América Latina em foco na HIVR4P: Inovações e desafios no caminho para a erradicação do HIV

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Na sessão “Latin America in the spotlight: Caminos to zero,” realizada no dia 8 de outubro durante a 5ª Conferência de Pesquisa para Prevenção do HIV (HIVR4P), a América Latina esteve no centro das discussões, destacando inovações e desafios no caminho para a erradicação do HIV na região. Moderada por Pedro Cahn, da Fundación Huésped (Argentina), e Brenda Hoagland, da Fiocruz (Brasil), a sessão foi uma oportunidade para explorar políticas e intervenções que estão moldando a resposta ao HIV em diferentes contextos latino-americanos.

Um dos principais temas abordados foi a inovação nas políticas de prevenção, com destaque para a implementação da PrEP (profilaxia pré-exposição), uma ferramenta essencial na redução das novas infecções pelo HIV. No entanto, os especialistas alertaram para a necessidade de ampliar o acesso a essa prevenção para populações mais vulneráveis, como mulheres cisgêneras e comunidades indígenas, que muitas vezes são deixadas de fora das políticas públicas de saúde. Os desafios na erradicação do HIV na região também foram amplamente discutidos.

Estigma e discriminação como barreiras

O estigma e a discriminação continuam sendo grandes barreiras ao acesso a serviços de saúde e tratamento adequado, especialmente para pessoas trans e trabalhadores sexuais. A marginalização desses grupos contribui para a invisibilidade dessas populações nas políticas de prevenção e tratamento, o que impede avanços mais rápidos na luta contra a epidemia.

A interseção entre populações indígenas e a resposta ao HIV também foi um ponto central da discussão. Essas comunidades enfrentam obstáculos únicos, como o isolamento geográfico e a falta de infraestrutura de saúde adequada, além do preconceito. Houve um consenso sobre a importância de se desenvolver políticas de saúde que sejam culturalmente sensíveis e que respeitem as especificidades dessas populações, com o objetivo de garantir que elas tenham acesso a serviços de prevenção e tratamento eficazes.

Estratégias integradas baseadas em direitos humanos

A sessão reforçou a urgência de estratégias integradas e baseadas nos direitos humanos para enfrentar o HIV na América Latina, levando em conta a diversidade cultural, social e econômica da região. O caminho para a erradicação do HIV exige uma abordagem inclusiva, que envolva todos os segmentos da sociedade e que seja sensível às vulnerabilidades de populações historicamente excluídas.

Pedro Cahn, da Fundación Huésped, e Brenda Hoagland, da Fiocruz, ressaltaram a necessidade de estratégias mais inclusivas e políticas de saúde mais robustas para atingir o objetivo de erradicação do HIV na região.

Pedro Cahn destacou a importância de se abordar as barreiras estruturais que impedem o avanço das políticas de prevenção, como o acesso desigual à PrEP e o estigma persistente em torno do HIV. Ele afirmou que “precisamos garantir que as populações mais vulneráveis, como as mulheres e as comunidades indígenas, não sejam deixadas para trás nas políticas públicas de saúde.”

Brenda Hoagland também enfatizou a necessidade de inovações nas ferramentas de prevenção, citando como exemplo os avanços no uso de injetáveis de longa duração e anticorpos amplamente neutralizantes (bnAbs). Ela destacou que “essas inovações podem mudar o cenário de prevenção, mas precisamos garantir que sejam acessíveis a quem mais precisa, incluindo mulheres cisgêneras e trabalhadores sexuais, que muitas vezes enfrentam obstáculos para acessar esses serviços.”

Um chamado à ação

A sessão reforçou a urgência de eliminar as disparidades de acesso e focar em soluções específicas para as populações mais vulneráveis da região, como os povos indígenas e a população trans, que ainda enfrentam estigmatização e discriminação nos serviços de saúde. Ambos os moderadores concordaram que, embora haja progresso, o caminho para a erradicação do HIV na América Latina requer um esforço coordenado entre governos, comunidades e organizações internacionais. Além destes temas, o grande destaque desta plenária foi a apresentação da cidade de São Paulo, que roubou todas as atenções em Lima.

Fabi Mesquita Guarani, especial para a Agência Aids

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