5/2/2007 – 13h45
Uma médica chinesa, que denunciou milhares de transfusões com sangue infectado com o vírus HIV na China, foi presa na quinta-feira passada em seu país às vésperas de uma viagem para os Estados Unidos, onde receberia um prêmio.
Segundo declarações feitas hoje por um amigo, Gao Yaojie, de 80 anos, teria sido “advertida” pelas autoridades locais para renunciar ao prêmio e cumprir prisão domiciliar em Zhengzhou, capital da província central de Henan. Ela deveria chegar a Pequim no domingo, onde pediria um visto para os Estados Unidos.
Segundo Hu Jia, conhecido ativista da luta contra a Aids (também em regime de prisão domiciliar em Pequim), Gao não atende a telefonemas há dias e foi impedida de ver seus familiares. Ela havia sido convidada a Washington para uma cerimônia em 14 de março, em que receberia o prêmio da Vital Voices, um grupo em defesa de direitos civis organizado pela senadora democrata Hillary Clinton.
No fim dos anos 1990, Gao havia falado abertamente à imprensa e divulgado panfletos de alerta sobre a rápida propagação do HIV entre camponeses da província de Henan, contagiados por agulhas infectadas enquanto vendiam o sangue.
Na ocasião, foi criticada pelas autoridades, que proibiram a compra e venda de sangue e deram assistência gratuita a pessoas infectadas. A médica foi impedida de deixar a China também em 2001 e 2003, quando receberia outros prêmios pelo trabalho realizado em proteção aos direitos civis.
Fonte: Agência Lusa



