Os países e territórios que integram o fórum APEC lançaram um novo Plano de Ação para Acabar com a Epidemia de HIV (2026-2031), em uma tentativa de acelerar a resposta regional ao HIV/aids e evitar o avanço das infecções nos próximos anos. O anúncio foi feito durante um evento virtual de alto nível que reuniu representantes de governos, organizações da sociedade civil e parceiros internacionais de todas as economias do bloco.
Criada em 1989, a APEC — sigla para Cooperação Econômica Ásia-Pacífico — é um fórum internacional que reúne 21 economias da região Ásia-Pacífico, incluindo China, Japão, Austrália, México, Chile, Estados Unidos e diversos países do Sudeste Asiático. O grupo tem como objetivo promover comércio, investimento, crescimento econômico e cooperação regional. Nos últimos anos, porém, também passou a ampliar sua atuação em temas ligados à saúde pública, incluindo o enfrentamento ao HIV/aids.
A iniciativa faz parte do Projeto APEC HIV, um esforço multissetorial criado para impulsionar o progresso rumo ao fim da epidemia em toda a região da Ásia-Pacífico. Segundo estimativas apresentadas pelo projeto, cerca de 7 milhões de pessoas vivem atualmente com HIV nas economias da APEC, que concentram aproximadamente 25% das novas infecções registradas globalmente.
Apesar de alguns países da região estarem próximos de atingir as metas globais 95-95-95 — que estabelecem que 95% das pessoas vivendo com HIV saibam do diagnóstico, 95% das diagnosticadas estejam em tratamento e 95% das tratadas tenham carga viral suprimida — o avanço permanece desigual. Em diversas economias da região, a incidência do HIV continua crescendo.
As projeções do Unaids indicam que, sem uma expansão acelerada da prevenção e do tratamento, a Ásia e o Pacífico poderão registrar cerca de 320 mil novas infecções anuais por HIV até 2030.
O novo Plano de Ação pretende funcionar como um roteiro prático para os governos da APEC ampliarem o compromisso político e garantirem a sustentabilidade financeira das respostas nacionais ao HIV. O documento também busca fortalecer o acesso à prevenção, à testagem e ao tratamento, além de enfrentar barreiras estruturais que continuam dificultando o combate à aids na região.
Entre os principais obstáculos apontados estão a redução da atenção política ao tema, o financiamento insuficiente, barreiras legais e políticas, dificuldades de acesso às estratégias de prevenção, falhas nos sistemas de testagem e cuidado, atrasos no início do tratamento e a lenta incorporação de inovações no enfrentamento ao HIV.
Leonardo Chanqueo, supervisor do Projeto APEC HIV e ex-chefe do Programa Nacional de HIV do Chile, classificou o lançamento do plano como “o início de uma nova fase de cooperação regional em HIV”. Segundo ele, embora as ferramentas científicas para acabar com a aids já existam, muitas economias ainda enfrentam desafios relacionados à implementação das políticas públicas, ao estigma, ao financiamento e às barreiras legais que limitam o acesso aos serviços.
O plano foi estruturado em torno de seis pilares interligados, cada um voltado para áreas consideradas urgentes na resposta ao HIV. Os pilares apresentam os principais desafios enfrentados pelas economias da APEC e propõem ações práticas que podem ser adaptadas às diferentes realidades nacionais.
Entre as medidas recomendadas estão o fortalecimento das estratégias nacionais e dos mecanismos de financiamento, a revisão de leis e políticas que dificultam o acesso aos serviços de saúde, a ampliação de ferramentas de prevenção — como PrEP, PEP e preservativos —, além da melhoria dos sistemas de informação sobre HIV e do treinamento de profissionais de saúde para oferecer atendimento não discriminatório e centrado na pessoa.
O documento também estabelece metas comuns, mecanismos de monitoramento e indicadores para medir o progresso regional até 2031.
Para Eamonn Murphy, diretor regional do Unaids para Ásia-Pacífico, Europa Oriental e Ásia Central, o principal desafio atual não é científico, mas político e econômico.
“O desafio para acabar com a aids não é mais técnico. Temos as ferramentas. O desafio é sustentar a resposta em meio a pressões fiscais, transições nos sistemas de saúde e prioridades concorrentes”, afirmou Murphy. Segundo ele, o plano representa mais do que um compromisso político das economias da APEC com o fim da aids: trata-se de uma ferramenta prática para orientar decisões governamentais, priorizar o HIV nos orçamentos nacionais, direcionar recursos para prevenção e remover barreiras que ainda restringem o acesso aos serviços.
Na área da aids, a APEC apoia ações conjuntas em prevenção, testagem, acesso ao tratamento, fortalecimento dos sistemas de saúde, redução do estigma e desenvolvimento de políticas voltadas à proteção de populações vulneráveis e altamente móveis.
Redação da Agência de Notícias da Aids com informações



