África do Sul recebe elogios da diretora do Unaids por liderança política e financeira no enfrentamento do HIV/aids

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A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, concluiu nesta sexta-feira (13) uma missão de quatro dias à África do Sul com elogios ao compromisso político e financeiro do país na resposta ao HIV e à sua atuação como liderança global no G20. A visita teve como principal objetivo aprofundar o entendimento sobre os efeitos dos cortes no financiamento internacional, especialmente dos Estados Unidos, e reforçar o apoio da agência da ONU à resposta nacional ao HIV.

“Vim aqui para ouvir, compreender e apoiar a África do Sul, o país com a maior incidência de HIV”, afirmou Byanyima. “Cerca de 7,8 milhões de pessoas vivem com HIV no país, o maior número do mundo. O Unaids está apoiando o governo para garantir que os esforços de prevenção sejam ampliados, que todas as pessoas necessitadas tenham acesso ao tratamento e que a África do Sul possa erradicar a aids como uma ameaça à saúde pública até 2030.”

A diretora participou de uma visita de monitoramento liderada pela comunidade ao Centro de Saúde Comunitário de Itireleng, em Soweto, e se reuniu com representantes de organizações da sociedade civil. Também manteve encontros de alto nível com o presidente Cyril Ramaphosa e com o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi. Na ocasião, ela reafirmou o apoio do Unaids à campanha Close the Gap (“Fechar a Lacuna”), que visa garantir acesso ao tratamento para mais 1,1 milhão de pessoas vivendo com HIV no país.

Durante a visita, Byanyima observou diretamente os impactos da redução de recursos estrangeiros. Segundo ela, o corte de 17% no financiamento anteriormente proveniente dos EUA provocou demissões em massa de mais de 8.000 profissionais de saúde e 1.400 coletores de dados que atuavam no rastreamento e acompanhamento de pacientes. Além disso, doze clínicas geridas por ONGs tiveram que encerrar suas atividades.

“Em Soweto, vi o que as perturbações significam para o país. Elas estão sendo sentidas pelas pessoas mais afetadas pelo HIV, incluindo adolescentes e mulheres jovens. Agora, estamos vendo uma lacuna maior nos serviços de prevenção ao HIV”, alertou.

Apesar do cenário desafiador, a diretora destacou a resposta rápida do governo sul-africano: “Fiquei satisfeita em saber que prontuários de populações-chave estão sendo transferidos para outras unidades de saúde, garantindo a continuidade do tratamento. Estou vendo esforços reais por parte do governo, incluindo o investimento de novos recursos na resposta nacional ao HIV. Isso é muito encorajador.”

A missão de Byanyima coincidiu com a realização do Grupo de Trabalho de Saúde do G20, sediado em Joanesburgo. Na ocasião, ela reforçou o apoio do UNAIDS à liderança da África do Sul no fórum global, especialmente no que diz respeito à promoção da produção local de medicamentos em todos os continentes, à ampliação do espaço fiscal e ao enfrentamento das restrições financeiras que dificultam o acesso à saúde em países de baixa e média renda.

Segundo a diretora, o Conselho Global sobre Desigualdade, Aids e Pandemias — grupo de especialistas convocado pelo Unaids — está contribuindo ativamente com recomendações para as deliberações do G20. “A liderança da África do Sul no G20 deste ano é crucial para a saúde pública global, pois busca combater as desigualdades que impedem o progresso”, afirmou.

A atuação conjunta entre o Unaids e o governo sul-africano visa garantir que o G20 avance em medidas concretas para ampliar o acesso a medicamentos, enfrentar os determinantes sociais da saúde e viabilizar o fim da aids como ameaça à saúde pública até 2030.

Redação da Agência Aids com informações do Unaids

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