AHF Brasil vai ampliar ações informativas sobre chemsex, sexo sob influência de drogas psicoativas

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Chemsex: Todo lo que debes saber sobre esta práctica - Adictalia

O uso cada vez mais frequente de drogas psicoativas para turbinar as relações sexuais – o chamado chemsex – levou a AHF Brasil a ampliar a participação da entidade no enfrentamento do tema, que tem deixado médicos e ativistas em alerta.

Entre as medidas em discussão estão uma parceria com uma ONG britânica para treinar a equipe da Clínica Comunitária de Saúde Sexual (leia mais abaixo) e a promoção de rodas de conversa com especialistas para tirar dúvidas e orientar pessoas interessadas no assunto, sejam elas usuárias ou não do chemsex.

Recentemente, a AHF Brasil publicou em suas redes sociais dois vídeos para desvendar mitos que envolvem o assunto, principalmente em relação à metanfetamina, conhecida como “crystal”, “Tina” ou “Cris”. De acordo com especialistas, há indícios de aumento do uso da substância associado ao chemsex entre a população LGBTQIAP+.

 

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Nas peças, a crença de que os adeptos da prática conseguem controlar o uso da droga, e que ela é recreativa e melhora a vida sexual, é desmentida pelos médicos Rico Vasconcelos (infectologista) e Bruno Branquinho (psiquiatra), que também orientam as pessoas sobre como pedir ajuda.

Psicanalista especializado no atendimento a pessoas LGBTQIA+, Bruno explica no vídeo que a definição ampla do termo é qualquer relação sexual que tenha sido influenciada por alguma substância. O ato de uma pessoa ir para a balada, beber em uma quantidade média e acabar transando no fim da noite, por exemplo, poderia ser uma forma de chemsex.

 

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No entanto, a abordagem do hábito em si é muito mais específica. “O chemex não é simplesmente usar uma substância e acabar fazendo sexo, mas fazer uso daquela substância justamente para fazer sexo. Cada uma é específica para determinadas práticas”, esclarece.

Juntos, os dois vídeos já contam com mais de 21 mil visualizações no Instagram (@ahf.brasil). Em 2020, a AHF Brasil também publicou em seu perfil conteúdo especial sobre chemsex (Confira aqui).

Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, ressalta que a iniciativa busca abordar a questão de maneira objetiva e sem estigmas. “Não temos a pretensão moralista de dizer o que as pessoas devem ou não fazer com suas vidas, seus corpos e suas práticas sexuais”, resume.

“Nossa atuação é pautada no fornecimento de informações precisas, baseadas na ciência e relevantes para a saúde individual e coletiva, ajudando as pessoas a entenderem os riscos envolvidos com o chemsex, gerenciarem a exposição delas e de suas parcerias a esses riscos e saberem como buscar ajuda profissional”, diz Beto.

Riscos e prejuízos

Chemsex é uma abreviação de chemical sex, que em inglês significa, literalmente, sexo químico. Esse comportamento consiste no uso de drogas – geralmente sintéticas e todas ilegais – durante as relações, e surgiu na Europa no fim dos anos 1990.

No Brasil, vem sendo observado o crescimento da prática após a pandemia de covid-19. Especialistas apontam que o uso de metanfetamina nas relações afeta principalmente homens gays, bissexuais e que fazem sexo com outros homens.

Uma pesquisa online realizada com 2.361 HSH revelou que 38,9% deles utlizaram o chemsex durante a pandemia e que em 95% dos casos a prática foi realizada com parceiro casual. O estudo, assinado por nove pesquisadores brasileiros e três portugueses, está disponível na plataforma digital de artigos científicos SciELO (https://tinyurl.com/yc3s8yaj).

A busca por transas mais duradouras e desinibidas é o principal motivo que leva as pessoas a aderirem ao chemsex, também comum em filmes pornográficos (seja em produções profissionais ou amadoras). Aumento da vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis, alto potencial viciante, possibilidade de overdose e prejuízos à saúde mental são os principais riscos da prática.

“Fora os riscos de overdose, uma vez que não existem níveis seguros de consumo para nenhuma droga, e da maior exposição às IST, a metanfetamina faz com que as pessoas só consigam transar com a droga, gerando um círculo vicioso. Isso é muito preocupante”, diz Fernanda Rick, médica infectologista responsável pela clínica da AHF em São Paulo.

Além disso, as apreensões de comprimidos de metanfetamina no Brasil mais que duplicaram entre 2019 e 2020 e cresceram 20% em 2021, segundo a Polícia Federal – mais um indicativo de um provável aumento de uso da substância no país.

Clínica Comunitária de Saúde Sexual

Endereço: R. Pedro Américo, 52 – Praça da República/Centro – SP/Capital.
Funcionamento: de segunda a sexta, das 11h30 às 18h30.
Serviços: testagem e aconselhamento para HIV e IST; tratamento para IST; encaminhamento para tratamento de HIV no SUS.
Atendimento 100% gratuito, livre de estigmas e preconceitos.

Dica de entrevista

AHF Brasil

Tel.:  (11) 3352-7760

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