AIDS NO MUNDO: ESTUDO REVELA QUE A NEVIRAPINA PODE SER USADA PARA EVITAR TRANSMISSÃO VERTICAL SEM QUE O HIV DESENVOLVA RESISTÊNCIA. SISTEMA CARCERÁRIO NORTE-AMERICANO É INEFICAZ NA PREVENÇÃO À AIDS

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11/1/2007 – 12h30

Conheça algumas das notícias que são destaque nesta quinta-feira, 11, na imprensa internacional. Três organizações se unem para realizar evento beneficente esta noite, em Nova York, com o objetivo de angariar fundos para a luta contra a Aids na Índia. Estudo revela que gestantes soropositivas sob o risco de desenvolver resistência à nevirapina, quando submetidas à dose da droga para prevenir a transmissão vertical, podem continuar a usar o remédio sem problemas, se atrasarem o início do tratamento para seis meses após o parto. E o sistema carcerário norte-americano continua deixando a desejar em relação à prevenção às DST/Aids. Leia a seguir.

Um novo estudo revelou que mulheres grávidas soropositivas podem tomar o medicamento anti-Aids nevirapina para proteger seus filhos da transmissão vertical, sem comprometer um tratamento posterior com a drogar. A notícia está na edição desta quinta-feira, 11, do New York Times. Os resultados são um alento para mulheres pobres da África, Ásia e América Latina que precisam tomar a nevirapina, um remédio de primeira linha de baixo custo usado para prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho. A droga permanece no sangue até três semanas e, se a mãe é portadora do HIV, a sua presença estimula o crescimento de cepas resistentes do vírus. Isto tem despertado temores de que qualquer coquetel anti-retroviral contendo a nevirapina seria ineficaz para tratar essas mulheres após o nascimento de seus filhos, comprometendo a utilização de toda uma categoria de medicamentos de primeira linha.

No entanto, o novo estudo realizado por pesquisadores de Harvard trabalhando em Botsuana revelou que o coquetel continua sendo eficaz se as mulheres simplesmente esperarem seis meses após tomarem a dose preventiva para começar o tratamento. Nos países desenvolvidos, as gestantes soropositivas geralmente recebem um tratamento curto de dois ou três anti-retrovirais no final da gravidez para impedir a transmissão vertical, e agora são raras as infecções deste tipo no ocidente. Mas nos países pobres, muitas mulheres dão à luz sem fazer pré-natal ou só vão ao hospital quando já estão em trabalho de parto e os médicos acabam não tendo opção, a não ser ministrar uma dose única de nevirapina, apesar de ser um medicamento que está longe da perfeição: o uso prolongado é tóxico para o fígado e pode causar erupções na pele. E o HIV só precisa sofre uma única mutação para desenvolver resistência a ela.

“Sexo, drogas, presídios e o HIV” é o título de um longo artigo publicado no New England Journal of Medicine. O texto conta que as práticas de testagem, aconselhamento e cuidados médicos para o HIV da penitenciária de Rhode Island, nos Estados Unidos, são incluídas entre as melhores por especialistas de saúde pública do país. Ainda assim, segundo as normas internacionais para a redução da transmissão do HIV dentro de presídios, todo o sistema penitenciário norte-americano não alcança os objetivos. Reconhecendo que, mesmo proibido, o sexo ocorre dentro dos presídios, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (UNAIDS) vêm recomendando por mais de dez anos que os detentos tenham acesso a material de limpeza para utensílios usados para uso de drogas injetáveis, que sejam oferecidos programas de tratamento de dependência de drogas e de fornecimento de metadona e que sejam considerados programas de distribuição de seringas. Penitenciárias de vários países europeus e da Austrália, Canadá, Indonésia, Moldóvia e Irã adotaram algumas destas práticas de redução de danos com resultados amplamente satisfatórios.

Nos Estados Unidos, são distribuídas camisinhas de forma limitada em apenas dois sistemas penitenciários estaduais (Vermont e Mississipi) e em cinco presídios municipais (Nova York, Filadélfia, São Francisco, Los Angeles e Washington,DC). Os programas de metadona ainda são raros e nenhuma penitenciária norte-americano tem um programa de troca de seringas. A população prisional dos Estados Unidos atingiu números recordes – no final de 2005, mas de 2,2 milhões de adultos estavam encarcerados, segundo o Departamento de Justiça. A prevalência do HIV entre os presidiários é de 1,8%, mais que quatro vezes o índice da população geral. O índice de casos confirmados de Aids também é substancialmente maior. Estima-se que todo ano, cerca de 25% de todas as pessoas portadoras do HIV nos Estados Unidos cumprem pena em alguma unidade correcional, assim como 33% de pessoas portadoras do vírus da hepatite C (HCV) e 40% daqueles com tuberculose ativa. Autoridades da área de segurança pública do país acreditam que fornecer preservativos aos detentos passaria uma mensagem confusa, de que o sexo, consensual ou não, é tolerado.

Três organizações com sede nos Estados Unidos formaram uma coalizão para levantar urgentemente fundos para programas que atendam às necessidades de mulheres e famílias afetadas pelo surgimento da epidemia da Aids na Índia, informa o Medical News Today, do Reino Unido. O evento “A Night for Índia” foi organizado conjuntamente pelo Aids Project Los Angeles (APLA), pela América India Foundation (AIF) e pelo U.S. – Índia Business Council (USIBC) para combinar suas habilidades de levantar fundos com sua experiência de financiar importantes programas para deter a proliferação do HIV e apoiar os soropositivos e suas famílias. O evento inclui um jantar “black-tie” no Avery Fisher Hall, em Nova York, esta noite e um coquetel após um concerto da filarmônica da cidade, regida pelo maestro Zubin Mehta, um dos co-anfitriões da noite beneficente. A Índia tem o maior índice de infecções pelo HIV no mundo, somando 5,7 milhões de pessoas vivendo com o vírus, segundo dados do UNAIDS.

Fonte: Today’s News

Redação e tradução: Maurício Barreira

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