Ativista e poeta reconhecido internacionalmente, o carioca Ramon Nunes Mello, em carta aberta ao ministro da Saúde pede rapidez na vacinação para MPox

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

CARTA ABERTA AO MINISTRO ALEXANDRE PADILHA: A VACINAÇÃO CONTRA A MPOX NÃO PODE ESPERAR!

Prezado ministro Alexandre Padilha,

Recebo com atenção suas declarações sobre as medidas do Ministério da Saúde para enfrentar a mpox no Brasil. Reconheço os esforços do governo federal, mas considero urgente manifestar minha preocupação com a quantidade insuficiente de vacinas disponíveis e com a lentidão na ampliação da imunização.

Não podemos esperar que uma nova emergência sanitária se instale para garantir o direito à prevenção.

O Brasil tem aproximadamente um milhão de pessoas vivendo com hiv/aid$, muitas das quais dependem exclusivamente do SUS para seu tratamento e acompanhamento. Esse contingente populacional exige uma política de vacinação compatível com a dimensão dos riscos e das vulnerabilidades existentes.

Embora pessoas vivendo com hiv/aid$ e com a imunidade preservada não apresentem necessariamente o mesmo risco de agravamento da mpox que aquelas com imunossupressão avançada, precisamos garantir uma política de prevenção ampla, acessível e baseada em evidências científicas.

Ministro, é preocupante que, diante do aumento de casos em determinadas cidades, ainda estejamos discutindo a disponibilidade limitada de doses e a necessidade de negociar novos quantitativos com o fabricante.

A escassez mundial de vacinas não pode se transformar em justificativa permanente para a insuficiência da resposta brasileira.

É necessário acelerar as negociações internacionais, ampliar a aquisição de imunizantes, fortalecer a distribuição aos estados e municípios e estabelecer um cronograma público e transparente de vacinação.

Defendo a ampliação progressiva da vacinação para todas as pessoas com indicação de proteção, especialmente aquelas em maior vulnerabilidade, sem restringir indefinidamente o acesso a critérios extremamente limitados.

A experiência brasileira com a epidemia de hiv/aid$ nos ensinou que a demora das políticas públicas tem consequências concretas sobre a vida das pessoas. Prevenção não pode ser privilégio de quem consegue encontrar uma dose disponível.

Precisamos de mais vacinas, mais rapidez, mais transparência e menos barreiras de acesso.

Defender o SUS também significa cobrar do governo que apoiamos respostas à altura das necessidades da população.

Ministro Padilha, o Brasil tem história, conhecimento científico e capacidade institucional para liderar uma resposta exemplar à mpox. O que precisamos agora é transformar compromissos em medidas concretas.

A vacina é uma ferramenta de prevenção, ou seja: um direito. E o direito à saúde não pode esperar.

Apoios