ATIVISTAS DEFENDEM INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA E MELHOR GESTÃO EM LICITAÇÃO PARA EVITAR CRISES EM ABASTECIMENTO DE REMÉDIOS

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

9/12/2006 – 19h30

“Temos que cobrar o governo sobre essas compras emergenciais da gamoglobulina (também conhecida como imunoglobulina humana 5g). Está na hora de reagirmos e nos reinvertamos mais para renovar o movimento social”, disse Beth Franco do GIV – Grupo de Incentivo à Vida – durante reunião do Fórum de ONG/Aids de SP desta última semana. A fala da ativista se refere ao medicamento usado para o tratamento de crianças soropositivas. O Ministério da Saúde adquiriu, nesta quarta-feira (5), 36 mil frascos de imunoglobulina, um estoque de caráter emergencial, que garante atendimento até o final do 1º bimestre de 2007. Ativistas consultados pela reportagem defendem planejamento do governo para crises e mais investimentos em pesquisas e tecnologia de desenvolvimento de remédios.

A imnunoglobulina humana 5g deve chegar ao Brasil ainda neste mês para encaminhamento às secretarias de saúde e distribuição nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Três empresas representando laboratórios farmacêuticos internacionais participaram do pregão, realizado em Brasília, em que venceu a distribuidora Octapharma.

36 MIL FRASCOS DE IMUNOGLOBULINA DEVEM CHEGAR AO BRASIL ATÉ O FINAL DE DEZEMBRO

“Houve uma série de fatores para a falta desse medicamento, já que o único fornecedor era praticamente os EUA. A culpa não deve ser somente no governo brasileiro, mas acho que deveria existir um plano maior de pesquisa para não sermos tão dependentes internacionalemente de remédios e insumos”, comenta José Carlos Veloso, presidente do GAPA-SP.

O Ministério informou que, além desta ação emergencial em adquirir o maior quantitativo possível de imunoglobulina 5g, inclusive com a intermediação da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), tomou outras duas medidas a médio e longo prazos, respectivamente:

”· Contratação de empresa estrangeira com certificada capacidade tecnológica para fracionar/beneficiar o plasma brasileiro, cujo contrato de um ano poderá ser prorrogado por mais quatro anos.;

· Construção da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), com capacidade tecnológica para a fabricação de hemoderivados: Albumina, Imunoglobulina Humana Normal Intravenosa, Concentrado de Fator VIII e Concentrado de Fator IX. A indústria contará com tecnologia de ponta para a garantia de qualidade, segurança e eficácia na produção. O edital para transferência de tecnologia foi publicado no início deste mês e as propostas serão abertas dia 3 do próximo mês.”

O presidente do GIV (Grupo de Incentivo à Vida), Cláudio Soares, defende também outra medida. “Mesmo que não tenham ocorrido muitos problemas, alguém ficou sem receber o medicamento. Acho necessário um trabalho maior de gestão em aquisição e licitação para evitar problemas”, afirma.

A idéia é endossada pela presidente do Fórum de ONG/Aids do Espírito Santos, Hélia Mara. “Isso foi uma medida para apagar incêndio. Por que só fizeram isso agora, depois de tanta pressão do movimento social? Uma situação dessas dificulta ainda mais a adesão de medicamentos, nós que trabalhamos na ponta, perdemos um ano quando um assistido entra em depressão, que pode ser ocasionada com essas notícias desestimulantes”, diz.

Na nota técnica divulgada nesta semana, o Ministério alerta para que ainda se faça o uso racional dos frascos até o problema ser resolvido em 2007.

Rodrigo Vasconcellos

Apoios