Farmacêutica confirma reunião com o ministro Alexandre Padilha e afirma estar comprometida em buscar caminhos para ampliar acesso à PrEP semestral; empresa não responde diretamente à informação de que não aceitou proposta brasileira de US$ 400 por pessoa ao ano
Após o diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), Draurio Barreira, revelar à Agência Aids que Brasil e Gilead não chegaram a um acordo sobre o preço do lenacapavir para uso como profilaxia pré-exposição (PrEP) no Sistema Único de Saúde (SUS), a farmacêutica se manifestou sobre a negociação.
Em nota encaminhada à imprensa nesta sexta-feira, 31 de julho, a Gilead confirmou que seus representantes se reuniram na quinta-feira com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e integrantes de sua equipe e afirmou ver “com satisfação” o andamento das discussões.
A companhia, no entanto, não respondeu diretamente ao principal ponto revelado por Draurio: segundo o diretor do Dathi, o governo brasileiro ofereceu à Gilead US$ 400 por pessoa ao ano para viabilizar o acesso ao lenacapavir, mas a proposta não foi aceita.
“A Gilead confirma que representantes da empresa se reuniram com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e membros de sua equipe na última quinta-feira. A companhia vê com satisfação o andamento das discussões com o Ministério da Saúde do Brasil e permanece comprometida em trabalhar de forma colaborativa com o governo brasileiro para explorar caminhos que possam ampliar o acesso à prevenção do HIV em todo o país”, diz a nota.
A manifestação ocorre após a Agência Aids publicar entrevista exclusiva com Draurio Barreira, na qual o diretor afirmou que a negociação não produziu um acordo de curto prazo para a incorporação do lenacapavir como PrEP injetável.
“Como PrEP injetável, no curto prazo, não chegamos a um acordo em relação aos preços”, afirmou Draurio.
Segundo ele, o Brasil apresentou a mesma proposta — US$ 400 por pessoa ao ano — nas negociações envolvendo as duas tecnologias de prevenção de longa duração que estão no radar do Ministério da Saúde.
“O Brasil ofereceu às duas empresas, tanto à GSK/ViiV quanto à Gilead, US$ 400 por pessoa ao ano. Essa proposta foi aceita por uma, mas não foi aceita por outra”, disse.
Ao ser questionado pela Agência Aids sobre a postura da Gilead, Draurio foi além e afirmou que um entendimento poderia ter ocorrido anteriormente.
“Eu acho que nós já poderíamos ter tido um acordo com as duas empresas desde o ano passado e poderíamos estar na vanguarda da implantação das duas drogas injetáveis desde 2025. Então, eu acho que quem não entrou está perdendo e estará perdendo muito mais”, declarou.
Gilead fala em “caminhos sustentáveis”
Na resposta divulgada nesta sexta-feira, a Gilead não informa qual valor considera necessário para tornar possível um acordo com o governo brasileiro nem comenta especificamente a oferta de US$ 400 mencionada pelo diretor do Dathi.
A companhia afirma compartilhar “a urgência de ampliar o acesso ao lenacapavir de administração semestral para a prevenção do HIV em toda a América Latina e o Caribe”.
A farmacêutica também destaca que seus acordos de licenciamento voluntário abrangem 24 países da América Latina e do Caribe. O Brasil, porém, está fora desse território.
Para países nessa situação, a empresa afirma continuar buscando “caminhos sustentáveis de acesso de longo prazo, alinhados às condições do mercado local e às prioridades de saúde pública”.
A Gilead cita ainda a possibilidade de transferência de tecnologia e manufatura regional e afirma que o Brasil está entre os países considerados potenciais parceiros de fabricação. A companhia lembra que assinou um memorando de entendimento com a Fiocruz para estudar oportunidades de transferência de tecnologia.
A empresa também afirma que garantirá a continuidade do acesso ao lenacapavir para participantes dos estudos PURPOSE até que o medicamento esteja disponível nos respectivos países e menciona o apoio ao estudo ImPrEP LEN no Brasil.
Apesar do impasse revelado pelo Ministério da Saúde, a Gilead sinaliza que a negociação não está encerrada. Segundo a nota, a empresa permanece em discussões com o governo brasileiro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e outros atores envolvidos na busca por alternativas de acesso.
Leia a íntegra da nota da Gilead
São Paulo, 31 de julho de 2026
À Imprensa
A Gilead confirma que representantes da empresa se reuniram com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e membros de sua equipe na última quinta-feira. A companhia vê com satisfação o andamento das discussões com o Ministério da Saúde do Brasil e permanece comprometida em trabalhar de forma colaborativa com o governo brasileiro para explorar caminhos que possam ampliar o acesso à prevenção do HIV em todo o país.
A Gilead compartilha a urgência de ampliar o acesso ao lenacapavir de administração semestral para a prevenção do HIV em toda a América Latina e o Caribe.
A área coberta pelos acordos de licenciamento voluntário (VL) da Gilead abrange 24 países da América Latina e do Caribe. Para os países fora do território de licenciamento voluntário, como o Brasil, a Gilead continua buscando caminhos sustentáveis de acesso de longo prazo, alinhados às condições do mercado local e às prioridades de saúde pública.
No Brasil, a Gilead já adotou medidas importantes para apoiar o acesso. Após a aprovação regulatória pela ANVISA em janeiro de 2026, a Gilead avançou com as próximas etapas para o acesso dos pacientes por meio do processo estabelecido de precificação do país.
A transferência de tecnologia e a manufatura regional também são fundamentais para garantir um acesso sustentável e de longo prazo, e o Brasil é uma das prioridades entre os países avaliados como potenciais parceiros de fabricação. Reconhecendo a liderança do Brasil na resposta ao HIV, a Gilead assinou um memorando de entendimento com a Fiocruz para explorar potenciais oportunidades de transferência de tecnologia que possam apoiar o acesso no Brasil e em toda a região.
A Gilead está comprometida em garantir a continuidade do acesso para os participantes dos estudos PURPOSE até que o lenacapavir esteja disponível em seus respectivos países. A Gilead também apoia os esforços de implementação no Brasil, incluindo o estudo ImPrEP LEN.
A Gilead permanece ativamente engajada em discussões contínuas com o Ministério da Saúde do Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e outros stakeholders para avançar caminhos sustentáveis de acesso que equilibrem inovação, prontidão para implementação e impacto de longo prazo na saúde pública.
Gilead Sciences Brasil
Redação da Agência de Notícias da Aids




