ATIVISTAS CRITICAM O NÃO CUMPRIMENTO DA META ESTABELECIDA PELO PROGRAMA NACIONAL DE DISTRIBUIR 1 BILHÃO DE PRESERVATIVOS EM 2007

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10/01/2007 – 14h10

Um bilhão de camisinhas. Esse é o número de preservativos que o Programa Nacional de DST/Aids pretendia distribuir em 2007. A meta não vai ser atingida, adiantou e admitiu, em entrevista ao jornal ” O Estado de S.Paulo”, a diretora do programa Mariangela Simão. “O número de 1 bilhão é impraticável. Não temos nem mesmo como garantir a certificação de um lote dessas proporções”, explicou Mariangela em matéria publicada no jornal. Ativistas de todo o Brasil criticaram o não cumprimento da meta.

Para Mário Scheffer, da ONG Pela Vidda (SP), o programa “está sendo conivente com novas infecções” ao não cumprir uma meta estabelecida pelos próprios gestores públicos. “Se o programa estabeleceu uma meta que não havia como ser cumprida, ele está sendo irresponsável. É uma grande irresponsabilidade. Isso precisa ser esclarecido. É um problema reincidente”, acusa Scheffer. O ativista lembra que, no início do ano passado, redigiu um artigo em que critiva o “não cumprimento” das metas de distribuição de preservativos para o ano de 2005. Na época, o Programa Nacional divulgou uma nota técnica sobre o caso, no qual reafirmava a intenção de adquirir 1 bilhão de preservativos ao longo de 2006 (clique aqui para saber mais). “Essa novela se repete a cada ano, mas é a primeira vez que eles assumem que não vão cumprir [a meta estabelecida]”, diz o representante do grupo Pela Vidda da capital paulista.

Marta McBritton, coordenadora do Projeto Barong, comenta que a postura de Mariângela foi “transparente”, mas lembra que o não cumprimento das metas é “muito ruim” para a imagem das ONGs. “A pessoa vai atrás do serviço de saúde, das ONGs e não encontra preservativos, mas elas leram nos jornais sobre a meta de 1 bilhão. Elas não querem saber [de quem seria a culpa]. E sua credibilidade vai por terra”, avalia McBritton. A ativista classifica a situação como “crônica de uma morte anunciada”. “No ano passado eu escrevi um artigo exatamente sobre isso. Eu me perguntava o que iria acontecer no Carnaval desse ano”, recorda a coordenadora do Projeto Barong. “Acho que eles [a equipe do Programa Nacional] acreditavam que seria possível. Houve algum problema… Não acredito que é má fé, mas tem algo que não está dando certo”, raciocina Marta McBritton.

Além do não cumprimento das metas estabelecidas, em relação à quantidade de preservativos a serem distribuídos, outro problema é a “falta do gel lubrificante” e também do tamanho da camisinha (52 milimetros) atualmente disponibilizadas pelas ONGs e postos de saúde. A opinião é de Léo Mendes, representante do Fórum de ONG/Aids de Goiânia. “O gel lubrificante é uma antiga demanda, que não vem acompanhada dos preservativos”, lamenta Mendes. Na avaliação do ativista, o preservativo deveria ter 55 milimetros e não os 52 milimetros atuais. Além disso, ele defende a “descentralização” da distribuição.

Para Frederico Luz, do Fórum de ONG/Aids da Bahia, o Programa Nacional de DST/Aids pode ter estabelecido a meta para “tranqulizar o movimento social”. “É uma questão delicada dizer que vai comprar tantos preservativos. Esse é um gargalo. Ninguém sabe onde vai parar esses preservativos”, afirma Luz. Na opinião do ativista, falta diálogo entre as instituições públicas, o que pode resultar em “caos” durante o Carnaval que se aproxima. Assim como os demais entrevistados, ele defende a “descentralização” da distribuição dos preservativos.

Léo Nogueira

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