08/02/2007 – 17h00
“A Dra. Mariângela [Simão, diretora do Programa Nacional de DST/Aids] mentiu quando disse que houve uma recomendação aos programas estaduais. Tive acesso a esses cartazes há uma semana e eles chegaram sem a recomendação, que foi enviada por e-mail somente na terça-feira [6 de fevereiro]. Ela mentiu ou foi induzida ao erro pela ASCOM [Assessoria de Comunicação do Programa Nacional de DST/Aids]. Esses cartazes foram distribuídos estupidamente”, avaliou José Araújo, presidente da AFXB (Centro de Convivência para Crianças que vivem com HIV/AIDS em São Paulo).
O ativista refere-se ao fato de, na tarde de quarta-feira (07/02), durante reunião da Comissão Nacional de Aids (CNAIDS), a diretora do programa subordinado ao Ministério da Saúde ter dito que houve uma “recomendação” da maneira de se utilizar as peças publicitárias, no momento da distribuição dos cartazes que têm causado polêmica nos últimos dias (leia mais). “Me sinto agredido pela Mariângela fazendo um discurso errôneo. É uma afronta a minha inteligência”, atacou Araújo. Todos os ativistas que se manifestaram sobre o tema, durante a 1º Reunião Ordinária do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo do ano de 2007, foram unânimes em condenar o teor da campanha que, embora tenha tido repercussão somente agora, teve início no ano passado.
“Essa peça devia ter tomado alguns cuidados, até porque o álcool é o primeiro problema de saúde do país. Esse cartaz é cheio de problemas… O destaque é a cerveja, não há destaque para o preservativo. Você não vai enxergar nunca a camisinha. A gente já fez um teste. As pessoas não vêem [a camisinha]”, explica Marta McBritton, coordenadora do projeto Barong. “É um dinheiro público desperdiçado. É um material amador. O cartaz é frágil, é ruim”, completa a ativista.
A ativista do Barong ressalta que a “iniciativa de trabalhar em determinados segmentos é fantástica”. Contudo, avalia a ativista, “parece que não foi procurado nenhum instituto que trabalha com redução de danos”. Um dos argumentos para a confecção dos cartazes que reúnem, na mesma imagem, uma garrafa de cerveja e uma camisinha foi de trabalhar com a redução de danos.
“Foi uma iniciativa muito incompetente. Foi uma falta de sensibilidade”, avalia Mário Scheffer, do Grupo Pela Vidda (SP). “É a milésima vez que dá problema [alguma campanha do Ministério da Saúde]”, disse Beto Volpe, presidente do Grupo Hipupiara, de São Vicente (litoral sul de São Paulo). Quase no final do debate sobre o tema, José Araújo, presidente da AFXB, avisou que, na próxima segunda-feira (12/02), pretende entrar com “uma ação no Ministério Público”. “É unânime os erros da peça”, considerou Ubiratan Marcelino dos Santos (mais conhecido como “Bira”), vice-presidente Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, encerrando a discussão sobre o assunto.
SUSTENTABILIDADE
No início da reunião ordinária desta quinta-feira (08/02), antes da discussão sobre o polêmico cartaz confeccionado pelo Ministério da Saúde, foram debatidos meios de garantir a sustentabilidade do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo. Marta McBritton, coordenadora do projeto Barong, defendeu o conceito e a utilização dos métodos aplicados no chamado “mercado social”. Segundo ela, um meio de “usar” os canais de venda com um fim social. “Talvez a gente precise de uma estratégia que independa das contribuições”, avalia McBritton. Ela propôs a criação de algum produto (“uma caneca, uma caneta ou uma camiseta”, sugeriu) com a marca do Fórum. A vantagem, segundo a ativista, seria que o dinheiro obtido com a venda não estaria “engessado”.
Beto Volpe, presidente do Grupo Hipupiara, concorda com a avaliação da coordenadora do projeto Barong, mas ressalta ser importante “traçar uma estratégia de captação de recursos”. O ativista propõe, inclusive, a contratação de uma empresa “especializada” nesse trabalho. Na seqüência, José Araújo, presidente da AFXB, se diz “totalmente a favor” da idéia de criar algum produto do Fórum, mas ressalta: “Nós somos amadores nessa área.”
Outro assunto discutido na reunião ordinária da manhã desta quinta-feira (08/02), a primeira de 2007, foi os desdobramentos da reforma que está sendo feita nas instalações do Hospital Emílio Ribas (em São Paulo). Segundo Jorge Beloqui, membro do Comitê Nacional de Vacinas e integrante do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), a reforma já teria “prejudicado” o atendimento. Ele teme, assim como outros ativistas, que o número de leitos diminua após a intervenção. Ubiratan Marcelino dos Santos, vice-presidente Fórum, propôs que se faça “um levantamento, um mapeamento para que se discuta a questão com propriedade.”
Léo Nogueira


