Arte, memória e resistência: Cazu Barroz leva a força do artivismo brasileiro à Conferência Internacional de AIDS 2026

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Dezessete anos após o histórico projeto Through Positive Eyes, o artivista brasileiro retorna à iniciativa internacional que reúne diferentes gerações de pessoas vivendo com HIV para transformar histórias de vida em arte, memória e enfrentamento ao estigma durante a AIDS 2026, no Rio de Janeiro.

Em um momento em que a Conferência Internacional de AIDS 2026 convida o mundo a repensar a resposta global ao HIV, a arte ocupa novamente um lugar central na luta contra o estigma. Entre os protagonistas dessa narrativa está o artivista Cazu Barroz, que integra o projeto Through Positive Eyes: Rio Revisited, uma iniciativa internacional que reúne fotografia, teatro, artes visuais e testemunhos pessoais para dar visibilidade às experiências de quem vive com HIV.

A atividade faz parte da programação oficial da AIDS 2026 e é resultado de uma parceria entre o UCLA Art & Global Health Center, da Universidade da Califórnia (Los Angeles), o ativista Bobby Gordon e o Centro do Teatro do Oprimido. O projeto resgata uma experiência histórica realizada em 2009 no Rio de Janeiro e a conecta com uma nova geração de pessoas recém-diagnosticadas com HIV, mostrando como a epidemia mudou — e quais desafios permanecem.

Mais do que uma exposição artística, a iniciativa propõe um encontro entre passado e presente. Cinco participantes do projeto original voltaram a se reunir, 17 anos depois, com cinco jovens vivendo com HIV para criar uma nova coleção de obras que refletem sobre continuidade, transformação, resistência e esperança.

Entre eles, Cazu Barroz representa a força do artivismo brasileiro, utilizando a arte como ferramenta de expressão, acolhimento e transformação social.

Arte que nasce da experiência

Os participantes desenvolveram obras autorais a partir da fotografia, ampliando suas narrativas por meio de desenho, pintura, bordado e crochê. As criações se transformam em cenários para performances de storytelling, nas quais cada pessoa compartilha sua própria trajetória diante de uma plateia internacional.

A proposta rompe com a lógica dos números e das estatísticas para colocar no centro aquilo que frequentemente permanece invisível: os sentimentos, os sonhos, os medos e a potência de quem vive com HIV.

Durante vários dias de preparação, realizados no Centro do Teatro do Oprimido, no centro do Rio de Janeiro, os participantes passaram por oficinas de integração, jogos teatrais, produção artística, ensaios e construção coletiva das narrativas que agora chegam ao público da Conferência Internacional de AIDS.

Em publicação nas redes sociais, o UCLA Art & Global Health Center resumiu o espírito da iniciativa:

“Dezessete anos depois, cinco participantes do projeto original se reuniram com cinco jovens recentemente diagnosticados com HIV para criar, de forma colaborativa, um novo conjunto de obras que reflete sobre a continuidade e as mudanças na epidemia de HIV no Brasil.”

O grupo também convidou o público presente na Conferência a conhecer as apresentações na Global Village e acompanhar, pelas redes sociais, os vídeos das performances.

O legado de Through Positive Eyes

O projeto Through Positive Eyes nasceu em 2009, quando brasileiros vivendo com HIV receberam câmeras fotográficas para registrar o cotidiano sob sua própria perspectiva. As imagens eram acompanhadas por relatos em primeira pessoa, rompendo estereótipos e oferecendo uma visão profundamente humana da epidemia.

Agora, quase duas décadas depois, a proposta ganha novos significados.

A epidemia mudou, os tratamentos avançaram e a ciência abriu novas possibilidades de prevenção e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, o preconceito, a discriminação e as desigualdades continuam fazendo parte da realidade de muitas pessoas vivendo com HIV.

É justamente esse diálogo entre diferentes gerações que torna o projeto um dos momentos mais simbólicos da programação cultural da AIDS 2026.

Artivismo como ferramenta de transformação

A participação de Cazu Barroz reforça o papel da arte como instrumento de mobilização social e defesa dos direitos humanos.

Ao transformar experiências pessoais em performances, o projeto mostra que viver com HIV não significa apenas enfrentar uma condição de saúde, mas também construir memória, identidade e pertencimento.

Redação da Agência de Notícias da Aids

* A equipe da Agência de Notícias da Aids cobre a AIDS 2026 com o apoio do Senac São Paulo e da Coordenadoria de IST/Aids da cidade de São Paulo.

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