Evento reunirá milhares de pesquisadores, gestores, ativistas e representantes da sociedade civil no Rio de Janeiro para discutir os desafios da resposta ao HIV, às ISTs, à tuberculose e às hepatites virais em um cenário marcado por cortes de financiamento e novas metas globais.
A América do Sul sediará, pela primeira vez, o maior encontro mundial dedicado à resposta ao HIV. Entre os dias 26 e 31 de julho, o Rio de Janeiro receberá a Conferência Internacional sobre Aids (Aids 2026), evento que reunirá milhares de pesquisadores, profissionais de saúde, gestores públicos, representantes de organismos internacionais, lideranças comunitárias e integrantes da sociedade civil para discutir os rumos da prevenção, do tratamento e da pesquisa científica em HIV, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), tuberculose e hepatites virais.
Realizada em formato híbrido, com participação presencial e virtual, a conferência terá como tema “Repensar, Reconstruir e Ascender”, refletindo a necessidade de fortalecer a resposta global ao HIV diante de desafios como a redução do financiamento internacional, as desigualdades no acesso aos serviços de saúde e a necessidade de acelerar o cumprimento das metas para eliminar a Aids como ameaça à saúde pública.
Promovida pela Sociedade Internacional de Aids (IAS), a 26ª edição do evento conta com apoio do Ministério da Saúde, da Fiocruz, da Prefeitura do Rio de Janeiro e de organizações da sociedade civil. A conferência será presidida pela pesquisadora da Fiocruz Beatriz Grinsztejn e deverá reunir algumas das principais autoridades mundiais na área, incluindo representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ao longo de seis dias, a programação reunirá sessões científicas, apresentação de pesquisas inéditas, workshops, exposições de trabalhos, fóruns de debate e espaços de intercâmbio entre especialistas, além de encontros voltados à construção de estratégias para ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento em diferentes regiões do mundo.
Brasil no centro da resposta global
Mais do que sediar a conferência, o Brasil pretende apresentar ao mundo experiências consideradas estratégicas para o enfrentamento do HIV e das hepatites virais.
Durante o evento, o Ministério da Saúde destacará iniciativas que reforçam o protagonismo brasileiro na resposta à epidemia, entre elas a eliminação da transmissão vertical do HIV — da mãe para o bebê — e a redução de 13% no número de mortes por Aids. A pasta também apresentará políticas voltadas à ampliação do acesso ao diagnóstico, à prevenção combinada, ao tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e à defesa da ciência e dos direitos humanos como pilares da resposta à epidemia.
Cooperação internacional e debates de alto nível
A Aids 2026 também será palco de importantes agendas diplomáticas e encontros internacionais voltados à cooperação entre países.
Estão previstos encontros bilaterais e sessões de alto nível para discutir estratégias conjuntas de enfrentamento do HIV, das ISTs, da tuberculose e das hepatites virais. Entre os destaques da programação estão a retomada da cooperação entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a cerimônia oficial de abertura da conferência, a celebração dos 20 anos da Unitaid e um evento especial em alusão ao Dia Mundial das Hepatites Virais, organizado pelo Governo do Brasil em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Fiocruz amplia participação científica
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) terá presença expressiva durante toda a conferência, com estandes institucionais, apresentação de pesquisas e participação em debates científicos sobre prevenção, desenvolvimento de novas tecnologias, perspectivas para a cura do HIV e ampliação do acesso aos tratamentos.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), de Bio-Manguinhos e de Farmanguinhos estarão entre os representantes da instituição nas atividades acadêmicas e técnicas.
Arte ocupa as ruas para ampliar conscientização
Além das atividades científicas, a Aids 2026 aposta na cultura como ferramenta de mobilização social.
Como parte da preparação para o evento, a Fiocruz e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) firmaram uma parceria inédita para levar a discussão sobre HIV para os espaços públicos. Com curadoria do museu, o artista Guerreiro do Divino Amor desenvolveu uma obra digital especialmente comissionada para a conferência.
A instalação será exibida em mobiliários urbanos espalhados pela cidade do Rio de Janeiro, buscando ampliar o debate público sobre o HIV, combater o estigma e aproximar a população das discussões promovidas durante a conferência.
Global Village abre espaço para a sociedade
Embora parte da programação seja destinada aos participantes inscritos, a conferência também contará com atividades abertas ao público por meio do Global Village, espaço dedicado à interação entre movimentos sociais, organizações comunitárias, pesquisadores e visitantes.
A área reunirá workshops, apresentações culturais, exposições e debates sobre direitos humanos, diversidade, prevenção e enfrentamento do estigma relacionado ao HIV.
Relatório global deve apontar impactos dos cortes de financiamento
Entre os momentos mais aguardados da programação paralela está o lançamento do novo Relatório Global sobre Aids, elaborado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).
O documento apresentará dados atualizados sobre a epidemia em diferentes países, avaliará o progresso das metas internacionais e analisará os impactos provocados pela redução do financiamento destinado à resposta global ao HIV, tema que tem mobilizado governos, pesquisadores e organizações da sociedade civil diante do risco de retrocessos nos avanços conquistados nas últimas décadas.
Serviço
Conferência Internacional sobre Aids (Aids 2026)
Data: 26 a 31 de julho de 2026
Local: Centro de Convenções Riocentro, Rio de Janeiro



