ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE REDUTORAS E REDUTORES DE DANOS (ABORDA) APÓIA PROPOSTA DO GOVERNADOR DO RIO EM RELAÇÃO À LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS LEVES; PARA A ENTIDADE, FALA DE SÉRGIO CABRAL É UM ‘ALENTO’

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01/03/2007 – 10h55

Ele já havia falado disso em 11 de fevereiro, durante entrevista concedida ao programa “Canal Livre” (TV Bandeirantes), e ontem (28/02) voltou a discorrer sobre o assunto, provando estar comprometido com a idéia de legalizar as drogas leves no país. O entusiasta da proposta é o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). “Defendo que seja revista a proibição das drogas leves [ele citou o exemplo da maconha]. Não podemos ficar no sociologismo barato enquanto as pessoas morrem”, argumentou Cabral. Na tarde desta quarta-feira (28/02), Sérgio Cabral e os demais governadores da Região Sudeste entregaram um documento, com algumas propostas na área de segurança, para os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na ocasião, Cabral admitiu estar assumindo uma campanha polêmica, pois sabe que “as pessoas são muito conservadoras no Brasil”, mas ressaltou que não é “covarde”.

Ao menos uma organização da sociedade civil já se manifestou favoravelmente a proposta do governador carioca: a Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos (Aborda). Em nota, divulgada horas depois do encontro que reuniu os governadores do Sudeste em Brasília, o presidente da Aborda, o goiano Elandias Bezerra Souza, defende a idéia do principal mandatário do segundo estado mais rico do Brasil.

O texto, recebido pela Agência de Notícias da Aids na manhã desta quinta-feira (01/03), foi enviado para redutores de danos de todo o país (para saber mais sobre o trabalho desses profissionais, clique aqui).

“Em tempos onde a imensa maioria dos parlamentares e gestores públicos rosna respostas para ao problema da segurança pública no Brasil, oferecendo como solução exatamente as mesmas medidas que ajudaram a constituir o problema (penas mais duras, desrespeito aos direitos humanos, abuso de autoridade, endurecimento das ações policiais…), a fala do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, é um alento”, diz o início da nota da Aborda.

“Ao invés de vociferar palavras vazias, mas com efeito publicitário garantindo, o governador dos cariocas aceita o desafio de fugir do óbvio, e apresenta como uma das medidas desejadas a constituição de uma nova política de drogas, que descriminalize às pessoas que usam psicoativos”, acrescenta o texto assinado pelo presidente da entidade, Elandias Bezerra Souza. Abaixo, a nota da Aborda na íntegra:

Na contra-mão da pré-história

Nota oficial da ABORDA sobre as declarações do governador do Rio de Janeiro, Senhor Sérgio Cabral

Em tempos onde a imensa maioria dos parlamentares e gestores públicos rosna respostas para ao problema da segurança pública no Brasil, oferecendo como solução exatamente as mesmas medidas que ajudaram a constituir o problema (penas mais duras, desrespeito aos direitos humanos, abuso de autoridade, endurecimento das ações policiais…), a fala do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, é um alento. Ao invés de vociferar palavras vazias, mas com efeito publicitário garantindo, o governador dos cariocas aceita o desafio de fugir do óbvio, e apresenta como uma das medidas desejadas a constituição de uma nova política de drogas, que descriminalize às pessoas que usam psicoativos.

Tal declaração, ainda que fale de um campo de políticas que se situa fora da alçada direta do executivo estadual, indica caminhos. Podemos imaginar que durante a gestão de Sérgio Cabral, as pessoas que usam drogas serão tratadas mais como cidadãos com direitos, e não como criminosos demoníacos. Este tipo de abordagem, além de muito mais adequada quando do ponto de vista dos direitos humanos, apresenta-se como estratégia bastante interessante no sentido de fazer com que os parcos efetivos das polícias civil e militar possam dedicar-se àquilo que realmente importa: menos atenção a uma prática individual, e mais à repressão das atividades efetivamente criminosas, que colocam em risco os cidadãos.

Quando pensamos em políticas de drogas, entendemos que o olhar criminalizante, que demoniza as substâncias e às pessoas que as usam, representa a pré-história. Discursos como o do governador Sérgio Cabral apontam para o futuro. Estão, portanto, na contra-mão da pré-história. Oxalá seu exemplo de coragem possa inspirar outros políticos. É desta divina coragem que o Brasil anda cada vez mais necessitado.

Elandias Bezerra Souza
Presidente da ABORDA

Redação da Agência de Notícias da Aids

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