ATIVISTA PERNAMBUCANA TEM VISTO NEGADO PARA FALAR NA ONU

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2/3/2007 – 17h00

A ONG GESTOS – Soropositividade, Comunicação e Gênero, com sede em Recife, Pernambuco, divulgou um e-mail nesta quinta-feira, 1° de março, informando que a ativista Janaína Regina da Conceição, convidada para participar da 51º Reunião da Comissão sobre Status das Mulheres nas Nações Unidas, que acontece no próximo dia 6 de março, em Nova Yorque, teve seu visto de entrada nos EUA negado pelo Consulado norte-americano no último dia 27 de fevereiro. A resposta do Consulado é que a ativista é “inelegível para obter um visto de não-imigrante, baseado na seção 214(b) da Lei de Imigração e Naturalização (INA)”, que é a incapacidade de comprovar vínculos com seu país natal fortes o suficiente para tornar improvável qualquer tentativa de permanecer ilegalmente nos Estados Unidos.

Janaína contou que, mesmo apresentando toda a documentação, inclusive a carta convite da ONU que se responsabilizava por todas suas despesas nos Estados Unidos e a passagem com datas de ida e volta marcadas, não conseguiu convencer a atendente a lhe conceder o visto. “A moça mal olhou para a minha cara e nem olhou direito o convite. Ela me perguntou se eu tinha trabalho, eu respondi que não. Ela perguntou sobre filhos e eu falei que tinha dois. Disse que era voluntária na Gestos, mas não adiantou nada. Então, ela me comunicou que eu não me qualificava para o visto.A entrevista foi rápida e fria”,comentou ela.

Ao saber da decisão, a organização se mobilizou e organizou uma manifestação em frente ao Consulado no início da tarde do mesmo dia da entrevista, reunindo cerca de 30 pessoas. Diante da pressão, o Consulado resolveu receber a documentação novamente. Contudo, no dia seguinte, o visto foi novamente negado. Segundo a Gestos, a participação de Janaína no evento era de grande importância devido a sua experiência na temática que será discutida, que é o enfrentamento da violência. Ela seria a única brasileira presente na reunião.

“Estamos indignados, pois ela não tem emprego e é uma pessoa pobre. Se ela terá todas as despesas garantidas, como o Consulado pode dar essa resposta ou ter isso como critérios?”, declarou o integrante da Gestos Jair Brandão, em e-mail enviado à Agência de Notícias da Aids.

O Consulado norte-americano em Recife foi contatado, mas não quis se pronunciar sobre o assunto.

Maurício Barreira

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