
Nesta segunda-feira, em uma coletiva de imprensa realizada em Munique, Alemanha, o Unaids divulgou seu mais recente estudo sobre a resposta global à aids, intitulado “A Urgência do Agora: a Aids em uma Encruzilhada”. Durante o evento, Winnie Byanyima, diretora executiva da Unaids e Subsecretária-Geral das Nações Unidas, abordou a necessidade urgente de garantir os direitos humanos e o acesso ao tratamento antirretroviral para pessoas vivendo com HIV, especialmente frente à crescente ameaça de políticas conservadoras e moralistas ao redor do mundo.
Byanyima destacou a preocupação com o avanço de movimentos bem financiados e organizados que são contra os direitos humanos, a igualdade de gênero e a democracia. “Primeiro, temos que entender contra o que estamos lutando e por que esses movimentos se fortaleceram. Eles ganharam força em reação à união das forças progressistas. Feministas que lutam pela igualdade de gênero se envolveram em outras lutas, como as pelos direitos LGBTQ+. Elas começaram a ser mais interseccionais, não veem o gênero como binário”, afirmou.
Byanyima foi enfática ao condenar as políticas repressivas, como as propostas pelo governo do presidente Javier Milei. “Temos que desafiar as políticas dos governos, como esta recente na Argentina, que privilegiam os ricos e poderosos e prejudicam os pobres”. Byanyima apontou que tais políticas não apenas marginalizam ainda mais as pessoas vivendo com HIV, mas também dificultam o acesso ao tratamento e à prevenção.
A diretora executiva do Unaids também ressaltou a alarmante situação das meninas entre 10 e 19 anos, particularmente na África Subsaariana, onde as taxas de infecção pelo HIV continuam elevadas e são duas vezes maiores que as dos meninos na mesma faixa etária. “A violência de gênero e as altas taxas de infecção pelo HIV em meninas são uma crise que precisa de nossa atenção imediata. Estamos no terreno, trabalhando com comunidades, com feministas, com aqueles que lutam pelo direito à educação das meninas, e com aqueles que combatem as leis punitivas”, afirmou Byanyima.
Em suas considerações finais, Byanyima sublinhou a importância da organização e mobilização das forças progressistas para enfrentar esses desafios. “Minhas soluções são sempre sobre construir o poder do povo. É isso que precisamos fazer. E no Unaids, é o que fazemos de melhor. Unimos forças e ajudamos as pessoas a levantarem suas vozes e a desafiarem as injustiças”, concluiu. O relatório “A Urgência do Agora” chama a atenção para a necessidade de ações baseadas em evidências e da colaboração global para alcançar as metas de erradicação da aids até 2030.
Marina Vergueiro (marina@agenciaaids.com.br)
Foto: Oliver Kornblihtt/Mídia NINJA
* A Agência de Notícias da Aids cobre esta edição da Conferência com o apoio do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), do Ministério da Saúde, e da Coordenadoria Municipal de IST/Aids de São Paulo. Os portais jornalísticos IG, Catraca Livre e a EBC – Empresa Brasil de Comunicação, receberão informações sobre o evento.


