Antes da AGNU, especialistas alertam: desigualdades ampliam vulnerabilidade do mundo a pandemias

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Às vésperas das Reuniões de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU (AGNU), em Nova York, especialistas de diferentes áreas se reuniram para discutir como as desigualdades sociais, econômicas e políticas estão deixando o mundo mais exposto a novas pandemias. O encontro do Conselho Global sobre Desigualdade, Aids e Pandemias foi co-presidido pelo economista e Prêmio Nobel Joe Stiglitz, pela ex-primeira-dama da Namíbia Monica Geingos e por Sir Michael Marmot, diretor do Instituto de Equidade em Saúde.

O grupo, que reúne economistas, sanitaristas e líderes governamentais atuais e anteriores de vários países, analisou os efeitos das crises governamentais, econômicas e sociais sobre a segurança sanitária mundial. A preocupação central é de que essas desigualdades estejam minando a capacidade global de prevenir e responder a surtos de doenças, tanto os atuais quanto os futuros.

A diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, que convocou o Conselho há dois anos, afirmou que o aprofundamento das desigualdades “é perigoso” e destacou a importância de evidências e políticas públicas para reduzir vulnerabilidades. “Criamos este Conselho com uma visão clara: coletar evidências, defender políticas e garantir ações necessárias para combater desigualdades que tornam surtos mais frequentes, aceleram a propagação de doenças e intensificam os impactos das pandemias”, afirmou.

Joe Stiglitz ressaltou que as regras globais injustas colocam todos em risco: “Quando alguns países ficam impossibilitados de proteger suas populações de pandemias, isso ameaça não apenas esses países, mas também todo o mundo”.

Para Monica Geingos, enfrentar desigualdades não é apenas uma questão ética, mas de segurança coletiva: “Combater a desigualdade e proteger os direitos de todos é do interesse de todos”. Já Michael Marmot enfatizou que nenhuma das desigualdades que comprometem a saúde pública é imutável: “Elas podem ser superadas com políticas e investimentos comprovados, desde que os líderes sigam as evidências”.

O Conselho apresentará em novembro, antes da cúpula do G20, uma síntese de dois anos de trabalhos. O documento abordará temas como crise da dívida, determinantes sociais da saúde, acesso a tecnologias de prevenção e resposta a pandemias, além do papel das organizações comunitárias no enfrentamento das vulnerabilidades globais.

Redação da Agência Aids com informações do Unaids

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