Argentina e Suíça se enfrentarão nas quartas-de final da Copa do Mundo: como os países jogam e encaram o HIV em seus territórios

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

De virada, Argentina mandou a seleção do Egito para casa e a Suíça, nos pênaltis, fez com que a Colômbia adiasse seu sonho de seguir na Copa do Mundo. Desde o início do evento que chama a atenção de torcedores e torcedoras de todo o mundo, a Agência Aids tem trazido informações de como os países que se enfrentam nos diferentes campos nos EUA, México e Canadá lidam com a pandemia da aids. Acompanhe os avanços de Suíça e Argentina que se enfrentarão em jogo no próximo dia 11 de julho, sábado, pelas quartas de final no Estádio de Kansas City em Missouri, Estados Unidos.


Suíça mantém indicadores próximos das metas globais 

A Suíça abriga cerca de 18 mil pessoas vivendo com HIV e apresenta indicadores que a colocam muito próxima das metas globais 95-95-95 do Unaids. Aproximadamente 92% das pessoas que vivem com o vírus conhecem seu diagnóstico, 98% recebem tratamento antirretroviral e 99% das pessoas em terapia atingiram carga viral indetectável, resultado que reduz significativamente a transmissão do HIV e melhora a qualidade de vida.
Os números refletem uma resposta consolidada ao longo das últimas décadas. Em 2023, foram registrados 352 novos casos de HIV, mantendo uma incidência considerada estável, de aproximadamente quatro diagnósticos por 100 mil habitantes.
A epidemia no país permanece concentrada principalmente entre homens que fazem sexo com homens, responsáveis por cerca de 70% das novas infecções. Entre as mulheres, a principal forma de transmissão continua sendo por relações heterossexuais.
Além da ampla oferta de diagnóstico e tratamento, a prevenção tem papel central na estratégia suíça. O país investe continuamente em campanhas de testagem, diagnóstico precoce e na expansão da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Ao final de 2023, cerca de 5.750 pessoas utilizavam a medicação, principalmente homens gays e bissexuais, considerada uma ferramenta essencial para manter o controle da epidemia.

Argentina disponibiliza Prep no sistema público há pouco tempo

A Argentina é considerada uma das referências da América Latina em políticas públicas voltadas às pessoas vivendo com HIV. Ainda no início da década de 1990, o país estabeleceu uma legislação que garantiu direitos fundamentais, como a confidencialidade do diagnóstico, o combate à discriminação e o acesso universal à assistência em saúde.
Poucos anos depois, a terapia antirretroviral passou a ser disponibilizada pelo sistema público argentino. Ao longo das décadas seguintes, a resposta nacional foi fortalecida com distribuição gratuita de preservativos, estratégias de redução de danos e intensa participação de organizações da sociedade civil na construção das políticas de prevenção.
Mais recentemente, o país ampliou novamente sua estratégia ao incorporar a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao sistema público e atualizar sua legislação para reforçar os direitos das pessoas vivendo com HIV. Atualmente, cerca de 140 mil argentinos convivem com o vírus.

Redução de investimentos gera preocupação

Apesar dos avanços históricos, especialistas e entidades da sociedade civil vêm manifestando preocupação com a redução dos investimentos públicos destinados às políticas de HIV.
Nos últimos anos, o orçamento do programa nacional voltado ao HIV, hepatites virais, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e tuberculose sofreu forte diminuição, repercutindo diretamente nas ações de prevenção.
Entre os reflexos observados está a redução expressiva da distribuição de preservativos e a diminuição do número de profissionais vinculados ao programa nacional. Também houve mudanças administrativas que resultaram na extinção de estruturas responsáveis por áreas estratégicas da saúde pública.
A preocupação é que esses cortes comprometam justamente as iniciativas que fizeram da Argentina uma das principais referências regionais no controle da epidemia.

Populações-chave seguem mais vulneráveis

Embora o país mantenha indicadores importantes, a epidemia continua concentrada em grupos específicos.
Homens que fazem sexo com homens respondem por quase metade dos casos registrados e apresentam prevalência significativamente superior à da população geral. Entre pessoas trans, a prevalência permanece acima de 30%, uma das mais elevadas da América Latina.
As relações heterossexuais representam aproximadamente quatro em cada dez novas infecções registradas no país.

Redação Agência de Notícias da Aids

Apoios