Atenção a usuários de drogas injetáveis ganha destaque na Conferência de Aids

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23/07/2014 – 17h

A realidade de países como Vietnã e Uganda na política de drogas voltada para o enfrentamento do HIV ganhou destaque na manhã dessa quarta-feira (20), na 20ª Conferência Internacional de Aids, em Melbourne, na Austrália. A sessão plenária, com auditório lotado, começou com a fala de Khuat Oanh, fundadora do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Social, de Hanoi (Vietnã) sobre os usuários de drogas injetáveis (UDI) do seu pais.

Médica, Khuat desenvolveu um modelo que trouxe cuidados de saúde reprodutiva para mais de um milhão de mulheres vietnamitas e revolucionou os serviços de aborto em todo o país. Atualmente, ela está colaborando com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Partido Comunista do Vietnã para criar um novo programa de defesa da política de drogas no país.

A médica informou que é muito elevado o número de usuários de drogas injetáveis no Vietnã. Segundo ela, cerca de 60% deles estão infectados com hepatite C e sem acesso a medicamentos. “O preço dos remédios está matando as pessoas", afirmou.

Apesar dos números assustadores da hepatite C, é a tuberculose a principal causa de morte entre os UDI vietnamitas. O país tem 235 mil pessoas em tratamento em mil centros de reabilitação e enfrenta a triste realidade de 200 mil mortes anuais por overdose.

Numa contundente fala destacando a necessidade de olhar com mais cuidado para os UDI, a médica Khuat Oanh afirmou: “As pessoas que usam drogas são seres humanos, não apenas um conjunto de veias”.

Ela disse também não acreditar no argumento da falta de recursos para ações mais amplas de redução de danos. “Mais de US$ 100 bilhões foram gastos na guerra contra as drogas e esses recursos poderiam ser melhores aplicados em ações desse tipo.”

A situação da coinfecção HIV/tuberculose foi apresentada pela pesquisadora Diane Havlin, chefe da Divisão de HIV/Aids do San Francisco General Hospital, na Califórnia. Ela defendeu que a terapia não deve vir sozinha, mas acompanhada de entorno social e comunitário. Ela citou dados do relatório publicado na revista científica "The Lancet", segundo os quais as mortes em decorrrência do HIV no Brasil caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, maior do que os 1,5% registrados globalmente. Nos casos de mortes por tuberculose, a taxa anual de queda foi de 4,5% desde 2000, acima da média global de 3,7%.

Depois de aumentar a uma taxa anual de 0,4% entre 1990 e 2000, a incidência global da doença começou a cair a uma taxa de 1,3% até 2013. A maior rapidez e eficácia no tratamento tem reduzido a duração de infecções. No entanto, a pesquisadora alerta para o fato de que o envelhecimento da população levará a um número maior de casos e mortes.

Liandro Lindner, de Melbourne, Austrália

A Agência de Notícias da Aids cobre a Conferência na Austrália com o apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo

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