ATIVISTAS AVALIAM POSITIVAMENTE A PROVÁVEL ESCOLHA DE JOSÉ GOMES TEMPORÃO PARA A CHEFIA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, MAS COBRAM A REGULAMENTAÇÃO DA PEC 29

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05/03/2007 – 13h05

José Gomes Temporão, atual secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde – Foto: Alaor Filho/Agência Estado

A reforma ministerial ainda não saiu, mas um nome já é quase certo para ocupar um dos gabinetes da Esplanada dos Ministérios: José Gomes Temporão. A revelação foi feita na tarde do último sábado (03/03) pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, durante uma entrevista coletiva. Em ato falho (leia), o mandatário carioca explicitou que o novo Ministro da Saúde já teria sido escolhido pelo presidente Lula. José Gomes Temporão, atual secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, foi apontado como como sucessor de Agenor Álvares. A Agência de Notícias da Aids, colheu, na manhã desta segunda-feira (05/03), a opinião de alguns ativistas sobre a provável escolha. Por se tratar de um nome avaliado como “técnico”, a opção foi bem recebida pela maior parte dos entrevistados que, entretanto, ressaltaram os desafios a serem enfrentados por José Gomes Temporão, ex-presidente do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

“Ele [José Gomes Temporão] tem uma trajetória bastante respeitada, tem experiência de gestão, é um bom nome técnico para comandar o ministério [da Saúde]”, avalia Mário Scheffer, do grupo Pela Vidda (SP). Contudo, ressalta o ativista, “só essas qualidades não bastam”. Na opinião de Scheffer, o maior desafio do provável ministro será “fazer andar a regulamentação da PEC 29”.

A Proposta de Emenda Constitucional 29, caso seja efetivamente regulamentada, vai garantir que os recursos da saúde não sejam utilizados para outros fins. “Defender o financiamento do SUS [Sistema Único de Saúde] vai ser o grande embate”, adianta o integrante do grupo Pela Vidda (SP).

Sobre as suas expectativas em relação ao futuro ministro, caso José Gomes Temporão realmente venha a ocupar o cargo, Mário Scheffer disse esperar que o gestor público faça o que “os ministros anteriores não fizeram”. Ou seja, “decretar o licenciamento compulsório e investir pesadamente na produção local” de medicamentos.

José Araújo, da AFXB (centro de convivência para crianças que vivem com HIV/Aids em São Paulo), avalia o nome de Temporão como “bárbaro”. “Concordo [com a provável escolha] porque ele é um técnico. Eu vejo com bons olhos”, explica Araújo.

Para o ativista, o risco é que José Gomes Temporão se “perca nessa teia política”, contudo, Araújo ressalta que “acredita” na capacidade administrativa de Temporão. Ele também elogiou a gestão do “técnico” à frente do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

“Seja quem for, a gente espera que ele encare de uma forma decidida [os problemas da pasta]”, explica Jorge Beloqui, membro do Comitê Nacional de Vacinas e integrante do Grupo de Incentivo à Vida (GIV). O ativista também falou a respeito da importância da regulamentação da PEC 29 e apontou alguns dos problemas comuns enfrentados cotidianamente pelos soropositivos. “Todo mês tem que fracionar algum remédio”, exemplifica.

Sobre a falta de alguns hemoderivados, importados dos EUA, Jorge Beloqui indaga: “Você acha que o Lula vai falar disso com o Bush? Ou vai deixar por isso mesmo? Eu gostaria de saber o que eles vão fazer?” O presidente estadunidense chega ao Brasil, para uma visita de dois dias, na próxima quinta-feira (08/03). O principal assunto dos encontros entre os representantes dos dois países é o etanol.Ao que tudo indica a pauta saúde não vai constar da agenda dos presidentes do Brasil e Estados Unidos.

Léo Nogueira

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