AHF chega à Aids 2026 com agenda voltada ao fortalecimento da resposta ao HIV, acesso a medicamentos e financiamento global da saúde

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Maior organização mundial dedicada à resposta ao HIV apresentará 13 estudos científicos, promoverá debates sobre prevenção e cuidado, lançará uma aliança latino-americana pelo acesso a medicamentos e defenderá campanha internacional por novos mecanismos de financiamento da saúde

A ampliação do acesso à prevenção e ao tratamento do HIV, a integração dos serviços de saúde, a garantia dos direitos humanos e a busca por modelos mais sustentáveis de financiamento da saúde global estarão entre os principais temas defendidos pela Aids Healthcare Foundation (AHF) durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), que acontece entre os dias 26 e 31 de julho, no Riocentro, no Rio de Janeiro.

Considerada a maior organização de saúde pública do mundo dedicada à resposta ao HIV, à Aids e às infecções sexualmente transmissíveis (IST), a entidade participará do maior encontro científico sobre HIV do planeta com uma ampla programação que reúne produção científica, ações de prevenção, debates técnicos e iniciativas de incidência política. A delegação será formada por 14 representantes de nove países — Argentina, África do Sul, Brasil, Camboja, Estados Unidos, Haiti, Holanda, México e Peru — reforçando o caráter internacional da atuação da organização.

Ao longo da conferência, a AHF apresentará 13 pôsteres científicos, promoverá três debates com especialistas internacionais, lançará uma nova aliança latino-americana voltada à ampliação do acesso a medicamentos e reforçará a campanha global Freedom From Debt (Livre das Dívidas), que propõe mudanças no financiamento internacional da saúde para ampliar a capacidade de investimento dos países em desenvolvimento.

Prevenção e diagnóstico em destaque

Durante toda a conferência, a organização estará no estande 301, que terá como tema “Syphilis is serious. It’s curable. Get tested.” (“Sífilis é séria. Tem cura. Faça o teste.”).

O espaço reunirá atividades voltadas à prevenção combinada, com distribuição gratuita de preservativos internos e externos, gel lubrificante e kits de autoteste para HIV, além de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis.

A escolha da sífilis como tema central do estande acompanha a preocupação crescente com o aumento dos casos da infecção em diversos países e reforça a importância da ampliação da testagem e do diagnóstico precoce como estratégias fundamentais para interromper a cadeia de transmissão.

Especialistas discutirão integração entre HIV e outras IST

A programação da AHF também incluirá três encontros destinados a promover o intercâmbio de experiências entre especialistas, gestores e representantes da sociedade civil.

O primeiro debate acontecerá no dia 28 de julho, às 14 horas, e discutirá a integração dos serviços de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis na América Latina.

Com o tema “Integrando os serviços de HIV e outras IST (com foco em sífilis) na América Latina”, a sessão abordará estratégias para fortalecer a prevenção, ampliar a testagem e qualificar o cuidado diante do crescimento dos casos de sífilis na região.

Participam da discussão Adele Benzaken (Brasil), Miguel Pedrola (Argentina) e Pâmela Gaspar (Brasil), do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde. A mediação será de Guillermina Alaniz, da AHF.

Permanência no cuidado será tema do segundo encontro

No dia 29 de julho, às 14 horas, especialistas discutirão estratégias para reduzir a interrupção do tratamento e fortalecer o vínculo das pessoas vivendo com HIV com os serviços de saúde.

A sessão “Mantendo as Pessoas Conectadas ao Cuidado em HIV: o que realmente Funciona” reunirá experiências desenvolvidas em diferentes países e abordará os impactos das barreiras sociais, institucionais e relacionadas à saúde mental na continuidade do cuidado.

Participarão Kim Heang Ung (Camboja), Logandran Naidoo (África do Sul) e Omar Sued, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A mediação será de Daniel Reijer, da AHF Holanda.

Tuberculose e HIV encerram a série de debates

A última conversa promovida pela organização será realizada no dia 30 de julho, às 14 horas, e terá como foco a ampliação do acesso à terapia preventiva da tuberculose entre pessoas vivendo com HIV.

Embora seja uma das principais estratégias para reduzir adoecimento e mortes por tuberculose nessa população, a cobertura da terapia preventiva ainda permanece limitada em diversos países da América Latina.

O debate reunirá Jan van den Hombergh (Holanda), Renato Chuster (Brasil) e Antonio Flores (África do Sul), da Médicos Sem Fronteiras (MSF), sob mediação de Guillermina Alaniz.

Campanha relaciona dívida pública e acesso à saúde

Além da programação científica, a AIDS 2026 será palco da divulgação da campanha internacional Freedom From Debt (Livre das Dívidas).

A iniciativa busca chamar atenção para os impactos da crise da dívida soberana sobre os sistemas públicos de saúde. Segundo a AHF, cerca de 3,4 bilhões de pessoas vivem atualmente em países que destinam mais recursos ao pagamento de suas dívidas do que aos investimentos em saúde ou educação.

Para a organização, esse cenário limita a capacidade de resposta dos governos diante de epidemias, amplia desigualdades sociais e compromete o desenvolvimento econômico, tornando a dívida pública também uma questão de direitos humanos.

Como parte da campanha, a entidade defende a criação de um Fórum dos Países Devedores (Borrower’s Forum), que fortaleceria a articulação entre países em desenvolvimento para ampliar seu poder de negociação diante dos credores internacionais.

Outra proposta prevê a suspensão obrigatória do pagamento das dívidas durante emergências de saúde pública e desastres climáticos, permitindo que os recursos permaneçam nos países para atender às necessidades da população.

A campanha também propõe a criação de uma contribuição solidária equivalente a 1% das receitas das grandes empresas de inteligência artificial, destinada ao financiamento do alívio da dívida dos países em desenvolvimento.

Sociedade civil articula nova aliança pelo acesso a medicamentos

Outro momento importante da participação da AHF será o lançamento da Aliança da Sociedade Civil Latino-Americana e do Caribe para Acesso a Medicamentos.

A iniciativa será apresentada durante o encontro “Construindo uma agenda regional para garantir o acesso a medicamentos”, marcado para o dia 26 de julho, às 14 horas, em atividade voltada a convidados.

A articulação reúne organizações de diferentes países, entre elas AHF, AIS, Corresponsales Clave, Diálogo Diverso, GHPCorp, Innovarte ONG, Kirimina (Equador), Public Citizen e Vacunas para la Gente/Latinoamérica.

O objetivo é construir uma agenda regional que fortaleça a atuação da sociedade civil na defesa do acesso equitativo a medicamentos e tecnologias em saúde, especialmente diante dos desafios impostos pelos altos preços, pelas barreiras relacionadas à propriedade intelectual e pelas desigualdades entre os países da região.

Ao reunir produção científica, debates técnicos, ações de prevenção e iniciativas de incidência política em um mesmo espaço, a AHF pretende aproveitar a conferência para fortalecer a resposta comunitária ao HIV, ampliar o debate sobre o acesso equitativo a medicamentos e defender modelos de financiamento capazes de assegurar maior sustentabilidade às políticas públicas de saúde.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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