
Com muita arte e intervenções, na tarde deste domingo (21), foram oficialmente iniciadas em Munique as atividades do Global Village. Este é o espaço da Conferência de Aids dedicado aos ativistas do mundo todo, que se reúnem para apresentar suas inovações, experiências e reivindicações.
Na abertura, o ativista e pesquisador brasileiro Veriano Terto, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), junto com outros importantes defensores das pessoas vivendo com HIV/aids, celebrou os avanços e discutiu os desafios contínuos na luta contra a aids. Eles também debateram estratégias de atuação, pensando no futuro e na sustentabilidade do ativismo. Veriano destacou a América Latina, mencionando especialmente o Brasil como exemplo de resistência à discriminação. “Entende-se que o continente perdido é a Antártica, mas, na verdade, é a América Latina. A América Latina é geralmente, e infelizmente, muito sub-representada nas arenas internacionais sobre aids e saúde global”, lamentou, enfatizando a necessidade de olhar para os latino-americanos para enfrentar o estigma e a discriminação, além de garantir o acesso universal aos medicamentos.

Segundo ele, não houve avanço significativo no acesso à Terapia Antirretroviral. “Apesar de mais de 30 anos dedicados ao tratamento, o acesso universal ainda não é uma realidade para todos que necessitam. Cerca de 10 milhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso aos antirretrovirais, e o financiamento é escasso. Este é um problema global. Era um problema na década de 1990 e continua sendo em 2023, especialmente para os países em desenvolvimento e para os trabalhadores de comunidades no ativismo e na defesa de direitos”, afirmou. Ele acrescentou: “Às vezes, há dinheiro para substituir as tecnologias mais recentes, mas queremos recursos para realmente mudar as coisas. Podemos conseguir isso através do ativismo e da defesa de direitos.”

Para o ativista, isso se reflete também através da solidariedade. Veriano Terto ressaltou que a solidariedade é essencial, mas ainda representa um desafio devido à falta de ações consistentes.
Alexandra Volgina, dos Países Baixos (Holanda), enfatizou a importância de uma educação política contínua para enfrentar a aids como uma ameaça à saúde pública global. “Precisamos ensinar as pessoas a identificar os políticos populistas em quem não devemos votar e o que é importante para nós”, disse, mencionando os erros cometidos pelos países europeus ao longo da história da humanidade e da aids. Nesse sentido, Volgina destacou a necessidade de repensar as estratégias políticas no combate ao HIV e à aids.

Priscilla Ama Addo, ativista de Gana, ressaltou as prioridades das juventudes na luta contra o HIV e destacou a importância de envolver os jovens como líderes ativos e protagonistas. “É crucial envolver os jovens não apenas como participantes ou delegados, mas como líderes ativos em suas comunidades, programas e iniciativas. Isso envolve capacitá-los efetivamente e orientá-los. Como estamos fazendo isso?”provocou.
“Há movimentos notáveis como o Ready Movement, Vibrant Young Voices e United Movement, que mobilizam jovens globalmente para defenderem seus direitos, serem empoderados e participarem de maneira significativa em espaços como este, onde estou presente. Portanto, é essencial não categorizar os jovens de forma uniforme. Devemos reconhecer suas diversas necessidades, que exigem abordagens variadas. Ao convidá-los para tais espaços, é crucial que seu engajamento seja cuidadosamente considerado”, complementou.

Florian Suldinger, um comunicador em HIV/aids de Berlim, Alemanha, compartilhou sua experiência pessoal e ativismo em relação ao HIV. “Lembro-me de ter recebido meu diagnóstico em 2001. Vindo de um contexto onde o medo e o uso de preservativos dominavam, o estigma que eu próprio sentia foi provavelmente o mais doloroso”, contou, destacando que agora viaja pelo país compartilhando sua história para inspirar outras pessoas a viverem plenamente, independentemente do diagnóstico positivo.
Kéren Morais – keren@agenciaaids.com.br
* A Agência de Notícias da Aids cobre esta edição da Conferência com o apoio do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), do Ministério da Saúde, e da Coordenadoria Municipal de IST/Aids de São Paulo. Os portais jornalísticos IG, Catraca Livre e a EBC – Empresa Brasil de Comunicação, receberão informações sobre o evento.


