Acordo anunciado durante a AIDS 2026 aposta na expansão da testagem, no fortalecimento do cuidado e na cooperação regional para reduzir mortes evitáveis relacionadas ao HIV até 2030
Em um momento em que a comunidade internacional busca acelerar o cumprimento da meta de eliminar a aids como ameaça à saúde pública até 2030, a AIDS Healthcare Foundation (AHF) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciaram uma nova colaboração estratégica para fortalecer a resposta ao HIV na América Latina e no Caribe.
O acordo, divulgado nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro, tem como foco ampliar o diagnóstico precoce do HIV, aproximar os testes das populações mais vulneráveis e fortalecer todas as etapas do cuidado, desde a vinculação aos serviços de saúde até o início oportuno do tratamento antirretroviral e a permanência das pessoas em acompanhamento.
A iniciativa foi apresentada pela Dra. Adele Benzaken, Diretora Médica Global Sênior da AHF, durante a sessão satélite “Testando e reconectando ao cuidado do HIV na América Latina e no Caribe”, realizada dentro da programação organizada pela OPAS sob o tema “A Última Milha para a Eliminação: Reduzindo a Mortalidade por Doença Avançada do HIV”.
A sessão reuniu representantes de governos, comunidades, organismos internacionais, academia e parceiros estratégicos para discutir ações capazes de acelerar o enfrentamento das principais lacunas que ainda impedem o controle da epidemia na região. O objetivo é impulsionar iniciativas coordenadas que contribuam para alcançar a meta de zero mortes relacionadas à aids até 2030.
Diagnóstico precoce como prioridade
Embora a região tenha registrado avanços importantes na resposta ao HIV nas últimas décadas, o diagnóstico tardio, as interrupções no cuidado e as dificuldades para manter as pessoas em tratamento continuam sendo fatores determinantes para a mortalidade evitável.
Diante desse cenário, a parceria entre AHF e OPAS pretende transformar recomendações técnicas e evidências científicas em ações concretas de implementação nos países latino-americanos e caribenhos.
Entre as prioridades estão o fortalecimento de modelos diagnósticos diferenciados e inovadores, incluindo estratégias de autoteste e serviços baseados em redes comunitárias; a melhoria da vinculação e da retenção das pessoas nos serviços de saúde; a integração entre prevenção, diagnóstico e atendimento às infecções sexualmente transmissíveis; e a produção de evidências que permitam identificar e ampliar as intervenções de maior impacto.
“Fechar as lacunas restantes na resposta ao HIV exige muito mais do que ferramentas eficazes – precisamos garantir que elas cheguem às pessoas que precisam, no momento certo e de uma forma que responda às realidades de cada país e comunidade”, disse a Dra. Adele Benzaken.
“A colaboração entre a AHF e a OPS representa uma oportunidade para combinar expertise em implementação, inovação e cooperação técnica com uma perspectiva regional, acelerando assim nosso progresso rumo à eliminação do HIV nas Américas.”
Cooperação regional para enfrentar desafios comuns
Um dos pilares da colaboração é justamente ampliar a articulação entre os países da América Latina e do Caribe.
Segundo as organizações, embora cada país apresente características próprias, os principais desafios da resposta ao HIV são semelhantes: ampliar o diagnóstico, garantir a continuidade do cuidado, reduzir perdas no acompanhamento e alcançar populações que ainda permanecem fora dos serviços de saúde.
Nesse contexto, fortalecer mecanismos de cooperação regional permitirá compartilhar experiências, acelerar o aprendizado entre os países, ampliar capacidades técnicas e adaptar estratégias bem-sucedidas às diferentes realidades nacionais.
A proposta também busca consolidar um ambiente permanente de intercâmbio de boas práticas, favorecendo que inovações implementadas em um país possam ser rapidamente incorporadas em outros contextos da região.
“Avançar para a eliminação do HIV exige um esforço coletivo e a implementação acelerada de intervenções que tenham resultados comprovados, com as pessoas e a comunidade no centro da resposta”, disse a Dra. Mónica Alonso Gonzalez, chefe da Unidade de HIV/ISTs, Tuberculose, Hepatite Viral e Malária da OPS.
“A colaboração com a AHF fortalecerá estratégias focadas em expandir o diagnóstico precoce, melhorar a continuidade do cuidado e facilitar a troca de experiências, contribuindo para trazer soluções eficazes em maior escala na região.”
Transformar evidências em impacto
A parceria prevê a implementação de intervenções prioritárias em países selecionados, combinadas com ações de cooperação técnica regional e fortalecimento de capacidades institucionais.
A expectativa é que a experiência acumulada em diferentes contextos nacionais seja transformada em conhecimento compartilhado, fortalecendo a resposta regional ao HIV e acelerando a adoção de estratégias que já demonstraram resultados positivos.
Para a AHF, alcançar a eliminação do HIV exige uma resposta integrada que combine ações locais, liderança nacional e mecanismos sólidos de cooperação internacional. A organização avalia que o trabalho conjunto com a OPAS permitirá reduzir a fragmentação entre os países, conectar experiências bem-sucedidas e acelerar a adoção de soluções capazes de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Com a assinatura da colaboração, AHF e OPAS reafirmam o compromisso de construir uma resposta ao HIV mais acessível, equitativa, inovadora e centrada nas pessoas, reforçando a cooperação regional como uma estratégia fundamental para superar as desigualdades que ainda persistem na América Latina e no Caribe.
Redação da Agência de Notícias da Aids com informações
* A equipe da Agência de Notícias da Aids cobre a AIDS 2026 com o apoio do Senac São Paulo e da Coordenadoria de IST/Aids da cidade de São Paulo.



