Assembleia Mundial da Saúde aprova elaboração de estratégia global pós-2030 para acabar com a tuberculose

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Reunidos em Genebra, na Suíça, durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, ministros da Saúde e representantes dos países-membros da Organização Mundial da Saúde aprovaram uma decisão que dá início à elaboração de uma nova estratégia global de combate à tuberculose para o período pós-2030.

A decisão foi adotada no principal fórum anual de saúde pública do mundo, onde delegações dos 194 Estados-Membros da OMS discutem prioridades globais, financiamento, emergências sanitárias e políticas internacionais de saúde. Neste ano, a Assembleia tem concentrado debates em temas como preparação para pandemias, resistência antimicrobiana, fortalecimento dos sistemas de saúde e doenças infecciosas de alto impacto, entre elas a tuberculose.

O texto aprovado solicita formalmente que o diretor-geral da OMS desenvolva uma estratégia pós-2030 para a tuberculose em consulta com governos, especialistas, agências internacionais e organizações da sociedade civil. O novo plano deverá ser apresentado oficialmente à 81ª Assembleia Mundial da Saúde, em 2028.

A medida prepara o terreno para uma nova fase da resposta internacional à doença e também antecipa os debates da próxima Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Tuberculose, marcada para 2028.

Assembleia debate desafios persistentes da tuberculose

A discussão sobre tuberculose ocorreu dentro da agenda oficial da Assembleia dedicada às doenças transmissíveis e às metas globais de desenvolvimento sustentável. Durante as sessões, representantes dos países reconheceram avanços importantes no combate à doença nas últimas décadas, mas alertaram que o mundo ainda está distante de cumprir os compromissos assumidos para 2030.

A Assembleia também analisou um relatório da OMS sobre a implementação da atual Estratégia para o Fim da Tuberculose, adotada pela organização como referência internacional para reduzir drasticamente mortes e novos casos da doença.

Segundo os dados apresentados aos países, cerca de 83 milhões de vidas foram salvas entre 2000 e 2024 graças à expansão do acesso ao diagnóstico e ao tratamento da tuberculose. O relatório destacou ainda que 2024 registrou a primeira queda na incidência global da doença desde os impactos causados pela pandemia de Covid-19.

Os delegados também foram informados de que os níveis de acesso aos serviços essenciais de tratamento atingiram os maiores índices já registrados mundialmente.

Mesmo assim, o cenário ainda preocupa autoridades sanitárias internacionais.

OMS alerta para financiamento insuficiente e aumento das vulnerabilidades

Durante os debates na Assembleia, a OMS afirmou que a tuberculose continua sendo uma das principais causas de morte por doenças infecciosas no planeta. A organização alertou que os avanços conquistados nas últimas décadas permanecem ameaçados por crises econômicas, desigualdade social e fragilidade dos sistemas de saúde.

O relatório discutido pelos países aponta que as metas globais da Estratégia para o Fim da Tuberculose e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável não serão alcançadas no ritmo atual.

Entre os principais obstáculos citados estão:

* subfinanciamento crônico dos programas de combate à tuberculose;
* interrupções nos serviços de saúde provocadas pela pandemia;
* pobreza e insegurança alimentar;
* conflitos armados;
* deslocamentos populacionais;
* impactos das mudanças climáticas;
* crescimento das desigualdades sociais.

A OMS destacou ainda que populações vulneráveis seguem sendo as mais afetadas, especialmente pessoas vivendo em situação de pobreza, migrantes, refugiados, indígenas, população prisional e pessoas com imunidade comprometida.

Nova estratégia deverá incorporar ciência, inovação e atenção primária

De acordo com a decisão aprovada na Assembleia, a nova estratégia pós-2030 deverá considerar avanços científicos recentes e mudanças no perfil epidemiológico global da tuberculose.

A OMS também pretende alinhar a futura estratégia às agendas de segurança sanitária global, tema que ganhou força após a pandemia de Covid-19.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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