Atividade física e dieta regular ajudam a evitar doença cardiovascular em portadores do HIV, ensina especialista

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29/03/2014 – 7h45
Pessoas vivendo com HIV/aids, em tratamento ou não, têm risco cardiovascular elevado. A afirmação é da infectologista Heloísa Lacerda, da Universidade Federal de Pernambuco. Ela abordou o tema durante aula que deu no 9º Curso Avançado de Patogêneses e do HIV, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na semana passada.

Entre os motivos do elevado risco cardíaco para os soropositivos, segundo a especialista, estão os medicamentos antirretrovirais e o próprio vírus HIV, que produz uma inflamação ao longo dos anos.

“O risco maior é de o paciente desenvolver uma doença isquêmica do coração. Pode ser infarto, angina (uma dor no peito devida ao baixo abastecimento de oxigênio) ou morte súbita”, explicou a médica.

Essas doenças isquêmicas causam dores ou desconfortos no peito, que ocorrem quando uma parte do coração não recebe sangue suficiente para bombear de maneira adequada. “Isso acontece em consequência da formação de placas gordurosas nas artérias, que diminuem o fluxo de sangue que passa pelo coração”, continua Heloísa.

Além dos antirretrovirais e do vírus HIV, há outras causas que agravam o risco de doenças no coração. São elas diabetes, hipertensão, colesterol alto, avanço da idade, sedentarismo e histórico de problemas cardíacos na família, principalmente de pai e mãe, além do tabagismo.

Prevenção

Heloísa explica que nem todas as pessoas com HIV vão desenvolver doença cardiovascular e mesmo as que têm grandes chances de desenvolver a doença podem evitá-la.
“A receita é: uma dieta equilibrada (pobre em gorduras e carboidratos), manutenção do peso, prática de atividade física, controle da pressão arterial, avaliação do colesterol, dos triglicerídeos e evitar o tabagismo.”

Outra dica é seguir corretamente o tratamento antirretroviral para controlar o vírus. “O HIV ativo facilita a doença, então, tratar o vírus reduz o risco cardiovascular”, alerta a infectologista. Ir às consultas médicas com regularidade é essencial. Só o médico pode avaliar a relação entre os antirretrovirais e riscos.

Para quem já teve doença cardiovascular

A pessoa que vive com HIV e desenvolveu uma doença cardiovascular precisa ser acompanhada por um cardiologista, além do infectologista. Eles se unem para chegar ao melhor esquema de medicamento possível. “Geralmente, esse paciente usa estatina, remédio que controla o colesterol, mas isso é uma coisa que, necessariamente, tem de ser avaliada em conjunto pelo cardiologista e o infectologista. Geralmente, nós (infectologistas) identificamos estes pacientes por meio de exames e o encaminhamos para o cardiologista.”.

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

Dica de Entrevista
Heloísa Lacerda
Email: helramos@terra.com.br

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