A Aids Healthcare Foundation (AHF) anunciou que irá descontinuar, a partir de 2026, alguns projetos de testagem rápida comunitária para o HIV e ações de prevenção realizados em parceria com organizações da sociedade civil no Brasil.
Em comunicado enviado a parceiros – incluindo o Instituto Cultural Barong, a AGLTTF e a AGLTPIN – a instituição informou que a decisão decorre de “razões internas inevitáveis” e que os acordos vigentes serão encerrados em 31 de dezembro de 2025, conforme previsto na Cláusula Décima Primeira dos Memorandos de Entendimento (MOUs) firmados com as entidades.
“Foi um prazer colaborar com vocês. Deixamos em aberto a possibilidade de colaborações futuras, caso haja interesse mútuo e novas oportunidades”, diz o texto da comunicação oficial, que agradece às equipes envolvidas “pela dedicação e contribuição para a promoção da saúde pública no Brasil”.
Reestruturação global
Em nota oficial enviada à Agência Aids, a AHF Brasil informou que a decisão faz parte de um processo de reestruturação global da política de parcerias da organização, que atua em 48 países. A medida envolve uma realocação de recursos e o alinhamento com novas diretrizes institucionais voltadas ao fortalecimento da rede própria da AHF e de serviços públicos de saúde com os quais mantém acordos de cooperação.
“A medida vale para todos os 48 países nos quais a AHF atua e tem como objetivo reforçar as ações de testagem e aconselhamento em suas unidades próprias e nos serviços de saúde com os quais possui acordos de cooperação vigentes”, afirma a nota.
Foco no index testing e na continuidade dos serviços
A partir de 2026, a AHF investirá em uma nova estratégia no Brasil: o index testing, voltado à identificação de novos casos de HIV a partir de pessoas já diagnosticadas e ao fortalecimento do cuidado e acompanhamento de quem vive com o vírus.
Segundo a instituição, três organizações não governamentais permanecerão parceiras em 2026, número que poderá crescer conforme a disponibilidade de recursos.
Além disso, a AHF reforçará as ações de testagem e aconselhamento nas clínicas próprias de São Paulo (voltada à população geral) e de Recife (focada em homens), bem como nas 31 unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) com as quais mantém cooperação — número que deverá chegar a 34 unidades nos próximos meses.
Esses serviços estão distribuídos pelos estados de São Paulo, Pernambuco, Amazonas, Pará e Rio Grande do Sul, em parceria com as gestões estaduais e municipais.
Na luta contra a aids desde 1987
Fundada em 1987, a Aids Healthcare Foundation (AHF) é uma das maiores provedoras de cuidados de saúde para o HIV/aids no mundo. A organização já atendeu mais de 2 milhões de pessoas em 47 países e administra mais de 800 centros de serviços médicos distribuídos pela América Latina e Caribe, Ásia, Europa e Estados Unidos.
Suas operações são financiadas por uma rede de farmácias nos Estados Unidos, brechós, contratos de saúde e parcerias estratégicas, que garantem recursos próprios para investir na resposta global ao HIV. A fundação realiza anualmente mais de 5 milhões de testes rápidos de HIV, distribui mais de 90 milhões de preservativos gratuitos e lidera uma iniciativa mundial de testagem em massa para identificar e tratar os 25 milhões de pessoas que ainda não sabem que vivem com o vírus.
Além do atendimento direto, a AHF mantém um amplo programa de defesa da saúde pública, trabalhando com governos locais na formulação de políticas que priorizem a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso rápido ao tratamento.

No Brasil, a AHF foi criada em 2013, iniciando suas atividades no Rio de Janeiro, em parceria com o Grupo Pela Vidda, com ações de prevenção e diagnóstico. Depois, expandiu para o Amazonas, em cooperação com o Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi) do Ministério da Saúde, além dos programas estaduais e municipais.
Desde 2015, a fundação atua também em parceria com organizações locais. Essas ações resultaram em centenas de milhares de testes rápidos realizados e milhões de preservativos distribuídos em todo o país.
Atualmente, a AHF mantém duas clínicas próprias: a Clínica do Homem, em Recife, voltada à prevenção e tratamento de ISTs com foco no público masculino, e a Clínica Comunitária de Saúde Sexual, em São Paulo, referência em atendimento gratuito e humanizado. Ambas funcionam em parceria com os programas de HIV/Aids nas esferas federal, estadual e municipal.
Beto de Jesus, diretor da AHF Brasil, afirma que a instituição não deixará de fazer testagem comunitária no Brasil. “Este trabalho continuará sendo feito em parceria com ONGs de Recife, Manaus e Rio de Janeiro; além das nossas clínicas e das unidades parceiras do SUS. Reconhecemos a expertise das ONGs e agradecemos imensamente pela parceira desde o início das nossas atividades no Brasil. Foram anos de trabalho conjunto. Porém, a reestruturação da política global da AHF ocorre em função da escassez de recursos financeiros, que precisaram ser realocados para reforçar atividades estratégicas de testagem”, diz Beto.
Embora o apoio direto a projetos comunitários seja descontinuado, a organização afirmou, em nota, manter o compromisso com a resposta à epidemia e com o fortalecimento das políticas públicas de saúde.
Redação da Agência de Notícias da Aids
Dica de entrevista
AHF Brasil
Site: www.ahfbrasil.com.br




