ATIVISTAS CULPAM FALTA DE INFORMAÇÃO COMO UM DOS PRINCIPAIS FATORES DE SÍFILIS CONGÊNITA E HIV EM MULHERES

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19/3/2007 – 18h30

Na semana passada, durante o III Seminário Destaque Mulher, a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Maria Clara Gianna, avaliou que o governo federal não conseguirá eliminar a sífilis congênita (quando a moléstia é transmitida ao bebê) até 2008, como prevê o “Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização de Aids e outras DSTs”. Segundo ela, o motivo principal é que os casos “não têm um registro adequado”, ou seja, existe subnotificação. Três ativistas foram consultadas pela reportagem e afirmaram que o problema é a falta de informação das mulheres sobre DSTs. Nesta semana, a revista Veja destacou que desde 1996, o número de brasileiras infectadas pelo HIV cresceu 44 %.

“A sociedade falha ao não cobrar ações de gestores de saúde. Devemos nos perguntar onde estão as campanhas e se elas realmente atingem o público alvo [as mulheres]. Se há realmente subnotificação de DST, os profissionais de ponta não estão sensibilizados. A responsabilidade é do Estado enquanto promotor de saúde. Mesmo assim, devemos lembrar da iniciativa privada, nem sempre médicos de convênios têm a mesma capacitação que a rede pública e isso também pode contribuir com falta de informação e notificação”, diz a ativista membro do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas Jenice Pizão.

No último dia 15, Cássio Figueiredo, psicólogo da Coordenação de Desenvolvimento de Programas e Políticas de Saúde (ligada à Secretaria Municipal de Saúde da capital paulista), revelou que a terceira causa de mortes do estado de São Paulo, entre mulheres de 15 a 45 anos, é a Aids. “Eu vejo mulheres jovens. Mulheres que já nasceram no contexto da Aids e que estão se infectando”, lamentou.

Para Marisa Fernandes, coordenadora do Coletivo Feminino de Lésbicas em São Paulo, as mulheres pobres, principais vítimas de DST, não recebem informação para controle de doenças e, por isso, procuram serviço médico especializado tardiamente. “As mulheres estão invisibilizadas, nas campanhas e nos meios de comunicação. Somente estão presentes em campanhas de cerveja, usando sua imagem como entretenimento em vez de informação. Nós baixamos muito a guarda em prevenção, precisamos puxar a orelha do Programa Nacional de DST/Aids”, avaliou.

Outra integrante do Movimento Nacional de Cidadãs Positivas, Cida Lemos, afirmou que o tempo da meta, até 2008, é curto demais. “Ainda falta informação, por mais que a televisão mostre, as pessoas acham que nada acontece com elas. Conter esse aumento [de DST] é, por exemplo, negociar preservativo com o parceiro. Percebo esta e outras dúvidas em palestras. Um ano é muito pouco tempo para diversas ações necessárias”, afirmou.

O “Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização de Aids e outras DSTs” prevê, além da eliminação da sífilis congênita, a redução da transmissão vertical para menos de 1%; a expansão de distribuição de preservativos de 4 para 10 milhões entre mulheres e a ampliação de 35 para 70% na proporção de mulheres sexualmente ativas que realizam o teste de HIV.

Rodrigo Vasconcellos

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