11/03/2007 – 15h30
Janice Chencinski, nutricionista do Programa Municipal de DST/Aids da capital paulista; Adriana Aros, coordenadora do debate (e integrante da Associação LAR); Valvina Adão, psicóloga do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo. O trio compôs a última mesa do I Encontro Estadual e Municipal de Cidadãs Posithivas de São Paulo
Alimentação saudável e exercícios físicos regulares. Essas são as duas maneiras de prevenir e combater a lipodistrofia, um dos efeitos colaterais da medicação anti-retroviral. A recomendação é da psicóloga Valvina Madeira Adão, do Programa Estadual de DST/Aids São Paulo, e da nutricionista Janice Chencinski, do Programa Municipal de DST/Aids da capital paulista. As duas comandaram, na manhã deste domingo (11/03), o último debate do I Encontro Estadual e Municipal de Cidadãs Posithivas de São Paulo. A lipodistrofia provoca alterações físicas, como o acúmulo de gordura na região da cintura, nos soropositivos que se utilizam do coquetel. Nem todos sofrem esses efeitos, mas em muitos daqueles que aderem ao tratamento, acontece uma redistribuição da gordura corporal.
Intitulada “Nutrição e Distrofia”, a exposição teve início com a palestra da nutricionista Janice Chencinski. “Nós atuamos no estilo de vida da pessoa. Não é só o que ela come, mas como ela vive”, explica Chencinski.
Durante a sua palestra, a nutricionista do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, que trabalha no SAE Campos Elíseos, distribuiu um questionário intitulado “SUA ALIMENTAÇÃO É SAUDÁVEL?”. No texto, entre outras, a pergunta abaixo:
1 – Como está o seu peso atual?
a) Meu peso é adequado e procuro mantê-lo
b) Estou abaixo do peso adequado e acho que poderia me alimentar melhor
c) Estou acima do peso adequado e tenho dificuldade em diminuí-lo
d) Estou acima do peso adequado e não consigo manter uma rotina alimentar adequada
Ao todo, o questionário trazia 10 perguntas, cada uma com quatro alternativas (de “a” até “d”). O número de vezes que o indivíduo optar por cada letra, deve ser multiplicado por 1, 2, 3 ou 4 vezes (de acordo com a opção escolhida): A (multiplica-se uma vez), B (multiplica-se duas vezes) e assim por diante (até a letra D).
De 10 a 18 pontos, considera-se que a pessoa tem uma alimentação saudável. De 28 a 40, significa que os hábitos alimentares da pessoa são ruins, que devem ser alterados, ou ela corre o risco de “desenvolver algumas doenças.”
O teste, de acordo com nutricionista Janice Chencinski, tem como função “avaliar” os hábitos alimentares de cada pessoa. Em seguida, ela discorre sobre algumas “recomendações gerais”, ou seja, dicas que podem auxiliar aos pacientes que utilizam a medicação anti-retroviral. Por exemplo: evitar álcool, manter o peso adequado, diminuir a ingestão de açúcar (e sal), consumir verduras, legumes e frutas.
“A nutricionista tem como meta, função, individualizar o atendimento de cada pessoa”, ressalta Janice Chencinski, esclarecendo que a dieta mais recomendável para cada indivíduo, depende de uma avaliação pessoal. Para combater os efeitos da lipodistrofia, explica a nutricionista, faz-se necessária uma “abordagem multiprofissional”, que trata das questões psíquicas, físicas, sociais e nutricionais.
Após a conclusão da representante do Programa Municipal de DST/Aids da capital paulista, uma das ativistas presentes lembrou que, infelizmente, nem todos os soropositivos podem se alimentar adequadamente, por razões sócio-econômicas bem conhecidas.
SÍNDROME LIPODISTRÓFICA
Assim como sua colega de mesa, a psicóloga Valvina Madeira Adão, do Programa Estadual de DST/Aids São Paulo, também acredita que tratamento da lipodistrofia é “interdisciplinar”, ou seja, deve reunir profissionais de várias áreas. Para preveni-la: exercícios físicos e alimentação adequada. Para revertê-la (ainda que não totalmente): intervenções cirúrgicas. Por exemplo, a psicóloga citou as operações de “lipoaspiração da parede abdominal” e o “preenchimento facial com tecido gorduroso.” De acordo Valvina Madeira Adão, já existem “cirurgiões treinados para fazer isso”.
Após a palestra da psicóloga ligada ao governo estadual de São Paulo, a direção do evento explicou que o Hospital de Heliópolis, em São Paulo, realiza esse tipo de intervenção cirúrgica. Para ter mais informações sobre esse trabalho, basta ligar para o seguinte número: (0XX11) 6914-8611. Umas das presentes exibiu o abdômen definido, resultante de uma operação realizada no local, e foi bastante aplaudida pelas demais.
Após as palestras, as presentes tiraram dúvidas e falaram sobre os problemas ocasionados pela lipodistrofia. Em seguida, foi realizada uma espécie de “sarau”, momento no qual as ativistas leram poesias, fizeram homenagens e desferiram críticas. Uma das cidadãs posithivas leu uma carta cobrando “as autoridades”. Ela pediu empenho dos gestores públicos em defesa dos direitos das crianças, sobretudo as soropositivas.
Léo Nogueira



