Atendimento psicológico de pessoas trans é discutido em jornada no CRT-SP

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30/10/2014 – 17h

A manhã desta quinta-feira (30) foi marcada pelo debate sobre a importância da psiquiatria e da psicologia para travestis e transexuais, durante a 1ª Jornada de Sensibilização no Atendimento a Pessoas Transgêneros. O psiquiatra Luis Pereira Justo defendeu o diagnóstico de transexualismo como parte da saúde integral desta população. Ele falou sobre o transtorno mental que as pessoas transexuais sofrem por causa da incompatibilidade entre corpo e mente. "Trata-se de transtorno de gênero, não de doença", disse o médico do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, do Centro de Referência e Treinamento (CRT-SP), que está produzindo o evento.

“Diferente das travestis, que não têm problemas em adotar um visual feminino mesmo tendo pênis e até brincam disputando quem tem o órgão maior, mulheres e homens trans sentem vergonha (do pênis ou do peito), constrangimento e, muitas vezes, não conseguem ao menos saber quem na verdade são. Não é uma questão de comportamento sexual, mas de identidade de gênero", diz Justo.

O médico explica que um transexual pode ter um sofrimento psíquico por acreditar que houve um erro na determinação do seu sexo. “Muitos buscam cirurgia para mudança de sexo por essa razão.”

No entanto, o especialista garante que não é possível entender os trans sem levar em conta o que é identidade de gênero. Ou seja, a convicção que cada um tem sobre si de ser masculino ou feminino.

Em geral, psiquiatras ou psicólogos fazem esse diagnóstico, por meio de várias conversas com o paciente, para determinar corretamente os sentimentos dele.

“Nas consultas, identificamos os sofrimentos ou prejuízos no funcionamento social ou ocupacional desta pessoa. Por exemplo, a Maria deixa de frequentar a escola porque é chamada de João, se veste como João, mas não se reconhece como João.”

O psiquiatra conta que essa população busca pelo atendimento psicológico geralmente quando sente um desconforto. “Muitas vezes, a própria pessoa não consegue explicar o seu sofrimento, então ela busca pelo profissional da saúde mental, até mesmo para tentar definir a natureza deste sofrimento.”

Para Justo, o papel do psiquiatra é compor a equipe multidisciplinar que trata da saúde integral desta população. Ele faz questão de deixar claro que a procura por esse serviço não significa que a pessoa esteja doente. “Fazemos o diagnóstico da transexualidade e podemos tratar comorbidades psiquiátricas. Mas muitos dos meus pacientes não usam medicamentos, por exemplo.”

A orientação é para que todos busquem o Sistema Único de Saúde (SUS). “Hoje, felizmente, o serviço público tem cada vez mais possibilidade de absorver esse tipo de demanda. Nosso ambulatório aqui, no CRT, é um exemplo. Ele é voltado para o atendimento dessa população especifica. Nem sempre podemos auxiliar em tudo, mas encaminhamos para outros serviços também.”

Dica de entrevista:

Assessoria de Imprensa Programa Estadual de DST/Aids
Tel.: (11) 5087-9907

Talita Martins
(talita@agenciaaids.com.br)

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