que o tema seja debatido em todos os espaços – nas escolas, em casa, nos clubes, nas igrejas, por que não? O HIV/aids precisa estar no centro do debate político, sobretudo num momento em que se discutem cortes de gastos que fatalmente terão impacto no financiamento da saúde pública.”

Dan Mercês, ativista pela Rede de Jovens Vivendo com HIV/aids: “Particularmente, os pontos altos deste ano de 2024 foi ter feito parte do podcast Preto Positivo e ter tido minha mudança para o Rio de Janeiro, ver um cenário totalmente diferente em questão sobre a minha vivência de pessoa vivendo com HIV e ter um recorte diferente. E através do podcast Preto Positivo eu tenho acesso a outras pessoas que vivem essas camadas totalmente diferentes da minha realidade. Além disso, ter sido entrevistada pela Agência Aids. Coletivamente, eu percebo que aqui na região onde eu moro, em Paraty, pouco se é criado políticas públicas e pouco se é falado sobre educação sexual, sobre prevenção e sobre autocuidado. Eu acho que eu criei por um momento um gás na minha mente, que eu deveria estar atuando nessa parte, só que no meio do caminho essa energia foi se acabando, então na minha opinião isso ficou como um desafio.”

João Geraldo Netto, influenciador digital e fundador do Instituto Multiverso: “Um dos pontos altos para o Brasil foi o enfrentamento da tuberculose, que ganhou muito destaque nas políticas públicas. A gente começou a olhar mais para a tuberculose, dar a atenção que ela merece e entender a importância dessa coinfecção para as pessoas que vivem com HIV, além do risco que ela representa. Foi muito bom ver esse fortalecimento, porque antes a tuberculose era bem deixada de lado. Outro ponto positivo foi a conferência de aids em Munique. E com isso a gente lembra tudo o que sempre trás uma conferência de aids como aquela. As descobertas científicas, o compartilhamento dos estudos científicos que falaram do Lenacapavir, que foi algo muito bacana, apesar de não ser algo inovador, porque se a gente parar para pensar, medicamentos injetáveis de longa duração já existem desde o Cabotegravir. Porém, o Lenacapavir traz um tempo muito mais longo. Então, isso foi muito inspirador. Também teve um diferencial muito importante: a atenção à prevenção em mulheres, algo que geralmente não recebe tanto foco nos estudos. Isso eu acho que foi muito bacana. E, além disso, a adoção da pílula única de dose combinada com Dolutegravir e Lamivudina. Isso também é um avanço muito grande, quando a gente pensa que os medicamentos antirretrovirais de uso para a vida toda, então quanto menos medicamentos a pessoa precisar tomar, melhor. Ainda assim, acho que a implementação da pílula única está avançando devagar. Seria bom acelerar o processo de compra e distribuição, mas entendo que existem limitações técnicas. O que não pode acontecer é ficarmos acomodados, achando que o ritmo atual está bom o suficiente. No geral, considero o fortalecimento do combate à tuberculose e a adoção da pílula única como os dois principais avanços para o Brasil. 

No meio do caminho, considero que o que ficou como desafio foi a comunicação. Eu acho que a comunicação do governo ainda é um problema, ela não é uma coisa que está boa ainda, apesar de a gente ter campanha, ter tido campanha de HIV em 2024, ainda é uma campanha ruim. Ruim eu digo assim, é uma campanha que faltou mais corpo. Ninguém viu essa campanha na televisão, já que ela é voltada para a televisão. Ninguém viu. Isso ainda ficou patinando. Outra coisa, mais foco no HIV, porque enquanto positivamente a gente teve muito foco na tuberculose, a gente teve pouquíssimo foco no HIV, não se ouviu falar sobre grandes mudanças, se não, a adoção da pílula de dose fixa combinada e a atualização de PCDT. E isso não é uma grande coisa. Então, não acho que mudou a vida das pessoas só por isso. A gente precisa melhorar, continuar melhorando e trazer o Brasil de novo para o centro da luta contra o HIV. Outra coisa que eu acho desafio no meio do caminho foi o orçamento. O orçamento público continua sendo muito restrito e, apesar da saúde ter um dos maiores orçamentos da Esplanada, ainda é um orçamento que é muito atacado, principalmente com esse uso desonesto de emendas parlamentares, roubo das emendas parlamentares, do orçamento secreto, que agora não é mais orçamento secreto, mas das emendas. A computação do dinheiro, da saúde, da educação, do governo federal, para poder sustentar essas emendas parlamentares, isso acaba tirando força do executivo, e a saúde tá ali no executivo. Então, isso foi um grande desafio e eu acho que ainda vai continuar.

Adriana Galvão, presidente da ONG Projeto Criança Aids: “O ano de 2024 está sendo um ano de conquistas! Cada vez mais municípios certificados e recertificados com a eliminação da transmissão vertical, terapia antirretroviral com 1 só comprimido, máquina de autoatendimento na entrega de PrEP, PEP  e auto teste de HIV, recorde de pessoas em uso de PrEP no estado de São Paulo… Sim!!! Inúmeras conquistas para serem comemoradas, mas vamos falar nos números de infecção pelo HIV em nosso público jovem, vamos falar também nas infecções das mulheres puérperas! Falta informação? Faltam insumos? Faltam recursos? O que falta para que consigamos diminuir esses números crescentes? HIV/aids é uma questão social, e precisava ser tratada como tal. Precisamos fazer com que as informações cheguem até a ponta, em toda população. HIV e aids  não é assunto só para Dezembro Vermelho ou Carnaval, é tema pra todos os dias. Informação é poder e temos que falar desse assunto para todos, todas e todes. Não existe grupo de risco. Somos todos vulneráveis. É necessário investir em informações de qualidade, sem preconceitos, sem tabu, com clareza e transparência. Que 2025 seja um ano de mais informação e menos preconceitos. Precisamos romper as bolhas e parar de falar de “nós para nós”. Vamos ultrapassar os muros e desmistificar os estigmas e que 2025 tenhamos muito mais a comemorar.”

José Roberto Pereira – Betinho, presidente da ONG Projeto Bem me Quer: Eu acredito que o ano de 2024 foi um ano bastante significativo, tanto do ponto de vista da redução de casos [de HIV] como do ponto de vista de redução de mortes[por aids]. Isso no mundo inteiro. A gente sabe que os desafios são importantes, mas a conferência de aids trouxe bastantes novidades, inclusive o Lenacapavir, que é um medicamento bastante eficaz na prevenção do HIV e se toma uma vez a cada seis meses.

Um desafio extremamente importante é conseguir com que esse medicamento seja barateado pra que o Brasil seja incluído nos países que vão transferir tecnologia. Isso é um problema muito grande porque o Brasil não tem condições de pagar quarenta mil dólares no tratamento anual para a quantidade de pessoas que são mais vulnerabilizadas pelo HIV. Isso acho que é um avanço bastante importante. Dentro do Brasil, também houve uma redução importante do número de casos, número de óbitos. Eu faço um apontamento pra cidade de São Paulo. A gente teve 55% de queda nesses últimos sete anos nos novos casos na cidade de São Paulo, e também tivemos uma queda de 45% no número de mortes. Este é um número muito importante porque o município de São Paulo conseguiu, de forma eficiente e envolvida programaticamente, instalar e distribuir a PrEP ou a PEP em lugares que antes não tinham acesso, como estações de metrô, máquinas de autoatendimento e nas unidades básicas de saúde. Em inúmeros lugares, o município conseguiu instalar e divulgar de forma importante a PEP e a PrEP, mas os desafios continuam grandes.

O Brasil tem 1 milhão e cem mil casos de HIV já contabilizados, e aí a gente sabe que tem cerca de 500 mil em tratamento, mas desses, oito por cento não conseguem ter adesão ao tratamento, não estão fazendo os medicamentos. Em porcentagem parece pequeno, mas a gente considera inúmeros casos: são mais de noventa mil pessoas que não fazem tratamento antirretroviral. A gente sabe que está chegando perto das metas, mas a gente não pode falar em números, tem que falar em pessoas. Quase cem mil pessoas sem tratamento, sem fazer o tratamento, mesmo diagnosticadas, é um número muito alto. Tem que considerar também que são oito por cento das pessoas que não fazem, mais dezesseis por cento param o tratamento no meio do processo, sem alcançar carga viral indetectável. E aí o número fica muito maior. Outro desafio extremamente importante é a população trans. Elas têm acesso ao antirretroviral, mas os desafios sociais, estruturais, a violência que sofrem, a situação de altíssima vulnerabilidade faz com que apenas quinze por cento das mulheres trans consigam fazer uma adesão adequada ao antirretroviral. E a gente vê que os números de aids diminuíram, os números de óbitos diminuíram, mas a gente continua há dez anos em patamares extremamente elevados. Continua sendo por volta de quarenta mil novos casos por ano e cerca de onze mil mortes, dez mil e novecentas mortes. Essas mortes, tanto no Brasil quanto no estado ou município, hoje são consideradas mortes evitáveis, porque tem medicamento disponível. É muita gente ainda morrendo de aids no Brasil. A gente superou a COVID e não consegue superar o HIV. Então tem que ter algum mecanismo, algum meio, alguma ação estratégica de impacto que faça com que essas pessoas façam o tratamento adequado. Não adianta fazer campanha de prevenção ou de adesão somente no período do Dezembro Vermelho. Isso é uma necessidade anual. É muita gente morrendo ainda no Brasil, e eu considero mortes evitáveis. Também considero que essas mortes são por causa da vulnerabilidade social que essas pessoas enfrentam. A gente sabe que no município de São Paulo morreram bem menos pessoas nesses tempos pra cá. Acho que foram quatrocentas e sessenta mortes em dois mil e vinte e três, mas os pretos têm três vezes mais chances de ir a óbito do que os brancos.

A gente está falando de vulnerabilidade social extremamente importante. Quem está morrendo de aids são as pessoas que vivem em favelas, periferias, que sofrem violência doméstica, desemprego, total abandono dos equipamentos de saúde e assistência social, pessoas que sofrem com o tráfico de drogas, preconceito e discriminação. É um problema extremamente importante. Por que preto morre mais do que branco se os dois têm acesso ao mesmo medicamento? O que está sendo avaliado, estudado, pensado em estratégia para que essa população consiga ter acesso? Eu considero mortes por aids hoje no Brasil como mortes evitáveis.

Jenice Pizão, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas: “O fato de ter ocorrido o aumento nos diagnósticos devido a PrEP, é um dado positivo pois estimula o diagnóstico precoce e maiores possibilidades para viver bem com HIV e aids, acessar o serviço de saúde, fazer o tratamento, iniciar a terapia antirretroviral e tocar a vida. A entrada do medicamento DOVATO facilitou a vida de muitas pessoas vivendo com HIV/aids que já utilizam tantos outros medicamentos. O aumento  dos municípios que eliminaram ou reduziram a transmissão vertical do HIV, considero um ganho muito interessante.”

Américo Nunes, presidente do Instituto Vida Nova: “O ano de 2024 trouxe avanços importantes nas políticas públicas de HIV/aids no Brasil. O Ministério da Saúde lançou diretrizes para eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030, com sete estratégias e 29 metas a serem alcançadas até 2027. Entre as principais metas estão ampliar em 142% o uso da PrEP, reduzir em 50% a taxa de novas infecções, distribuir dois bilhões de preservativos e 280 milhões de géis lubrificantes, além de promover educação em saúde sexual para populações vulneráveis. Em 2023, o país superou a meta da ONU ao diagnosticar 96% das pessoas com HIV e atingir 95% de adesão ao tratamento com supressão viral. Na cidade de São Paulo, as políticas foram orientadas por metas do Programa Estadual de IST/Aids, priorizando a prevenção, a ampliação do acesso a testes rápidos, a distribuição de preservativos e o uso de tecnologias como teleconsulta e dispensação de PrEP em máquinas de estações de metrô. Houve avanços como a redução das taxas de infecção e a meta de 95% de adesão ao tratamento com carga viral indetectável. A sociedade civil teve papel ativo em mobilizações, lideradas pelo Foaesp e pelo Mopaids, com ações como a participação no Dia Mundial de Luta contra a Aids. Destaques incluem a aprovação do Projeto de Lei 1905/2017 na Assembleia Legislativa de São Paulo, que institui políticas de prevenção para jovens, e o 1º Encontro de Coletivos e ONGs, realizado em dezembro, promovendo trocas de experiências. Apesar dos avanços, desafios para 2025 incluem o enfrentamento ao estigma, a ampliação do conceito I=0 (indetectável=zero) e a incorporação de novas drogas como o Lenacapavir.”

Evalcilene dos Santos, Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas: “O ponto alto, em 2024, foi o retorno do diálogo com a sociedade civil, através da CAMES e CNAIDS. Foi super importante o retorno dessas conversas, desses diálogos, porque os estados precisam estar presentes com suas representações, levando as demandas das regiões que muitas das vezes estão mais afetadas com problemas climáticos, com falta de algo das políticas públicas de HIV/aids. E foi muito importante esse momento. O que ficou a desejar ainda, por exemplo, as questões para nós mulheres, cadê o preservativo de borracha nitrílica? A gente precisa ainda ter esse insumo de prevenção. Apesar de ter a PrEP e a PEP, nós também precisamos de preservativos que alguém possa usar. Alguém ainda usa. Tem gente que ainda usa. E não dá para estar usando preservativo interno de látex. Nós mulheres temos que ser mais respeitadas. As políticas públicas, a feminização da aids ainda está aí e nós precisamos ter mais apoio de prevenção para as mulheres, editais de projetos também voltados para o cuidado e apoio de movimentos também de mulheres. Nós também temos movimentos de mulheres que trabalham a prevenção, o cuidado, a adesão ao tratamento e toda a política de HIV/aids também, e muitas coisas são deixadas de lado na questão do cuidado da mulher. Precisamos estar também, o governo federal, estadual, dos municípios do Brasil, eles precisam estar também dialogando com a sociedade civil. E o departamento nacional tem que estar nos estados, tem que estar nas regiões dos estados para falar também com as coordenações dos estados juntamente com a sociedade civil. É preciso vir ao local, in loco, para ver a realidade. O departamento não tem que só chamar também para ir lá em Brasília falar não sei o que. Tem que vir conhecer a realidade dos estados, chamar a sociedade civil para um diálogo, para uma conversa juntamente com os coordenadores, juntamente com os conselhos de saúde, para ver a realidade mesmo dos estados. É importante ver isso.”

Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

Evalcilene dos Santos

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