Amigos e ativistas prestam homenagem a Paulo Teixeira: visionário, sério e generoso não media esforços para o enfrentamento do HIV

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O médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira morreu na tarde deste sábado, deixando uma lacuna profunda na saúde pública brasileira e na história da luta contra a aids. Referência nacional e internacional, ele teve atuação decisiva na criação, na construção e na consolidação da resposta brasileira ao HIV, tornando-se um dos nomes mais respeitados dessa trajetória.

A notícia de sua morte provocou forte comoção entre amigos, profissionais da saúde, pesquisadores e ativistas. Nos depoimentos, além do reconhecimento à sua contribuição histórica, repetem-se as lembranças de um homem atencioso, elegante, educado e profundamente comprometido com a defesa da vida, dos direitos humanos e do Sistema Único de Saúde.

Paulo Roberto Teixeira deixa um legado que atravessa gerações e permanece inscrito nas políticas públicas, nas conquistas do movimento social e na vida de milhares de pessoas. A seguir, algumas das homenagens prestadas a ele:

Dra. Marinela Della Negra, presidenta da Associação de Auxílio à Criança Portadora de HIV: “São Paulo e o Brasil contaram com um colega que além de conhecimento tinha uma imensa força de luta pelo que acreditava”

O comportamento das Pandemias, Epidemias envolvem fatores que dependem do conhecimento e envolvimento dos responsáveis pela saúde e políticas públicas .
São Paulo e o Brasil contaram com um colega que além de conhecimento tinha uma imensa força de luta pelo que acreditava .
Paulo Teixeira e sem dúvida o grande responsável pelo programa de enfrentamento a Pandemia do HIV citado como exemplo e por todos ,os demais louros que temos colhido .
Saudades !

Eduardo Barbosa, Mopaids( Movimento Paulistano de Luta contra Aids) :” Sua contribuição ajudou a salvar vidas e a construir o legado de solidariedade.”

Mais do que um gestor, Dr. Paulo foi um defensor incansável dos direitos humanos das pessoas vivendo com HIV, combatendo o estigma e colocando o cuidado e a dignidade no centro da política pública. Sua contribuição ajudou a salvar vidas e a construir o legado de solidariedade que ainda hoje orienta a resposta brasileira à AIDS.

Américo Nunes, Instituto Vida Nova: ” Um ser humano cuja trajetória foi inteiramente dedicada na luta contra a Aids à defesa do próximo.”

Eu tive o privilégio de conhecer o Dr. Paulo Teixeira no início Programa Estadual de Aids (atual CRT/Aids) e o hoje nos despedimos não apenas de um grande profissional, mas de um ser humano cuja trajetória foi inteiramente dedicada na luta contra a Aids à defesa do próximo. A partida do Dr. Paulo Roberto Teixeira deixa uma lacuna imensa na história da Aids, na saúde pública e no coração de todos que acompanharam sua luta incansável.
Ele nos ensinou, na prática e na linha de frente, que o cuidado e a ciência devem caminhar de mãos dadas com a compaixão. Sua dedicação histórica e pioneira no combate ao HIV/Aids não apenas transformou políticas globais, mas resgatou a esperança de uma geração inteira. Sua trajetória nos lembra diariamente que cada vida importa, cada pessoa merece dignidade. Esse foi o pilar de sua missão, garantindo que os mais vulneráveis fossem vistos, respeitados e tratados com a urgência que a vida exige. O luto que sentimos hoje se transforma em profunda gratidão por um legado que transcende o tempo. Que sua coragem, sua resiliência e sua visão inabalável de um mundo mais justo e humano permaneçam vivas em nossa memória e em nossas ações.
Nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e colegas. Que seu descanso seja sereno, com a certeza de que sua obra e seu amor pela vida são verdadeiramente imortais.

Luiz Loures, ex-vice diretor executivo do UNAIDS,ex-Secretario Geral Assistente das Nações Unidas: “Ele liderou um movimento que de forma inédita uniu profissionais de saúde, pacientes e ONGs para oferecer assistência digna e nao discriminação como pilares da resposta à pandemia.”

” Para entender a importância do Paulo Teixeira temos que voltar ao início dos anos 80. Não existia tratamento e predominava a falta de conhecimento e a discriminação em relação an Aids. Eram tempos duros . As organizações internacionais e países desenvolvidos consideravam que responder à AIDS poderia comprometer outros programas de saúde. O Paulo era então um jovem médico atuando em São Paulo. Ele liderou um movimento que de forma inédita uniu profissionais de saúde, pacientes e ONGs para oferecer assistência digna e nao discriminação como pilares da resposta à pandemia. Foi este movimento que construiu as bases para que nos anos 90 o tratamento da AIDS se tornasse uma opção realista para os países em desenvolvimento. Recordo uma reunião de países em Genebra nesta época onde o Paulo foi o único na sala a defender que era viável tratar em escala mundial. A resistência era grande pelos custos e claro porque a pandemia afetava predominantemente países no Sul. A realidade do acesso universal à tratamento hoje , onde o Brasil segue sendo um exemplo, tem uma história única em saúde pública. A complexidade da pandemia de AIDS coloca riscos a generalizações mas não tenho dúvidas de afirmar que o Paulo Teixeira no Brasil e mais tarde como diretor do Programa de AIDS da Organização Mundial da Saúde foi o agente iniciador desta história”.

Dra. Rosana Del Bianco, médica infectologista, Diretora da internação do CRT/Aids de SP de São Paulo :
“Paulo sem dúvida nenhuma foi um desbravador um vitorioso

Paulo Roberto Teixeira visionário corajoso era um médico dermatologista da Secretaria Estadual de São Paulo nos anos 80 quando nos Estados Unidos apresentaram os primeiros casos de uma doença fatal que atingia principalmente homens que fazia sexo com homens. Em 1982 Paulo resolveu lutar contra os preconceitos e sobre a peste gay e o câncer gay, denominação dessa nova doença E abriu as portas da dermatologia sanitária para um ambulatório onde se misturou os pacientes com Hansen com os portadores do HIV. Lembrando que nesta época não havia teste do HIV nem o reconhecimento do vírus que posteriormente foi identificado como HTLV1 e dois. Trabalhava assiduamente 24h00 por dia com a porta aberta a todos aqueles que o procurasse. Lutou pela abertura de leitos hospitalares Todos os hospitais naquele momento negavam internar pacientes com HIV, abriu na Secretaria de Saúde uma central de leitos para AIDS. As casas de apoio teve inclusive o reconhecimento da Brenda Lee na abertura de uma casa de de apoio sendo como diretora como apoio da Brenda abriu as portas para população geral para informação da doença espalhou os conhecimentos por todo o estado de São Paulo e se tornou o primeiro coordenador estadual da AIDS . Lutou pelos remédios do AZT principalmente porque se achava que o medicamento era muito caro e que no Brasil nunca iria se que ter esse nunca iria conseguir dar esse medicamento a todos aqueles que necessitassem E lutou pela quebra das patentes para diminuição dos custos dos medicamentos. Por um movimento político, nos anos 80, ele foi removido da função de coordenador estadual do programa de AS de São Paulo e a partir daí ele foi ao Ministério da Saúde no programa de AS no Ministério da Saúde ele continua a sua tarefa em trabalhar com as prevenções principalmente nos usuários de droga abrindo sempre as portas para as organizações sociais se tornou um coordenador nacional de DST do Ministério da Saúde e consequentemente na sua vida de luta ele foi parar na OMS onde ajudou principalmente os países africanos com suporte e a sabedoria. Paulo sem dúvida nenhuma foi um desbravador um vitorioso e parte de um conceito da sua humildade como médico, como uma pessoa e como grande lutador. Vá em paz meu amigo.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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